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Singapura afunda no mar blocos de concreto da altura de prédios de 10 andares, ergue megamuralha submarina de 17,7 km e prepara porto automatizado de 3 mil campos de futebol para movimentar 65 milhões de contêineres por ano

Singapura afunda no mar blocos de concreto da altura de prédios de 10 andares, ergue megamuralha submarina de 17,7 km e prepara porto automatizado de 3 mil campos de futebol para movimentar 65 milhões de contêineres por ano

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Singapura afunda no mar blocos de concreto da altura de prédios de 10 andares, ergue megamuralha submarina de 17,7 km e prepara porto automatizado de 3 mil campos de futebol para movimentar 65 milhões de contêineres por ano

Escrito por Ana Alice

Publicado em 22/07/2026 às 23:48

Ciência e Tecnologia

Porto de Tuas usa blocos gigantes, automação e IA para criar o maior terminal automatizado do mundo, com conclusão prevista até 2040. (Imagem: Ilustrativa)

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Estruturas gigantescas de concreto, automação avançada e novas áreas criadas sobre o mar revelam como Singapura está construindo um porto capaz de reorganizar a logística marítima e receber os maiores navios do planeta.

Centenas de estruturas de concreto com altura comparável à de prédios de dez andares formam as paredes marítimas do Porto de Tuas, complexo construído por Singapura para concentrar suas operações de contêineres em uma única área.

Quando todas as etapas forem concluídas, na década de 2040, o empreendimento deverá ocupar aproximadamente 1.337 hectares, reunir 66 berços de atracação ao longo de 26 quilômetros e movimentar até 65 milhões de TEUs por ano.

A Autoridade Marítima e Portuária de Singapura apresenta Tuas como o futuro maior terminal portuário totalmente automatizado do mundo.

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A sigla TEU corresponde ao espaço ocupado por um contêiner padrão de 20 pés, com cerca de seis metros de comprimento.

Essa unidade permite comparar a capacidade de navios, terminais e operações logísticas mesmo quando as cargas utilizam contêineres de tamanhos diferentes.

Parte da infraestrutura que sustenta o porto já está pronta e em funcionamento.

As primeiras operações começaram em dezembro de 2021, enquanto a inauguração oficial ocorreu em 1º de setembro de 2022.

Em janeiro de 2025, 11 berços estavam operacionais, e o governo informou em março de 2026 que mais quatro seriam abertos ao longo do ano.

Caixões marítimos formam as paredes do Porto de Tuas

As estruturas descritas como blocos gigantes são chamadas de caixões marítimos.

Apesar do nome, elas não são peças maciças de concreto lançadas de maneira aleatória no oceano.

Cada caixão é uma estrutura de engenharia fabricada para funcionar como parte da parede do cais.

Depois de construídas, as peças são transportadas, posicionadas sobre bases preparadas no fundo do mar e estabilizadas para formar uma linha contínua de contenção.

Na primeira fase do Porto de Tuas, foram instalados 221 caixões com altura equivalente à de um edifício de dez andares.

Cada estrutura pesava aproximadamente 15 mil toneladas, e o conjunto formou 8,6 quilômetros de parede marítima.

A segunda fase utilizou mais 227 caixões da mesma escala.

Segundo a autoridade portuária, essas peças foram empregadas na construção de outros 9,1 quilômetros de estrutura marítima.

Somadas, as duas etapas chegam a cerca de 17,7 quilômetros, embora pertençam a fases diferentes do empreendimento.

Essas paredes cumprem duas funções principais.

Na parte voltada para o mar, formam os cais onde os navios poderão atracar.

Na área interna, ajudam a conter o material utilizado para criar novos terrenos sobre espaços anteriormente ocupados pela água.

Engenharia marítima transforma o oceano em terreno portuário

O Porto de Tuas depende de um processo conhecido como recuperação de terras, ou aterro marítimo.

A técnica consiste em preparar o fundo, construir barreiras de contenção e preencher a área delimitada com materiais adequados até que surja uma superfície firme acima do nível da água.

Antes do preenchimento, equipes realizam dragagem, melhoria do solo e aprofundamento dos canais de navegação.

Essas intervenções são necessárias porque os navios porta-contêineres de maior porte exigem áreas profundas para se aproximar dos berços sem tocar o fundo.

A primeira fase envolveu trabalhos de melhoria em 414 hectares, dos quais 294 hectares correspondem a terras recuperadas do mar.

A obra consumiu 34 milhões de horas de trabalho e contou com a participação de mais de 450 empresas, conforme dados oficiais.

O desenho dos cais utiliza estruturas semelhantes a dedos que avançam sobre a água.

Esse formato permite ampliar a extensão disponível para atracação sem ocupar uma faixa costeira contínua e facilita o atendimento a embarcações com comprimentos diferentes.

Os berços de águas profundas foram projetados para receber navios com calado de até 21 metros.

O calado representa a distância entre a linha da água e a parte mais baixa do casco, medida que determina a profundidade mínima necessária para a navegação segura.

Porto de Tuas avança em quatro grandes etapas

O plano para transferir e concentrar as operações portuárias de contêineres em Tuas foi anunciado pelo governo de Singapura em 2012.

As obras de recuperação de terras da primeira fase começaram em fevereiro de 2015 e terminaram em novembro de 2021.

A segunda etapa foi iniciada em março de 2018 e apresentava cerca de 75% de conclusão em janeiro de 2025.

