Gigantes norte-americanas como Coca-Cola, Tesla e eBay, além da europeia Nestlé, apresentaram ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) pedidos para que produtos brasileiros fiquem de fora da tarifa adicional de 25% proposta contra o Brasil, alegando que a medida também causaria prejuízos à economia dos próprios Estados Unidos.
As manifestações foram protocoladas no último dia 1º de julho, durante a consulta pública da investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, que embasa a proposta de sobretaxa sobre milhares de produtos brasileiros.
A medida foi anunciada pelo governo de Donald Trump como resposta ao que Washington considera práticas comerciais “injustas” do Brasil.
Embora reconheçam os objetivos da investigação, as empresas afirmam que a aplicação ampla das tarifas teria efeitos colaterais para a indústria americana.
O que pedem as empresas
A Coca-Cola pediu que o USTR mantenha a isenção prevista para insumos de laranja provenientes do Brasil e inclua também derivados de limão na lista de exceções.
Segundo a empresa, esses produtos são essenciais para a fabricação de bebidas nos Estados Unidos e não podem ser substituídos rapidamente por fornecedores domésticos. A companhia afirma que a sobretaxa aumentaria os custos de produção e criaria riscos para a cadeia de abastecimento, sem contribuir para os objetivos da investigação.
Segundo dados da plataforma ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), os EUA lideram entre os compradores internacionais de suco de laranja congelado brasileiro. Apenas em 2026, as exportações para o mercado norte-americano já somam R$ 139 bilhões. No caso dos limões produzidos no Brasil, os EUA aparecem como o 15º principal destino das vendas externas.
Já a Tesla, do bilionário Elon Musk, afirmou que a política comercial deve considerar as limitações atuais das cadeias globais de suprimentos. A fabricante de veículos elétricos argumenta que diversos componentes utilizados pela indústria americana ainda dependem de fornecedores brasileiros e que restrições impostas antes da existência de alternativas domésticas poderiam reduzir a competitividade da indústria dos Estados Unidos e afetar consumidores. A empresa também pediu que determinados insumos brasileiros sejam incluídos na lista de produtos isentos da tarifa.
O eBay, por sua vez, solicitou que bens usados e seminovos sejam totalmente excluídos das tarifas. A plataforma sustenta que a taxação não ajudaria a combater as práticas investigadas pelo governo americano e acabaria penalizando consumidores de baixa renda, pequenos vendedores e microempresas que dependem do comércio internacional de produtos de segunda mão. A empresa também afirma que a medida poderia provocar distorções econômicas sem produzir os efeitos pretendidos sobre o Brasil.
Nestlé e Bauducco também se manifestam
Outras empresas também defenderam exceções. A Nestlé solicitou a ampliação da lista de insumos isentos para incluir café solúvel sem sabor e colágeno bovino, alegando que esses produtos não são produzidos em quantidade suficiente nos Estados Unidos e são fundamentais para manter sua produção no país.
A Bauducco, que mantém uma fábrica na Flórida e investe cerca de US$ 200 milhões na expansão de sua produção nos Estados Unidos, afirmou que as novas tarifas podem atrasar investimentos, reduzir a geração de empregos e aumentar os custos da operação americana. Segundo a empresa, a arrecadação obtida com produtos importados do Brasil financia justamente a ampliação de sua capacidade industrial em território americano.
As contribuições fazem parte da consulta pública aberta pelo USTR antes da decisão definitiva sobre a aplicação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Após analisar os comentários enviados por empresas, associações e demais interessados, o governo americano decidirá quais itens permanecerão sujeitos à sobretaxa e quais poderão receber isenções.

