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SUV compacto da Honda engole 1.466 litros de bagagem, tem motor flex de 126 cv, câmbio automático CVT e ainda sai de fábrica com 6 anos de garantia sem limite de quilometragem
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 27/07/2026 às 22:31
Atualizado em 27/07/2026 às 22:35
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Os 1.466 litros só existem com o banco traseiro rebatido, ou seja, com o carro carregando duas pessoas em vez de cinco. Com todo mundo a bordo são 458 litros, número que já supera o do HR-V, modelo maior da própria marca.
O Honda WR-V 2026 oferece 458 litros de porta-malas com os encostos traseiros na posição normal e chega a 1.466 litros com a segunda fileira rebatida, conforme os números divulgados pela própria montadora no lançamento do modelo. O SUV compacto da Honda é produzido em Itirapina, no interior de São Paulo, e ocupa a posição de entrada da linha de utilitários da marca no Brasil, abaixo de HR-V, ZR-V e CR-V.
A ficha mecânica é a mesma nas duas versões oferecidas, EX e EXL. São 4,325 metros de comprimento, 1,79 metro de largura, 1,65 metro de altura e 2,65 metros entre eixos, com motor 1.5 flex aspirado de injeção direta e 126 cavalos, câmbio automático CVT e tração dianteira. A garantia total de fábrica é de seis anos sem limite de quilometragem, condição que a Honda passou a aplicar aos veículos fabricados a partir de 2026.
De 458 para 1.466 litros: o que esse número significa de verdade
O salto de capacidade é de 1.008 litros, o que resulta em um volume final aproximadamente 3,2 vezes maior que o original. É um ganho expressivo, e é justamente por isso que ele precisa ser lido com cuidado.
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Esse volume máximo transforma parte da cabine em área de carga. Na prática, ele não está disponível quando cinco pessoas viajam no veículo, porque exige que os encostos traseiros estejam abaixados. Quem viaja com a família cheia trabalha com os 458 litros, e ponto.
Há ainda uma limitação física que nenhuma tabela mostra. Os 1.466 litros representam capacidade volumétrica, e não garantia de que qualquer objeto grande vai caber ali dentro. O aproveitamento real depende do formato da carga, das curvas das laterais, da rigidez das caixas e da altura útil até o teto. Um volume irregular desperdiça espaço que a medição em litros considera aproveitável.
Vale o contexto que dá dimensão ao número menor. Os 458 litros com os bancos em uso superam o porta-malas do HR-V, que é um modelo maior e mais caro da mesma marca, e essa comparação interna é um dos argumentos comerciais mais usados sobre o carro.
O banco 60/40 e o meio-termo que quase ninguém lembra
Entre a configuração de cinco lugares e a de carga máxima existe uma terceira opção, e ela costuma ser a mais útil no dia a dia.
O banco traseiro é bipartido na proporção 60/40, o que permite rebater apenas um dos lados. Assim, dá para transportar objetos compridos avançando sobre parte da cabine, enquanto um ou dois assentos traseiros continuam disponíveis para passageiros.
É a solução para quem precisa levar uma prancha, uma escada, uma peça de móvel ou equipamento esportivo sem eliminar completamente os lugares de trás. As malas seguem no compartimento normal, e o objeto longo ocupa o vão aberto ao lado.
Outros detalhes de uso do compartimento aparecem na descrição do modelo: a tampa tem puxador interno, o espaço recebe iluminação lateral e há estepe temporário sob o piso. Este último ponto rendeu reclamação de proprietários, porque o estepe fica invertido e obriga a esvaziar o porta-malas para calibrar.
O motor 1.5 e o que ele entrega
As duas versões usam o mesmo conjunto mecânico, sem opção de motorização. Trata-se do 1.5 DI i-VTEC Flex, aspirado, de quatro cilindros e 16 válvulas, com injeção direta de combustível.
A potência é de 126 cavalos a 6.200 rotações por minuto. O torque máximo chega a 15,8 kgfm com etanol e 15,5 kgfm com gasolina, ambos a 4.600 rotações, sempre com tração dianteira.
A transmissão é automática do tipo CVT, que trabalha sem escalonamento fixo mas simula sete marchas selecionáveis por aletas atrás do volante. É uma configuração pensada para conforto urbano e não para desempenho, e o comportamento típico do CVT, com o motor subindo de giro antes da velocidade acompanhar, costuma dividir opiniões entre quem dirige.
A suspensão é McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, com pneus 215/55 aro 17, e o peso em ordem de marcha da versão de entrada é de 1.273 quilos.
Consumo: o que diz a etiqueta
Os números oficiais de consumo seguem o padrão brasileiro de etiquetagem veicular. Com gasolina, o modelo registra 12 km/l na cidade e 12,8 km/l na estrada.
Com etanol, a marca cai para cerca de 8,2 km/l em ciclo urbano, diferença esperada em qualquer motor flex, já que o etanol tem menor poder calorífico e exige mais volume para gerar a mesma energia.
Cabe a ressalva de sempre. Índices de etiqueta são obtidos em ciclo padronizado de laboratório, e o consumo real varia com ar-condicionado ligado, peso a bordo, calibragem, relevo e estilo de condução. Com tanque de 44 litros e o número de estrada da etiqueta, a autonomia teórica com gasolina fica pouco acima de 560 quilômetros.
