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Um morador de Teresina desapareceu atrás de mais de 40 toneladas de lixo empilhado até o teto da própria casa, e a prefeitura precisou isolar o imóvel e escavar os resíduos desde 8 de julho enquanto o SUS assumia os cuidados com a saúde dele

Um morador de Teresina desapareceu atrás de mais de 40 toneladas de lixo empilhado até o teto da própria casa, e a prefeitura precisou isolar o imóvel e escavar os resíduos desde 8 de julho enquanto o SUS assumia os cuidados com a saúde dele

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Um morador de Teresina desapareceu atrás de mais de 40 toneladas de lixo empilhado até o teto da própria casa, e a prefeitura precisou isolar o imóvel e escavar os resíduos desde 8 de julho enquanto o SUS assumia os cuidados com a saúde dele

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 22/07/2026 às 21:27

Atualizado em 22/07/2026 às 21:37

Curiosidades

Lixo empilhado até o telhado em Teresina: mais de 40 toneladas retiradas de uma casa e morador com transtorno de acumulação em tratamento pelo SUS.

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Mais de 40 toneladas já saíram de uma casa no bairro Promorar, em Teresina, onde o lixo empilhado chegava ao telhado. A força-tarefa começou em 8 de julho, mobiliza mais de 20 trabalhadores e caminha ao lado de equipes do SUS, que atendem o morador com transtorno de acumulação.

A prefeitura de Teresina já retirou mais de 40 toneladas de resíduos de uma casa no bairro Promorar, na zona Sul da capital piauiense, onde o lixo empilhado ao longo de anos chegava à altura do telhado. O imóvel foi isolado e a operação de limpeza começou em 8 de julho, com mais de 20 trabalhadores. O caso foi mostrado pelo Bom Dia Piauí, da TV Clube, e o morador tem diagnóstico de transtorno de acumulação, condição de saúde mental reconhecida pela medicina.

A retirada dos materiais é apenas metade da operação. Uma equipe multidisciplinar do Sistema Único de Saúde acompanha o caso, e o morador aceitou iniciar atendimento em um Centro de Atenção Psicossocial e em uma Unidade Básica de Saúde. Enquanto o imóvel não é liberado, ele está hospedado na casa de um familiar, com acompanhamento da assistência social do município.

Três dias de previsão que viraram quase duas semanas de trabalho

O planejamento inicial não sobreviveu ao primeiro contato com a realidade da casa. Isaac Meneses, representante da Superintendência de Desenvolvimento Urbano Sul, a SDU Sul, explicou que a intenção era concluir a limpeza em até três dias. O volume de material e a complexidade da operação alongaram o serviço para quase duas semanas.

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Mais de 20 trabalhadores atuam na remoção, com caminhões para transporte. Até a divulgação do caso, a prefeitura não havia fixado data para o encerramento da força-tarefa, embora a previsão fosse concluir o serviço ao longo desta semana.

Para dar dimensão ao número, 40 toneladas de lixo empilhado equivalem à carga de cerca de uma dezena de caminhões compactadores de coleta urbana. É volume de bairro inteiro concentrado dentro de uma única residência, acumulado ao longo de anos sem que nada saísse pela porta.

O que estava dentro da casa e o que vai virar aterro

Lixo empilhado até o telhado em Teresina: mais de 40 toneladas retiradas de uma casa e morador com transtorno de acumulação em tratamento pelo SUS.

Segundo a prefeitura, a maior parte do lixo empilhado no imóvel era composta por resíduos recicláveis. O problema é o tempo. Depois de anos armazenados em condições inadequadas, boa parte dos itens perdeu qualquer possibilidade de reaproveitamento e está sendo destinada a aterro sanitário.

Existe aí um detalhe que diferencia esse caso de outros parecidos na capital. Em declaração ao Portal O Dia, a coordenadora de Habitação e Assistência Social da SDU Sudeste, Rose Melo, registrou que, ao contrário de uma segunda ocorrência atendida na zona Sudeste, no imóvel da zona Sul havia resíduos orgânicos entre o material acumulado. É o tipo de mistura que multiplica o risco sanitário, com mau cheiro, proliferação de insetos e vetores de doença.

Engenheiros avaliam se a estrutura da casa aguentou

A retirada do lixo empilhado não encerra a operação. A força-tarefa conta com apoio da Vigilância Sanitária e de engenheiros, encarregados de avaliar se o peso acumulado durante anos comprometeu a estrutura do imóvel. É uma preocupação concreta: paredes e lajes de casa popular não são calculadas para suportar dezenas de toneladas distribuídas por todos os cômodos.

Os vizinhos também entram na conta. Imóveis do entorno deverão passar por inspeção para verificar possíveis impactos, seja por infiltração, por pressão sobre paredes geminadas ou por contaminação do terreno. Só depois dessas avaliações é que se define se a casa pode ser devolvida ao morador e em quais condições.

O morador ajuda na retirada, e isso não é um detalhe simpático

Um ponto passa despercebido em quase toda a repercussão do caso: o próprio morador tem colaborado com as equipes durante a remoção dos materiais. Não é gentileza nem obediência. É o desenho correto do atendimento, e explica por que a operação demorou mais do que o previsto.

A psicóloga Brenda Stefany, ouvida pelo Portal O Dia sobre os casos registrados em Teresina, é direta ao apontar o risco do caminho oposto. Segundo ela, retirar os objetos sem o consentimento da pessoa pode aumentar de forma drástica o sofrimento e a ansiedade, além de romper vínculos familiares e gerar resistência maior a aceitar ajuda e tratamento depois.

