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Toneladas de batata-doce rejeitadas pelo varejo viram proteína para bovinos, álcool industrial e biogás no interior de São Paulo: Better Beef reaproveita 40 mil toneladas de resíduos e planeja substituir diesel por biometano em projeto futuro

Toneladas de batata-doce rejeitadas pelo varejo viram proteína para bovinos, álcool industrial e biogás no interior de São Paulo: Better Beef reaproveita 40 mil toneladas de resíduos e planeja substituir diesel por biometano em projeto futuro

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Toneladas de batata-doce rejeitadas pelo varejo viram proteína para bovinos, álcool industrial e biogás no interior de São Paulo: Better Beef reaproveita 40 mil toneladas de resíduos e planeja substituir diesel por biometano em projeto futuro

Escrito por Ruth Rodrigues

Publicado em 25/07/2026 às 14:15

Atualizado em 25/07/2026 às 14:16

Agronegócio

Economia circular na pecuária permite à Better Beef transformar batata-doce sem mercado em etanol, alimento para bovinos, biogás e futuro biometano. (Imagem meramente ilustrativa gerada por IA)

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Economia circular na pecuária permite à Better Beef transformar batata-doce sem mercado em etanol, alimento para bovinos, biogás e futuro biometano.

A Better Beef está estruturando, na região de Presidente Prudente, um sistema que utiliza batatas-doces sem valor comercial para fabricar álcool industrial, produzir alimento proteico para bovinos e gerar gás destinado às operações da companhia. O projeto de economia circular na pecuária também prevê uma etapa futura na qual o biometano poderá substituir parte do diesel consumido pela frota interna.

As informações foram divulgadas pela própria empresa, que afirma ter reaproveitado, em um ano, mais de 40 mil toneladas de resíduos industriais na alimentação animal. Com base nos fatores de emissão utilizados pelo GHG Protocol, a companhia associa esse resultado à redução de 20.537 toneladas de dióxido de carbono.

Economia circular na pecuária já reaproveita milhares de toneladas

A transformação de resíduos em insumos integra uma estratégia maior de controle da cadeia produtiva, que vai da criação dos animais ao processamento da carne. Em vez de comprar externamente toda a alimentação fornecida ao rebanho, o grupo procura obter dentro de suas próprias operações parte dos ingredientes utilizados no confinamento.

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Everton Gardezan, gerente de marketing do Better Group, relaciona esse modelo à busca por carne de alto padrão com menor impacto ambiental. Segundo ele, a sustentabilidade foi incorporada às diferentes etapas do negócio, e não tratada apenas como um projeto isolado.

A economia circular na pecuária aparece, portanto, como uma ferramenta operacional e financeira. Além de reduzir descartes, o reaproveitamento pode diminuir a exposição da empresa às oscilações de preço dos insumos adquiridos no mercado.

Batata-doce sem padrão comercial ganha nova destinação

A Agropecuária Vista Alegre, braço pecuário do grupo, está instalada em uma área com forte produção de batata-doce. Nesse mercado, entre 30% e 40% da colheita regional pode não atender às exigências de aparência estabelecidas para a venda ao consumidor.

Esses tubérculos mantêm suas propriedades nutricionais, mas podem receber preços muito baixos ou permanecer no campo quando a comercialização deixa de compensar. A oferta frequente de produto desclassificado levou a empresa a estudar formas de utilizar essa matéria-prima dentro de sua estrutura.

A primeira possibilidade analisada foi a construção de uma usina baseada em milho. O custo desse grão na região, entretanto, levou a companhia a buscar uma alternativa mais próxima da realidade agrícola local.

Economia circular na pecuária começa com a produção de etanol

A previsão apresentada para a operação considera o processamento anual de aproximadamente 36 mil toneladas de batata-doce. Esse volume poderá gerar cerca de 5 milhões de litros de etanol industrial.

A extração do álcool não encerra o aproveitamento da matéria-prima. Depois dessa etapa, permanece um material rico em nutrientes, que pode ser convertido em aproximadamente 7 mil toneladas de alimento para o gado a cada ano.

Segundo os dados da empresa, esse ingrediente apresenta teor proteico próximo de 29%. A produção passa, assim, a fornecer energia para a indústria e proteína para os bovinos a partir do mesmo excedente agrícola.

Projeto combina álcool, suplemento animal e biogás

Na configuração divulgada para o Projeto Batata-Doce, a Better Beef menciona diferentes produtos resultantes do processamento:

O biogás será empregado inicialmente como fonte térmica no processo industrial. A substituição de outros combustíveis dependerá das próximas fases previstas pela companhia.

O WDG e os demais resíduos nutricionais serão direcionados aos animais confinados. Dessa maneira, a matéria-prima permanece dentro da cadeia produtiva mesmo após a retirada do álcool.

Economia circular na pecuária permite à Better Beef transformar batata-doce sem mercado em etanol, alimento para bovinos, biogás e futuro biometano. (Imagem meramente ilustrativa gerada por IA)

Ração própria reduz dependência de fornecedores

A empresa pretende ampliar a quantidade de proteína produzida internamente, reduzindo a necessidade de comprar ingredientes de terceiros. David Oliveira, gerente industrial da Agropecuária Vista Alegre, afirma que essa estratégia oferece maior previsibilidade sobre despesas e melhora a competitividade da operação.

Além do derivado da batata-doce, a dieta dos animais utiliza levedura obtida na fabricação de etanol. O ingrediente atua como suplemento e, segundo a companhia, contribui para a saúde ruminal e para o aproveitamento dos alimentos pelos bovinos.

A economia circular na pecuária conecta, dessa forma, atividades que normalmente poderiam funcionar de maneira separada. O que sobra na indústria passa a substituir parte dos materiais comprados para o confinamento.

