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Três estudantes de engenharia transformam peças de veículos antigos em uma motocicleta elétrica com câmeras, GPS e sensores, criando após um ano de trabalho um protótipo funcional que reduz a velocidade e para automaticamente ao detectar obstáculos
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 24/07/2026 às 00:39
Ciência e Tecnologia
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Construída durante um ano com cerca de 50% de peças reaproveitadas e investimento de 180 mil rúpias, a Garuda combina Raspberry Pi, comandos de voz, câmeras, GPS e sensores que reduzem a velocidade e acionam a parada automática diante de obstáculos
Três estudantes de engenharia mecânica na Índia, levaram aproximadamente um ano para construir a Garuda, uma motocicleta elétrica experimental que combina peças reaproveitadas, rodas sem cubo, sensores de obstáculos, comandos de voz e recursos digitais.
O protótipo foi desenvolvido por Shivam Maurya, Gurpreet Arora e Ganesh Patil, estudantes da Bhagwan Mahavir University, localizada em Surat, no estado indiano de Gujarat. A equipe afirma ter investido aproximadamente 180 mil rúpias no projeto, o equivalente a cerca de US$ 1.860.
A Garuda ganhou destaque inicialmente na imprensa local em agosto de 2025. Desde então, imagens da motocicleta circulando e demonstrações de seus recursos foram publicadas em emissoras, portais de notícias e no canal Creative Science.
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Metade das peças utilizadas na Garuda veio de sucata
A proposta dos estudantes era aproveitar materiais descartados para construir um veículo elétrico funcional e visualmente diferente das motocicletas convencionais.
Segundo os criadores, aproximadamente 50% das peças empregadas no projeto foram retiradas de veículos antigos ou obtidas em depósitos de sucata.
A outra metade foi projetada, adaptada ou fabricada pela própria equipe. Não foi divulgado um inventário completo das peças, por isso o percentual corresponde à estimativa apresentada pelos estudantes durante as entrevistas.
De acordo com o site local gujaratijagran, a estrutura foi construída com tubos metálicos retangulares soldados. Um dos elementos mais chamativos são as rodas sem cubo central, conhecidas como “hubless”, apoiadas por uma estrutura desenvolvida especialmente para o protótipo.
O resultado é uma motocicleta de aparência futurista, com carenagem escura, linhas angulares e grandes rodas vazadas.
Apesar do formato de superbike, trata-se de um projeto experimental, e não de um modelo homologado ou disponível comercialmente.
Raspberry Pi funciona como o cérebro eletrônico da motocicleta
No centro do sistema está um Raspberry Pi, computador compacto que recebe informações dos sensores e executa comandos programados. Ele também permite a integração entre a motocicleta, a tela digital e determinados recursos conectados por Wi-Fi.
A Garuda pode responder a comandos de voz relacionados à movimentação e à frenagem. O sistema apresentado pelos estudantes permite solicitar que a motocicleta diminua a velocidade ou pare a uma distância determinada.
Reportagem do Times of India, publicada em 28 de agosto de 2025, descreveu o Raspberry Pi como a unidade central responsável por coordenar comandos de voz, controle de velocidade e parada automática.
Embora o projeto seja divulgado como uma motocicleta com inteligência artificial, os materiais públicos não detalham os algoritmos empregados nem demonstram o uso de aprendizado de máquina.
O funcionamento apresentado concentra-se em sensores, comandos de voz e regras previamente programadas.
Isso não reduz o trabalho técnico dos estudantes, mas torna mais correto apresentar a Garuda como um protótipo elétrico com automação e recursos inteligentes controlados por Raspberry Pi.
Sensores reduzem a velocidade e acionam a parada automática
A motocicleta utiliza dois sensores para acompanhar a aproximação de veículos ou objetos. Conforme a configuração divulgada, o sistema começa a reduzir a velocidade quando identifica algo a até 12 pés de distância, equivalentes a aproximadamente 3,7 metros.
Quando o obstáculo chega a três pés, ou cerca de 90 centímetros, a programação pode comandar a parada completa da motocicleta. O objetivo é demonstrar uma aplicação experimental de assistência à condução e prevenção de colisões.
