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Um túnel de 1,35 quilômetro atravessa uma serra após 70 anos de espera e muda a rota de 42,5 mil veículos por dia entre a baía e o litoral oceânico
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 22/07/2026 às 17:27
Atualizado em 22/07/2026 às 17:28
Curiosidades
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Passagem subterrânea rompe uma barreira natural em Niterói, reorganiza trajetos entre regiões da cidade e revela como uma obra relativamente curta passou a absorver um fluxo diário expressivo, integrar diferentes meios de transporte e transformar deslocamentos condicionados durante décadas pela presença de uma serra.
Sob a Serra do Preventório, uma passagem subterrânea de 1,35 quilômetro conecta diretamente as regiões das Praias da Baía e Oceânica, em Niterói, enquanto o Túnel Charitas-Cafubá recebe, em média, 42,5 mil veículos por dia e reorganiza deslocamentos urbanos.
Formada por duas galerias, uma em cada sentido, a estrutura oferece três faixas por lado, das quais duas atendem automóveis e a terceira recebe ônibus do sistema de transporte de alta capacidade, além de contar com ciclovia e acesso sem pedágio.
Segundo a Prefeitura de Niterói, cerca de 40 mil pessoas são beneficiadas diretamente pela ligação, que também registrou mais de 15,3 milhões de travessias durante o primeiro ano de funcionamento, consolidando-se como acesso importante à Região Oceânica.
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Túnel Charitas-Cafubá redistribui o tráfego em Niterói
Mais do que encurtar o caminho entre Charitas e Cafubá, a obra redistribuiu parte do tráfego que antes se concentrava em rotas condicionadas pela presença da serra, criando uma alternativa direta para motoristas vindos da Zona Sul, do Centro e dos bairros oceânicos.
Antes da abertura das galerias, deslocamentos entre essas áreas dependiam de trajetos mais longos e de pontos historicamente congestionados, razão pela qual a nova ligação passou a aliviar trechos como o Largo da Batalha e a Avenida Presidente Roosevelt, em São Francisco.
Ao abrir uma passagem sob a montanha, o projeto alterou a lógica viária de uma região onde o relevo sempre condicionou o fluxo, permitindo que bairros geograficamente próximos ganhassem uma conexão mais direta e previsível dentro da malha urbana municipal.
Embora cada galeria tenha apenas 1.350 metros, o túnel ocupa uma posição estratégica entre áreas com características distintas, pois liga Charitas, voltada para a Baía de Guanabara, ao Cafubá, situado na direção de Piratininga, Itaipu e outras áreas oceânicas.
Serra do Preventório separava regiões próximas no mapa
Voltada para uma região atendida por transporte público e próxima à estação hidroviária, a entrada de Charitas aproxima o túnel dos deslocamentos em direção à Baía de Guanabara, enquanto a saída no Cafubá distribui o tráfego para os bairros da Região Oceânica.
Por décadas, a Serra do Preventório funcionou não apenas como obstáculo físico, mas também como elemento que concentrava veículos em cruzamentos e vias alternativas, obrigando diferentes fluxos urbanos a disputar os mesmos pontos de passagem ao longo do município.
A ligação era aguardada havia mais de 70 anos, de acordo com a Prefeitura de Niterói, e saiu do papel depois de sucessivas discussões sobre a necessidade de aproximar a Região Oceânica das áreas centrais e da faixa sul da cidade.
Galerias reúnem automóveis, ônibus e bicicletas
Em vez de atender somente ao transporte individual, o desenho das galerias reservou espaço específico para ônibus, permitindo que linhas do sistema de alta capacidade atravessem o túnel sem disputar toda a via com automóveis nos horários de maior movimento.
Na prática, a presença dessa faixa exclusiva amplia a função do corredor, porque transforma a travessia em parte de uma rede de mobilidade mais abrangente, na qual transporte coletivo, carros e bicicletas compartilham a mesma conexão subterrânea entre os dois lados da serra.
Também pesa na utilização cotidiana a ausência de pedágio, já que a passagem integra a malha urbana municipal e pode ser usada sem cobrança direta por moradores que se deslocam para trabalho, estudo, serviços, comércio ou lazer em diferentes pontos de Niterói.
Por integrar automóveis, ônibus e ciclistas, a estrutura deixa de funcionar como simples atalho rodoviário e passa a exercer um papel mais amplo na distribuição dos deslocamentos, oferecendo alternativas para usuários com necessidades distintas dentro de um mesmo eixo de circulação.
Fluxo diário alcança 42,5 mil veículos
Outro indicador da relevância local está na média de 42,5 mil veículos por dia informada pela administração municipal, número que revela um fluxo contínuo e demonstra como a travessia foi incorporada rapidamente aos trajetos recorrentes entre a Região Oceânica e outras áreas.
No primeiro ano de funcionamento, as 15,3 milhões de travessias registradas mostraram que o túnel não seria usado apenas de forma ocasional, mas integrado à rotina de moradores que passaram a atravessar a Serra do Preventório como parte de seus deslocamentos diários.
Longe de representar apenas um volume acumulado, esse total ajuda a dimensionar o grau de dependência criado em torno da nova passagem, cuja adoção ocorreu porque ela oferece um caminho direto através de uma barreira natural inserida no tecido urbano.
Entradas ligam a Baía de Guanabara à Região Oceânica
Na extremidade de Charitas, a conexão com áreas atendidas por transporte público e próximas à estação hidroviária reforça a integração entre diferentes modais, além de facilitar o acesso de quem circula pela faixa voltada para a Baía de Guanabara.
Já no sentido do Cafubá, o fluxo se distribui em direção aos bairros oceânicos e ao corredor viário que atravessa essa parte de Niterói, ampliando o alcance da obra para além das duas entradas escavadas na Serra do Preventório.
Essa disposição geográfica explica por que uma estrutura relativamente curta passou a absorver dezenas de milhares de veículos diariamente, pois seu valor está menos na extensão física e mais na capacidade de conectar pontos antes separados por um obstáculo natural relevante.
Ao retirar parte dos veículos de rotas antigas, a passagem subterrânea também modificou a função de ruas e avenidas próximas, espalhando seus efeitos pela rede viária e reduzindo a concentração de tráfego em pontos que historicamente recebiam movimentos vindos de várias regiões.
Mais do que aproximar dois bairros, o Túnel Charitas-Cafubá reorganizou escolhas de rota, integrou diferentes meios de transporte e alterou a mobilidade de uma cidade marcada por barreiras naturais, apesar de possuir pouco mais de um quilômetro de extensão.
Quantas cidades brasileiras ainda mantêm bairros próximos no mapa, mas distantes na prática, porque montanhas, rios ou outros obstáculos naturais continuam impondo trajetos longos a moradores que dependem diariamente de conexões urbanas mais diretas e eficientes?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

