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Túnel colossal de quase 14 km sob os Andes quer ligar Argentina e Chile durante os 365 dias do ano com duas galerias paralelas, reduzindo bloqueios por neve, acelerando exportações e transformando o comércio sul-americano

Túnel colossal de quase 14 km sob os Andes quer ligar Argentina e Chile durante os 365 dias do ano com duas galerias paralelas, reduzindo bloqueios por neve, acelerando exportações e transformando o comércio sul-americano

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Túnel colossal de quase 14 km sob os Andes quer ligar Argentina e Chile durante os 365 dias do ano com duas galerias paralelas, reduzindo bloqueios por neve, acelerando exportações e transformando o comércio sul-americano

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 25/07/2026 às 22:09

Curiosidades

Túnel de Água Negra prevê ligação de 13,9 km entre Argentina e Chile, com duas galerias e tráfego contínuo durante todo o ano nos Andes.

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Projeto binacional prevê duas galerias sob os Andes para conectar San Juan, na Argentina, à região chilena de Coquimbo, com promessa de operação contínua durante o ano, embora a obra ainda dependa de financiamento, licitação e cronograma atualizados para avançar.

Planejado como uma ligação rodoviária permanente entre a província argentina de San Juan e a região chilena de Coquimbo, o Túnel de Água Negra atravessaria os Andes por duas galerias independentes, cada uma com aproximadamente 13,9 quilômetros de extensão.

Ao reduzir a dependência do atual passo de alta montanha, frequentemente afetado por neve e condições meteorológicas severas, a proposta permitiria a circulação de carros e caminhões durante todo o ano entre Argentina e Chile, com maior previsibilidade operacional.

Ainda assim, a passagem subterrânea não foi construída, e uma avaliação do Banco Interamericano de Desenvolvimento registrou que os recursos vinculados à operação argentina foram cancelados depois de anos sem que a execução inicialmente prevista tivesse começado.

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Duas galerias para cruzar os Andes

De acordo com o desenho divulgado pelo BID, o projeto teria uma galeria para cada sentido de circulação e adotaria um traçado subterrâneo capaz de reduzir em cerca de 40 quilômetros a distância percorrida no cruzamento rodoviário entre os dois países.

Com a conexão entre San Juan e o litoral chileno, áreas produtoras do interior sul-americano ficariam mais próximas dos portos do Pacífico, criando uma alternativa logística para cargas destinadas tanto ao comércio regional quanto aos mercados externos.

Segundo o banco, a nova passagem eliminaria curvas existentes na rota de montanha e reduziria o tempo de viagem, enquanto a operação contínua aumentaria a previsibilidade do transporte internacional, hoje vulnerável a fechamentos sazonais e restrições climáticas.

Localizado a cerca de 4.780 metros de altitude, o Passo de Água Negra funciona somente durante parte do ano, situação que limita o fluxo regular de veículos e sustenta a defesa de uma conexão subterrânea permanente.

Corredor bioceânico e impacto logístico

Ao criar uma rota mais estável entre os oceanos Atlântico e Pacífico, o empreendimento poderia facilitar o planejamento de viagens, prazos e custos para transportadoras que atravessam a fronteira, reduzindo parte das incertezas associadas ao trajeto de alta montanha.

Além disso, o Túnel de Água Negra foi apresentado como complemento ao sistema Cristo Redentor, principal ligação rodoviária entre Argentina e Chile, com potencial para absorver parte do movimento concentrado nessa passagem durante congestionamentos ou fechamentos temporários.

Para regiões argentinas distantes do Pacífico, o acesso a Coquimbo encurtaria o caminho até terminais marítimos chilenos e favoreceria exportações destinadas à Ásia, embora esse resultado dependa da construção do túnel e das conexões rodoviárias previstas no corredor.

Em suas projeções, o BID também relacionou a obra à integração logística de Argentina, Chile, Brasil, Paraguai e Uruguai, mas esses efeitos permanecem condicionados à implantação da travessia e, até agora, não foram produzidos na prática.

Financiamento aprovado não virou obra

Em 2017, o Banco Interamericano de Desenvolvimento aprovou uma operação inicial de US$ 280 milhões, dividida em US$ 130 milhões para a Argentina e US$ 150 milhões para o Chile, dentro de um custo estimado de US$ 1,5 bilhão.

Naquele momento, os recursos seriam destinados à preparação técnica, aos acessos temporários, aos portais e aos primeiros segmentos da infraestrutura, enquanto os governos dos dois países conduziriam as etapas institucionais necessárias para viabilizar o empreendimento binacional.

O avanço esperado, porém, não se confirmou, pois o relatório do BID sobre seu programa na Argentina entre 2021 e 2023 registrou o cancelamento integral dos US$ 130 milhões que haviam sido reservados ao país.

A mesma avaliação informou que os produtos de uma cooperação técnica vinculada ao projeto perderam a finalidade porque o túnel não foi construído, levando ao redirecionamento dos recursos correspondentes para outras operações conduzidas pelo banco.

Por esse histórico, a iniciativa não pode ser apresentada como construção em andamento ou infraestrutura próxima de entrar em funcionamento, já que não há, nas fontes consultadas, novo financiamento contratado, licitação ativa ou cronograma executivo atualizado.

Retomada depende de novas definições

Concebida para enfrentar a elevada altitude do Passo de Água Negra, a solução reduziria a exposição do transporte às condições meteorológicas que restringem o uso da travessia rodoviária existente e interrompem parte da circulação durante determinados períodos do ano.

Mesmo com o potencial logístico atribuído à iniciativa, o Túnel de Água Negra permanece como um projeto de integração entre San Juan e Coquimbo, sem que os benefícios comerciais, turísticos e operacionais previstos tenham sido efetivamente produzidos.

Uma eventual retomada precisará reunir financiamento confirmado, processo de contratação e prazos públicos antes que seja possível estimar quando a passagem poderá receber veículos ou alterar, de maneira concreta, os fluxos comerciais entre o interior sul-americano e o Pacífico.

Com quase 14 quilômetros planejados sob uma das maiores barreiras naturais do continente, quando Argentina e Chile conseguirão transformar o Túnel de Água Negra em uma ligação realmente aberta durante os 365 dias do ano?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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