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Um corredor de quase 71 quilômetros avança sob montanhas com quase 11 km de túneis e promete cortar mais de 4 horas de viagem, mudando a ligação entre Katmandu e o sul do Nepal
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 30/07/2026 às 17:29
Curiosidades
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Corredor rodoviário em construção no Nepal reúne túneis, pontes e pistas de alta capacidade para vencer um dos relevos mais desafiadores da Ásia, enquanto promete transformar a ligação entre a capital e o sul do país, marcada hoje por curvas, montanhas e longos desvios.
Uma via expressa com quase 71 quilômetros está sendo implantada entre Katmandu e Nijgadh para criar a ligação rodoviária mais curta entre a capital do Nepal e as planícies do sul, reduzindo de forma expressiva o percurso usado atualmente por pessoas e cargas.
Batizado de Kathmandu–Terai/Madhesh Fast Track, o corredor terá extensão total de 70,977 quilômetros e reunirá pistas de alta capacidade, túneis e pontes em um traçado desenhado para atravessar diretamente as áreas montanhosas que cercam o Vale de Katmandu.
Segundo o Exército do Nepal, responsável pela administração do empreendimento, a nova estrada reduzirá em 193 quilômetros a distância percorrida até Nijgadh e poderá cortar mais de quatro horas do tempo necessário para completar essa viagem entre regiões separadas pelo relevo.
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Kathmandu–Terai Fast Track atravessa o relevo do Nepal
A dimensão da mudança aparece quando o novo traçado é comparado às rotas sinuosas que hoje vencem a região por caminhos mais longos, sujeitos a sucessivas curvas, mudanças de altitude e trechos que acompanham o contorno natural das montanhas.
Em vez de repetir esses desvios, a futura via expressa avançará por túneis e estruturas elevadas, permitindo uma conexão mais direta entre o Vale de Katmandu e a planície do Terai, onde se concentram cidades, áreas agrícolas e importantes eixos rodoviários nacionais.
Quase um terço do corredor terá túneis e pontes
Dos quase 71 quilômetros previstos, aproximadamente 48 quilômetros corresponderão a trechos convencionais de estrada, enquanto 10,901 quilômetros serão formados por túneis e outros 12,885 quilômetros ficarão distribuídos em pontes, conforme os dados oficiais divulgados pelo projeto.
Somados, os segmentos subterrâneos e elevados ocuparão quase 24 quilômetros, o equivalente a aproximadamente um terço de todo o corredor, proporção que revela por que uma estrada relativamente curta exige tantas obras especiais ao longo do percurso montanhoso.
Ao todo, o projeto prevê 89 pontes instaladas em áreas onde vales, rios, encostas e mudanças bruscas de altitude dificultam a implantação de uma pista apoiada diretamente sobre o terreno sem ampliar novamente a distância entre os pontos conectados.
Além de superar essas barreiras, as estruturas serão usadas para ligar entradas e saídas dos túneis a diferentes segmentos da via, preservando um alinhamento mais contínuo e evitando parte das curvas que hoje alongam a viagem pela região.
Via expressa terá quatro faixas de circulação
Com quatro faixas de circulação, divididas entre os dois sentidos, a estrada foi planejada para receber automóveis, ônibus e caminhões, mantendo 3,75 metros de largura em cada faixa e oferecendo capacidade compatível com o transporte de passageiros e mercadorias.
No extremo voltado para a capital, o corredor alcançará Khokana, em Lalitpur, dentro do Vale de Katmandu; na direção oposta, chegará a Nijgadh, perto do entroncamento com a East-West Highway, principal eixo rodoviário da faixa sul do território nepalês.
Essa conexão transforma Nijgadh em ponto estratégico porque aproxima a região metropolitana da capital das planícies do Terai e Madhesh, onde a malha rodoviária permite seguir para diferentes cidades, centros produtivos e áreas agrícolas distribuídas ao longo do país.
Redução de 193 quilômetros encurta a viagem
Mais do que elevar a velocidade média, o ganho superior a quatro horas está ligado ao corte de 193 quilômetros no percurso e à substituição de trechos sinuosos por uma ligação que atravessa o relevo de maneira muito mais direta.
Quando curvas, desvios e extensos segmentos montanhosos deixam de definir o caminho principal, a distância percorrida passa a se aproximar melhor da distância geográfica entre os pontos, alterando a relação entre isolamento natural, tempo de viagem e custo logístico.
Túneis exigem sistemas permanentes de segurança
Entre os elementos mais complexos da obra estão os quase 11 quilômetros subterrâneos, que exigem escavação, contenção das paredes, drenagem, pavimentação, ventilação, iluminação, comunicação e sistemas permanentes de segurança para permitir a circulação rodoviária em condições controladas.
Nas pontes, o desafio envolve fundações, altura, estabilidade do terreno, movimentação das encostas e conexão precisa com pistas e túneis, especialmente em setores onde pequenas diferenças de alinhamento poderiam comprometer a continuidade do corredor rodoviário completo.
Projeto é considerado estratégico para o Nepal
Classificado como projeto de importância nacional, o Kathmandu–Terai/Madhesh Fast Track é administrado pelo Exército do Nepal, que coordena planejamento, contratação e execução das diferentes frentes necessárias para integrar estradas, túneis, pontes, interseções e estruturas operacionais.
Para acelerar a construção, o empreendimento foi dividido em pacotes executados em áreas distintas, cada uma com condições próprias de relevo e acesso, estratégia que permite trabalhos simultâneos antes que todos os segmentos sejam unidos em uma única rota contínua.
Mesmo com extensão inferior a 71 quilômetros, a concentração de obras especiais dá ao projeto uma escala maior do que o número isolado sugere, já que praticamente um de cada três quilômetros dependerá de túneis ou pontes para vencer a geografia local.
Corredor ligará Katmandu ao sul do país
A economia superior a quatro horas será alcançada apenas quando o corredor estiver integralmente disponível, pois a operação completa depende da conexão entre os trechos subterrâneos, as estruturas elevadas e os segmentos de pista aberta distribuídos ao longo da rota.
Depois da conclusão, motoristas que partirem da região de Katmandu poderão chegar ao entroncamento de Nijgadh por uma via com pouco menos de 71 quilômetros e, dali, acessar a East-West Highway para seguir por outras áreas do sul nepalês.
O mesmo caminho servirá ao deslocamento de passageiros e ao transporte de cargas, criando uma alternativa direta para veículos que hoje precisam contornar a barreira montanhosa ao redor da capital por percursos mais extensos, lentos e sujeitos a variações de tempo.
Em um país onde o relevo impõe longas viagens entre pontos relativamente próximos, quanto pode mudar a rotina de pessoas e cargas quando quase 200 quilômetros e mais de quatro horas desaparecem do caminho principal?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