Biometano poderá abastecer veículos da própria empresa

As análises realizadas durante o desenvolvimento do projeto indicaram que o líquido residual do processamento possui potencial para produção de biogás. Na etapa inicial, esse recurso energético será queimado para fornecer calor às instalações industriais.

O planejamento seguinte prevê a purificação do gás para obtenção de biometano. Depois desse tratamento, o combustível poderá atender veículos utilizados internamente e também gerar energia para outras áreas da operação.

Essa fase ainda está inserida nos planos futuros e não foi apresentada como plenamente operacional. Caso seja implantada, permitirá que parte do descarte da batata-doce substitua o diesel utilizado no deslocamento da própria cadeia produtiva.

Economia circular na pecuária alcança água, solo e esterco

O sistema adotado pelo grupo não se limita aos tubérculos desclassificados. A Better Beef administra cerca de 7 mil hectares, onde também cultiva cana-de-açúcar, produz feno e desenvolve outros ingredientes destinados ao confinamento.

A água recuperada dentro das instalações retorna às áreas agrícolas por meio da fertirrigação. Esse reaproveitamento permite que recursos utilizados em uma etapa voltem ao campo em vez de serem simplesmente descartados.

O esterco gerado pelos mais de 136 mil animais que passam anualmente pela estrutura também é incorporado ao solo. Segundo a companhia, essa prática diminui a necessidade de fertilizantes químicos e participa das ações voltadas ao armazenamento de carbono na terra.

Confinamento integra produção animal e agricultura

A Agropecuária Vista Alegre é apresentada pelo grupo como o maior confinamento coberto e com baias concretadas da América Latina. A estrutura foi desenhada para receber grande número de bovinos e, ao mesmo tempo, organizar a coleta dos materiais gerados durante a produção.

Ao retornar o esterco às lavouras, a empresa cria uma ligação entre a alimentação dos animais e a fertilidade das áreas agrícolas. Parte do que sai do campo alimenta o gado, enquanto os resíduos da criação voltam para melhorar as condições do solo.

Esse funcionamento é um dos pilares da economia circular na pecuária desenvolvida pelo grupo. A intenção é diminuir perdas em diferentes etapas e transformar subprodutos em recursos aproveitáveis.

Agricultores passam a ter comprador para batata rejeitada

A implantação da usina também poderá criar uma nova fonte de receita para produtores da região de Presidente Prudente. Batatas que antes não encontravam compradores poderão ser direcionadas ao processamento industrial.

A empresa não precisa que o produto tenha o formato ou a aparência exigida pelo varejo. O interesse está no potencial energético e nutricional mantido pelos tubérculos, mesmo quando eles são classificados como inadequados para comercialização direta.

Além dessa relação com os produtores de batata-doce, o grupo mantém acordos com assentamentos rurais para aquisição de feno. O material é utilizado durante a adaptação alimentar dos bovinos que ingressam no confinamento.

Verticalização aumenta controle sobre os custos

A Better Beef participa das fases de cria, recria, terminação e abate dos animais. Ao acrescentar a fabricação de etanol, suplementos, energia e fertilizantes orgânicos, a empresa amplia o número de atividades conduzidas dentro do próprio grupo.

Esse controle pode reduzir interrupções relacionadas à falta de insumos e tornar os custos menos dependentes do comportamento do mercado. Ao mesmo tempo, exige investimentos em indústria, armazenamento, logística e conhecimento técnico.

O aproveitamento da batata-doce faz parte dessa busca por autossuficiência. A matéria-prima regional substitui produtos que precisariam ser transportados de outros locais ou adquiridos em períodos de preços elevados.

Carne produzida abastece Brasil e mercado internacional

O frigorífico do grupo vende seus produtos para mais de 30 países localizados em cinco continentes. No mercado brasileiro, a companhia atua com linhas de carne posicionadas no segmento premium.

A adoção de projetos ambientais também faz parte da estratégia de valorização dessa produção. A empresa procura associar controle da cadeia, eficiência de custos e redução de desperdícios à imagem dos produtos comercializados.

Para Everton Gardezan, a atividade não deve se restringir à obtenção de carne. O objetivo declarado pelo executivo é manter produtividade elevada sem abandonar ações voltadas à recuperação do ecossistema.

Projeto ainda possui etapas em desenvolvimento

Embora a empresa já reaproveite resíduos industriais na alimentação do rebanho, nem todas as fases ligadas à batata-doce e ao biometano foram concluídas. A produção de combustível para a frota depende da purificação do biogás, etapa prevista para um momento posterior.

A expansão também precisará manter fornecimento suficiente de tubérculos rejeitados e capacidade industrial para processar a matéria-prima. A integração entre agricultores, usina, confinamento e frigorífico será essencial para que o sistema opere continuamente.

Mesmo com essas fases ainda em implementação, o projeto apresenta uma rota para conectar excedente agrícola, energia e pecuária. Cada produto gerado poderá assumir uma função diferente dentro da mesma estrutura empresarial.

Economia circular na pecuária transforma perda agrícola em insumo

A iniciativa permite que uma batata sem espaço nas prateleiras seja convertida inicialmente em álcool, depois em alimento para bovinos e, por fim, em gás com potencial energético. Paralelamente, água e esterco retornam ao campo para apoiar a produção agrícola.

Esse desenho cria oportunidades para agricultores, reduz o volume de materiais desperdiçados e amplia a fabricação interna de insumos. Também poderá diminuir o uso de diesel quando o biometano estiver disponível para a frota.

Ao reunir lavoura, indústria, criação animal e energia em um único ciclo, a Better Beef aposta na economia circular na pecuária para reduzir custos, aproveitar resíduos e aumentar o controle sobre a produção de carne.

Fonte: Compre Rural

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Compre Rural


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

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