A garantia de seis anos e a letra miúda
Este é o item que mais chama atenção no anúncio do modelo, e ele é verdadeiro. A Honda passou a oferecer garantia total de fábrica de seis anos, sem limite de quilometragem, e a cobertura permanece vinculada ao veículo mesmo em caso de revenda.
Existem, porém, condições que a maioria das matérias não menciona. A própria montadora informa que a garantia de seis anos vale para veículos fabricados a partir de 2026, é válida na rede de concessionárias e cobre defeitos de peças, fabricação ou montagem, conforme as condições do manual de manutenção. Itens de manutenção e peças de desgaste natural ficam de fora.
Há também um componente com prazo próprio e bem mais curto. A bateria convencional tem cobertura de apenas um ano, e não de seis, detalhe que costuma escapar de quem lê apenas a chamada de campanha.
Um último ponto de contexto para o comprador. Essa garantia não é exclusividade do SUV compacto da Honda: ela se aplica à linha de veículos da marca fabricados a partir de 2026. Isso não diminui o benefício frente a concorrentes de outras marcas, mas significa que ela não é um diferencial dentro do próprio catálogo.
O que vem de série e o que só a EXL tem
A lista de equipamentos de série é o segundo argumento mais usado sobre o modelo, e ela realmente começa alta na versão de entrada.
Ambas as versões trazem o pacote Honda SENSING, seis airbags frontais, laterais e do tipo cortina, faróis full LED, câmera de ré com múltiplas visualizações, sensores de estacionamento traseiros, chave presencial com botão de partida, rodas de liga leve de 17 polegadas, ar-condicionado automático com saídas para o banco traseiro, retrovisores com rebatimento elétrico, central multimídia de 10 polegadas com espelhamento sem fio e painel digital de 7 polegadas.
O pacote de assistência ao motorista reúne controle de cruzeiro adaptativo, frenagem para mitigação de colisão, auxílio de permanência em faixa e ajuste automático de farol alto. É um conjunto que em boa parte dos concorrentes aparece apenas nas versões topo de linha.
A EXL acrescenta itens de conforto e acabamento. Entram bancos e volante revestidos em couro, carregador por indução, faróis de neblina em LED, barras longitudinais no teto, apoio de braço central traseiro com porta-copos e serviços conectados pelo aplicativo da marca, que permitem funções remotas.
Altura do solo, tanque e os detalhes de uso
O modelo tem 223 milímetros de altura livre do solo, número alto para a categoria e que ajuda em lombada, guia e piso irregular. Para comparação, boa parte dos hatches e sedãs compactos fica na faixa dos 160 a 180 milímetros.
O tanque comporta 44 litros. A distância entre eixos de 2,65 metros é apontada como responsável pelo espaço para as pernas no banco traseiro, e é apresentada pela marca como base da melhor relação do segmento entre volume de porta-malas e entre-eixos.
Vale um alerta de checagem para quem for pesquisar a ficha técnica. Ao menos uma base de dados de grande porte lista o entre-eixos do modelo como 2.600 milímetros, enquanto o material oficial da montadora e a maior parte da imprensa especializada informam 2.650 milímetros. Se o número for decisivo na sua comparação, confira na concessionária.
Quanto custa hoje e quanto custava no lançamento
Aqui está o dado que a maioria das matérias sobre o modelo simplesmente ignora, e ele muda a avaliação de custo benefício.
No lançamento, entre outubro e novembro de 2025, o preço sugerido da versão EX ficou na faixa de R$ 144.900, com a EXL anunciada por cerca de R$ 149.900. A recepção foi forte: a marca informou mais de mil unidades vendidas em cinco dias durante a fase de pré-venda, com as vendas regulares começando em 12 de novembro de 2025.
Em junho de 2026, tabelas consultadas pela imprensa já apontavam preço inicial sugerido na casa dos R$ 154 mil, com frete incluso. Ou seja, algo próximo de R$ 9 mil de aumento em cerca de oito meses.
O valor final praticado varia bastante. Cor, acessórios, frete, tributação estadual e condições comerciais de cada loja mudam o número, e há registros de unidades anunciadas por valores intermediários entre a tabela de lançamento e a atual. Antes de fechar negócio, vale reconferir, porque preço de carro zero envelhece rápido.
O que pesar antes de decidir
Quatrocentos e cinquenta e oito litros com a família a bordo, 1.466 com o banco abaixado, 126 cavalos, CVT, 223 milímetros de altura livre, Honda SENSING de série e seis anos de garantia com bateria coberta por um. O SUV compacto da Honda entrega espaço e segurança acima da média da categoria, e cobra por isso um preço que subiu desde o lançamento.
E você, o que acha desse pacote? Vale pagar mais de R$ 150 mil em um SUV de entrada por causa do porta-malas e do pacote de assistência, ou o mercado tem opção melhor por menos? Garantia de seis anos pesa de verdade na sua decisão de compra, ou você troca de carro antes disso e nem chega a usar? E mais: você prefere CVT ou câmbio automático convencional no trânsito do dia a dia? Comente sua opinião, principalmente se você já tem o modelo e pode dizer quanto ele faz por litro no seu trajeto real.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