A recomendação é agir com escuta empática, sem julgamento, respeitando o ritmo do paciente. Em outras palavras, arrancar o lixo empilhado à força resolveria o problema visível e agravaria o invisível, com boa chance de a casa voltar a se encher em pouco tempo.

O que é transtorno de acumulação e o que não é

O quadro não começa com lixo empilhado, começa com objetos guardados. A condição é caracterizada pela dificuldade persistente em descartar itens, mesmo quando eles têm pouco ou nenhum valor. Com o tempo, o comportamento leva ao acúmulo excessivo de materiais, compromete o uso dos cômodos e aumenta os riscos à saúde, à segurança e à própria estrutura do imóvel.

Guardar coisas por apego ou por organização é comportamento comum, e a distinção importa. Conforme explicou Brenda Stefany, o transtorno se caracteriza quando a pessoa sente sofrimento intenso ao pensar em se desfazer dos itens ou acredita que eles serão importantes no futuro, e quando os objetos passam a impedir o uso adequado dos cômodos, aumentar risco de incêndio, de queda e de proliferação de insetos, além de gerar conflito familiar e isolamento.

A psicóloga faz questão de separar o transtorno de acumulação de preguiça, desorganização ou falta de vontade. É condição de saúde mental reconhecida, frequentemente associada a ansiedade, depressão e dificuldade de tomar decisões sobre descarte, e o quanto antes é identificada, maiores são as chances de melhora na qualidade de vida do paciente e da família.

CAPS, UBS e um tratamento que não termina quando a casa esvazia

O tratamento costuma envolver acompanhamento psicológico e psiquiátrico, com possibilidade de terapia, medicamentos e apoio de equipes multidisciplinares, incluindo assistentes sociais e profissionais da atenção básica. O objetivo declarado não é apenas limpar, é tratar a causa do comportamento e reduzir a chance de o lixo empilhado voltar a se formar depois que a casa estiver vazia.

No caso de Teresina, esse desenho já está em curso. O morador iniciou atendimento no CAPS e em uma UBS, dentro de um plano voltado à recuperação da saúde e à reintegração social. Segundo a administração municipal, ele também recebeu uma proposta de emprego durante o processo e deverá contar com acompanhamento psicológico nos primeiros meses da nova atividade profissional.

Vale registrar o caminho para quem convive com uma situação parecida. Os CAPS e as unidades básicas de saúde são as portas de entrada gratuitas da rede pública para esse tipo de acompanhamento, e a orientação dos profissionais é procurar ajuda antes que o quadro chegue ao ponto de exigir interdição do imóvel.

Um segundo caso na cidade que parece igual e não é

Em menos de uma semana, Teresina registrou duas casas com grande volume de material acumulado, e tratá-las como o mesmo fenômeno seria erro. A segunda ocorrência foi identificada no bairro Novo Milênio, na zona Sudeste, onde as equipes já haviam retirado cerca de 3,5 toneladas, com previsão de chegar a aproximadamente 5 toneladas.

A diferença está na origem do lixo empilhado. No Promorar, o morador apresenta transtorno de acumulação. No Novo Milênio, a constatação da equipe foi outra: o material vinha da atividade de reciclagem, usada como fonte de renda pelo proprietário, e o volume cresceu porque parte dos produtos deixou de ter valor de venda com o passar do tempo. Naquele imóvel não havia resíduos orgânicos.

O atendimento também mudou de forma. Nesse segundo caso, a atuação começou após denúncia recebida pela Ouvidoria da SDU Sudeste, e a assistente social Tainara Cavalcante explicou que o trabalho incluiu cadastro socioeconômico e encaminhamento à rede de assistência, com verificação de direito a benefício, inclusão em programa social e acompanhamento do agente de saúde do bairro.

Por que casos assim costumam demorar tanto a chegar ao poder público

Uma casa não se enche de 40 toneladas de um dia para o outro, e a demora até a intervenção tem explicação. O lixo empilhado avança devagar, de forma quase invisível de fora, e quem vive a situação raramente pede ajuda por conta própria. Denúncia de vizinho e visita da fiscalização costumam ser o gatilho, como aconteceu no caso da zona Sudeste.

Do outro lado, o poder público também não pode simplesmente arrombar a porta. Conforme relatou a assistente social da SDU Sudeste, quando há suspeita de transtorno de acumulação o atendimento é feito de forma gradual, priorizando o acolhimento e a construção de vínculo antes de qualquer intervenção. É esse cuidado que transforma uma limpeza de três dias em uma operação de duas semanas, e é também o que dá alguma chance de o resultado durar.

O saldo até aqui é de mais de 40 toneladas retiradas, um imóvel isolado, engenheiros avaliando estrutura, vizinhos na fila de inspeção e um morador em tratamento pelo SUS, hospedado com um familiar e com proposta de emprego na mão. O lixo empilhado por anos sai em poucos dias de caminhão. A parte difícil, que é evitar que tudo recomece, depende de um acompanhamento que vai muito além da vassoura.

E aí, você conhece algum caso parecido no seu bairro? Na sua opinião, a prefeitura da sua cidade estaria preparada para atender uma situação dessas com limpeza e cuidado em saúde ao mesmo tempo, ou pararia na retirada do lixo? Conta nos comentários como isso é tratado onde você mora.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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