Essas distâncias foram informadas pelos criadores e reproduzidas nas primeiras reportagens. A NDTV também descreveu o funcionamento dos sensores e da parada automática ao publicar uma reportagem sobre a Garuda em dezembro de 2025.
Os vídeos mostram a motocicleta em movimento e apresentam diferentes funções, mas não substituem testes padronizados de segurança. Não existem, até o momento, resultados públicos de ensaios independentes de frenagem, estabilidade ou detecção de obstáculos.
Tela reúne GPS, câmeras, telefone e reprodução de músicas
O painel da Garuda possui uma tela sensível ao toque que centraliza diferentes recursos. Entre as funções divulgadas estão navegação por GPS, conectividade com telefone, reprodução de músicas e exibição de imagens captadas por câmeras.
O protótipo possui câmeras instaladas nas partes dianteira e traseira. As imagens podem ser mostradas na tela, ajudando o condutor a visualizar o trânsito ao redor da motocicleta.
A equipe também acrescentou uma base para carregamento sem fio de celulares.
O painel não serve apenas como velocímetro. A intenção foi construir uma central digital semelhante às interfaces encontradas em veículos elétricos conectados, reunindo navegação, comunicação, entretenimento e visualização das câmeras em um único local.
Criadores divulgam autonomia de até 220 quilômetros
A Garuda é alimentada por uma bateria de íons de lítio. De acordo com a equipe, a motocicleta pode percorrer até 220 quilômetros no modo econômico e aproximadamente 160 quilômetros no modo esportivo.
Os estudantes também informaram que uma recarga completa levaria aproximadamente duas horas. Esses números, repetidos desde as reportagens de agosto de 2025, representam as especificações declaradas pelos responsáveis pelo projeto.
Até o momento, não foram divulgados a capacidade da bateria em kWh, a potência do motor, a potência do carregador, o consumo energético ou um relatório completo do percurso utilizado para chegar aos 220 quilômetros.
Também não foi localizado um teste de autonomia realizado por laboratório, órgão de certificação ou publicação automotiva independente. Por isso, o alcance deve ser apresentado como uma estimativa ou declaração dos criadores, e não como autonomia certificada.
O cuidado é importante porque velocidade, peso transportado, temperatura, relevo e estilo de condução podem alterar significativamente a distância percorrida por qualquer veículo elétrico.
Garuda ainda é um protótipo que precisa de condutor
Apesar de algumas publicações chamarem a Garuda de motocicleta “sem motorista”, a reportagem original do The Blunt Times informou que o modelo apresentado ainda precisava de uma pessoa para ser conduzido.
A equipe demonstrou comandos de voz, controle eletrônico, assistência de frenagem e funções acionadas remotamente. Entretanto, não apresentou publicamente um sistema capaz de equilibrar, dirigir, navegar e realizar trajetos completos no trânsito sem intervenção humana.
Transformar a Garuda em uma motocicleta totalmente autônoma aparece como objetivo para as próximas etapas do projeto. Para isso, os estudantes pretendem desenvolver os sistemas de controle remoto, navegação e direção automatizada.
Também não há informação pública sobre homologação, registro, certificação de segurança ou autorização para produção comercial. A Garuda deve ser entendida como uma plataforma experimental criada para testar ideias e demonstrar conhecimentos de engenharia, eletrônica e programação.
Projeto nasceu em uma oficina e ganhou repercussão nacional
Shivam Maurya já publicava projetos de engenharia, eletrônica e veículos experimentais no canal Creative Science.
Depois das primeiras notícias em Surat, a Garuda passou a ser apresentada por veículos nacionais da Índia e ganhou repercussão nas redes sociais. O formato das rodas, o reaproveitamento de peças e os comandos eletrônicos ajudaram a tornar o projeto reconhecível.
A experiência dos três estudantes mostra como componentes acessíveis, materiais descartados e computadores compactos podem ser reunidos em um protótipo funcional. A Garuda não é uma motocicleta pronta para o mercado, mas representa uma demonstração prática de criatividade aplicada à mobilidade elétrica.
O maior resultado alcançado pela equipe não está somente nos números divulgados. Está na transformação de tubos, componentes usados, sensores e peças eletrônicas em um veículo capaz de circular e servir como laboratório para novas experiências de engenharia.
Assista o vídeo
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Fontes
https://www.financialexpr
https://www.ndtv.com/auto
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

