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Tarifaço: nos EUA, Flávio busca barrar discurso de soberania de Lula

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Tarifaço: nos EUA, Flávio busca barrar discurso de soberania de Lula

O pré-candidato à Presidência da República e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) será uma das testemunhas na audiência pública para discutir uma investigação que pode culminar em uma taxação de 25% pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros nesta segunda-feira (6/7). O Brasil é acusado de práticas “irrazoáveis”.

A possibilidade de taxação decorre de uma investigação realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). Flávio Bolsonaro anunciou que fará um discurso contra as taxas, mas para impedir que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fature politicamente, ou seja, avance com o discurso de soberania.


Acusações contra o Brasil na investigação


Na petição para participar da audiência, Flávio tenta fazer um equilíbrio de interesses. Aliado do presidente norte-americano, Donald Trump, o senador começa fazendo uma ressalva de que o posicionamento dele não seria “ambíguo” e sugere que a investigação não seja abandonada.

Flávio se posiciona contra as tarifas e justifica, sem citar Lula diretamente, que a taxação representaria uma vitória para o adversário.

“Em outras palavras, as tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que ele tem adotado: protelar negociações sérias, provocar Washington a retaliar e, então, transformar essa retaliação em uma vitória política interna”, escreveu Flávio.

O blogueiro Paulo Figueiredo, apoiador da família Bolsonaro, também está inscrito para se pronunciar na audiência desta segunda e declarou no pedido para participar que vai depor contra a tarifa de 25%.

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Exportações

Pádua Martins/Ascom Ipece

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Importações dos Estados Unidos recuaram

Iskandar Zulkarnaen/Getty Images

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Senador Flávio Bolsonaro é o principal nome da direita para as eleições deste ano

Reprodução/Instagram

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Presidente Lula

Ricardo Stuckert / PR

“A ação proposta puniria as vítimas da conduta que deu origem a esta investigação, ao mesmo tempo que fortaleceria seus autores”, sustenta Figueiredo.

Professor de Direito da FGV, Jean Menezes Aguiar explicou ao Metrópoles que a audiência pública serve para dar legitimidade ao processo.

“A rigor, a audiência pública é uma coletânea de informações que é repassada para o órgão gestor melhor embasar a decisão. Isso dá legitimidade à decisão porque, em última análise, ele pode dizer que ouviu a sociedade”, detalha.

Soberania

O posicionamento de Flávio e Figueiredo representa a preocupação de que Lula volte a faturar politicamente com a ação norte-americana contra os produtos brasileiros.

Quando Trump impôs as primeiras tarifas ao Brasil, em abril do ano passado, Lula se colocou como um defensor dos interesses nacionais. À época, parte da família Bolsonaro comemorou a taxação, o que favoreceu Lula. Desde então, a popularidade do petista teve uma recuperação importante, conforme pesquisas de opinião.

Às vésperas de o USTR anunciar a indicação da nova taxação de 25% para produtos brasileiros, Flávio esteve pessoalmente com Trump na Casa Branca. Isso fez com que pegasse nele a pecha de intercessor contra os produtos nacionais. A hashtag #Tariflávio embalou na internet, pesando contra a imagem do senador.

Inscrições

A lista disponível no site do USTR apresenta 365 inscritos para a audiência pública. A previsão inicial, conforme publicação do próprio  escritório no processo, é que a duração será de um dia, mas com chance de prorrogação em caso de necessidade.

Entre os nomes, estão pessoas que se declaram independentes e outras que se apresentam como ligadas a instituições.

A maioria dos nomes das organizações listadas está em inglês, mas há brasileiras, como é o caso da Confederação Nacional da Indústria (CNI),  que tem como testemunha inscrita o diplomata brasileiro Roberto Azevêdo, que  já foi diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) entre 2013 e 2020.

Processo contra o Brasil

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos propôs taxar as importações brasileiras em 25% para punir práticas “irrazoáveis”. A proposta consta na conclusão da investigação aberta sobre o Pix pelo governo norte-americano. Agora, ela será levada a audiências públicas, como a do dia 6 de julho, para discutir o assunto. A decisão sobre o assunto cabe a Trump.

A apuração é fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que trata da política comercial do país.

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