A primeira fase deverá reunir 21 berços de águas profundas e atingir capacidade anual de 20 milhões de TEUs quando estiver completamente operacional, meta prevista para 2027.

Com as duas primeiras fases em funcionamento, a capacidade combinada deverá superar 40 milhões de TEUs por ano.

As etapas três e quatro completarão o complexo ao longo da década de 2040, quando outras operações de contêineres de Singapura deverão ser consolidadas em Tuas.

Por isso, o porto não é apenas uma construção futura.

Parte do terminal já recebe navios, movimenta cargas e testa sistemas que serão ampliados conforme novos berços entrarem em operação.

Veículos autônomos ligarão cais e pátios de contêineres

A automação será aplicada principalmente no transporte e na organização dos contêineres.

Veículos elétricos guiados automaticamente, conhecidos pela sigla AGV, farão o deslocamento das cargas entre os navios, os cais e as áreas de armazenamento.

Esses equipamentos circulam por rotas controladas por sistemas digitais e dispensam um motorista dentro da cabine.

Nos pátios, guindastes automatizados movimentam os contêineres entre as pilhas e os veículos.

Parte dessas máquinas pode ser operada ou supervisionada a distância, reduzindo a necessidade de trabalhadores permanecerem diretamente nas áreas de movimentação de cargas pesadas.

A estrutura também prevê uma rede privada de internet móvel 5G para conectar veículos, guindastes, sensores e sistemas de controle.

A baixa demora na transmissão dos dados permite que os equipamentos recebam instruções e compartilhem informações sobre posição e tráfego em intervalos reduzidos.

Um centro de controle remoto acompanhará essas atividades.

Em vez de conduzir cada máquina de dentro do equipamento, operadores poderão monitorar várias etapas por telas, câmeras, sensores e alertas digitais.

Inteligência artificial organizará a operação portuária

A inteligência artificial deverá apoiar decisões relacionadas à distribuição de equipamentos, ao posicionamento de contêineres e ao fluxo de veículos no terminal.

Em uma operação portuária, colocar uma carga no lugar errado pode criar deslocamentos adicionais.

Para retirar um contêiner que ficou sob outras unidades, por exemplo, várias peças podem precisar ser removidas e recolocadas.

Sistemas de otimização analisam destinos, horários, navios, disponibilidade dos equipamentos e espaço nos pátios para reduzir essas movimentações.

A tecnologia também pode indicar rotas para os veículos autônomos e evitar congestionamentos dentro do terminal.

Singapura desenvolve ainda modelos de gêmeos digitais para o setor portuário.

Um gêmeo digital é uma representação virtual da operação real, alimentada com dados de máquinas e processos.

Com esse recurso, gestores podem simular mudanças antes de aplicá-las na estrutura física.

A automação, contudo, não significa ausência completa de trabalhadores.

O funcionamento do porto continua exigindo profissionais de manutenção, segurança, engenharia, tecnologia, controle marítimo e planejamento logístico.

Capacidade chegará a 65 milhões de TEUs por ano

A capacidade projetada de 65 milhões de TEUs por ano representa quase o dobro dos 37,5 milhões de TEUs movimentados por Singapura em 2021, referência utilizada pela autoridade portuária ao apresentar o empreendimento.

Os 66 berços deverão receber inclusive os maiores navios porta-contêineres em operação.

A concentração das atividades em uma única região também busca reduzir transferências entre terminais separados, que exigem deslocamento adicional de cargas por embarcações menores ou por vias terrestres.

Em fevereiro de 2025, Tuas alcançou a marca acumulada de 10 milhões de TEUs movimentados desde o início das operações.

O resultado ocorreu antes da abertura da maior parte dos berços planejados para o complexo.

A expansão acompanha o papel de Singapura como ponto de transbordo marítimo.

Nesse modelo, muitos contêineres não têm a cidade-Estado como destino final: eles chegam em grandes navios, são transferidos para outras embarcações e seguem para portos diferentes.

Guindastes elétricos reduzem o consumo de diesel

Além da produtividade, o projeto associa a automação à redução das emissões da operação portuária.

Os berços em funcionamento utilizam guindastes elétricos e veículos automatizados.

De acordo com a Autoridade Marítima e Portuária, os AGVs elétricos podem reduzir em aproximadamente 50% as emissões de carbono quando comparados aos veículos de movimentação movidos a diesel empregados em terminais convencionais.

A PSA, operadora do terminal, estabeleceu a meta de atingir emissões líquidas zero em Tuas até 2050.

O planejamento inclui redes elétricas inteligentes, armazenamento de energia em baterias, edifícios de menor consumo e equipamentos portuários eletrificados.

Essas medidas não eliminam as emissões dos navios que utilizam o porto.

Elas se concentram nas máquinas, nos veículos e nas instalações controladas pelo próprio terminal.

Megamuralha submarina não é denominação oficial

Embora as paredes marítimas tenham dimensões incomuns, os documentos oficiais consultados não utilizam a expressão “primeira megamuralha submarina”.

As autoridades de Singapura classificam as estruturas como paredes de cais ou paredes marítimas formadas por caixões.

Também não se trata de uma única muralha inteiramente submersa, mas de conjuntos construídos em fases distintas para sustentar os cais e conter as áreas aterradas.

O título preserva a comparação com edifícios de dez andares, sustentada pelas informações oficiais sobre os caixões.

A afirmação de que Tuas será o maior porto totalmente automatizado do mundo também aparece nos materiais do governo de Singapura, mas se refere à configuração prevista para a conclusão do complexo na década de 2040.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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