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Um túnel de mais de 1 quilômetro atravessa o centro de uma cidade brasileira e muda a rota de 137 mil veículos por dia, separando o tráfego local de quem segue rumo à capital

Um túnel de mais de 1 quilômetro atravessa o centro de uma cidade brasileira e muda a rota de 137 mil veículos por dia, separando o tráfego local de quem segue rumo à capital

7 min de leitura

Um túnel de mais de 1 quilômetro atravessa o centro de uma cidade brasileira e muda a rota de 137 mil veículos por dia, separando o tráfego local de quem segue rumo à capital

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 25/07/2026 às 15:31

Atualizado em 25/07/2026 às 15:32

Curiosidades

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Sob uma das áreas mais movimentadas do Distrito Federal, uma estrutura subterrânea reorganiza trajetos, distribui fluxos em níveis diferentes e transforma a circulação na superfície, reunindo engenharia urbana, transporte coletivo e mudanças que afetam diariamente milhares de motoristas, passageiros e pedestres.

Uma passagem subterrânea com 1.010 metros de extensão corta o centro de Taguatinga, no Distrito Federal, e reorganiza o deslocamento entre algumas das regiões mais populosas da capital brasileira, onde o trânsito diário concentra viagens locais e trajetos em direção ao Plano Piloto.

Batizada de Túnel Rei Pelé, a estrutura possui seis faixas e recebe cerca de 137 mil veículos por dia, segundo dados divulgados pela Agência Brasília, volume que coloca a passagem entre as intervenções viárias mais relevantes da região oeste do Distrito Federal.

Ao transferir parte do movimento para o subsolo, a obra separa deslocamentos que anteriormente disputavam os mesmos cruzamentos, permitindo que carros e motocicletas atravessem Taguatinga enquanto motoristas com destino ao comércio, às residências e aos serviços permaneçam nas pistas da superfície.

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Essa divisão reduz a interferência do tráfego de passagem na circulação local e modifica a dinâmica da Avenida Central, onde semáforos, conversões, embarques e acessos comerciais costumavam concentrar veículos com destinos diferentes dentro de um único corredor urbano.

Túnel Rei Pelé conecta Taguatinga à EPTG

Construída sob uma área marcada pela presença de pedestres, edifícios, comércio e linhas de transporte coletivo, a passagem conecta a Avenida Elmo Serejo à Estrada Parque Taguatinga, conhecida como EPTG, principal eixo entre a região oeste e o centro administrativo da capital.

Por esse caminho circulam moradores de Taguatinga, Ceilândia e localidades próximas que seguem em direção ao Plano Piloto, área onde se concentra parte relevante dos empregos, repartições públicas e serviços utilizados diariamente pela população do Distrito Federal.

Distribuídas em dois sentidos, as seis faixas oferecem três pistas para cada direção, criando um corredor contínuo para carros e motocicletas que não precisam acessar as quadras comerciais nem realizar conversões na parte central de Taguatinga.

Sem passar pelos antigos cruzamentos e semáforos da Avenida Central, os veículos conseguem atravessar a região por baixo da superfície, enquanto as vias marginais preservam os acessos necessários para quem tem como destino lojas, residências, terminais e serviços instalados nos arredores.

Nas pistas superiores, ônibus e automóveis continuam conectados às áreas comerciais e residenciais, evitando que paradas, embarques, desembarques e mudanças de direção interfiram diretamente no fluxo subterrâneo destinado aos motoristas que seguem viagem para outras partes da capital.

Corredor Eixo Oeste reorganiza a mobilidade urbana

Integrante do Corredor Eixo Oeste, segundo a Agência Brasília, o Túnel Rei Pelé faz parte de um conjunto de intervenções destinadas a melhorar a mobilidade entre o centro da capital e regiões administrativas localizadas na porção oeste do território.

Atendido por esse corredor, o conjunto formado por Taguatinga, Ceilândia e áreas vizinhas reúne uma parcela expressiva da população do Distrito Federal, além de concentrar polos comerciais, serviços públicos e conexões utilizadas em deslocamentos de curta e longa distância.

Embora as galerias subterrâneas representem a parte mais visível do projeto para os motoristas, o complexo também modificou o espaço situado acima da estrutura, onde foi implantado um boulevard urbano próximo à Praça do Relógio, referência histórica da região.

Calçadas, iluminação, paisagismo e espaços destinados aos pedestres passaram a ocupar a superfície, enquanto o trânsito de passagem foi direcionado para baixo do nível da rua, liberando parte da área central para funções urbanas antes limitadas pelo fluxo contínuo de automóveis.

Fluxos diferentes passam a ocupar níveis separados

Entre as principais características do projeto está a separação física dos movimentos viários, pois quem apenas atravessa Taguatinga permanece dentro do túnel, enquanto veículos com destino local utilizam as pistas marginais e mantêm acesso aos cruzamentos da região central.

Organizada dessa maneira, a circulação evita que motoristas com trajetos distintos compartilhem os mesmos pontos de conflito, reduzindo a presença de conversões e paradas no corredor subterrâneo, planejado para receber um fluxo contínuo em ambos os sentidos.

Logo após a abertura da estrutura, aproximadamente 135 mil motoristas eram atendidos diariamente, conforme a Agência Brasília, enquanto informações posteriores do governo elevaram a estimativa para mais de 137 mil veículos por dia utilizando a passagem subterrânea.

Esse volume revela a importância do túnel para os deslocamentos entre áreas populosas do Distrito Federal, especialmente em uma região onde viagens para trabalho, estudo, comércio e serviços pressionam diariamente os principais corredores que conduzem ao Plano Piloto.

Obra recebeu investimento de R$ 275 milhões

Com investimento de R$ 275 milhões, a construção gerou mais de 1,6 mil empregos, segundo os dados oficiais publicados pela Agência Brasília, e exigiu trabalhos de escavação em uma área urbana cercada por prédios, estabelecimentos e redes de serviços públicos.

Durante cerca de três anos, diferentes etapas da obra precisaram avançar sem interromper completamente a circulação ao redor do canteiro, desafio associado à execução de uma estrutura subterrânea dentro de um centro urbano que continuava recebendo moradores, trabalhadores e consumidores.

Aberto ao tráfego em 5 de junho de 2023, o Túnel Rei Pelé permanece ligado à rotina de quem atravessa Taguatinga, já que sua função não depende de um evento temporário, mas da reorganização permanente dos deslocamentos realizados na região.

Sistemas garantem a operação do túnel

Além do pavimento e das faixas de circulação, o complexo conta com sistemas próprios de iluminação, ventilação, drenagem, sinalização e monitoramento, equipamentos necessários para manter a visibilidade, renovar o ar e acompanhar o tráfego dentro das galerias subterrâneas.

Como a luz natural não alcança toda a extensão da passagem, a operação depende do funcionamento contínuo da rede elétrica e dos dispositivos instalados ao longo do percurso, incluindo estruturas voltadas à segurança e ao controle das condições internas.

Serviços periódicos de limpeza e manutenção também integram a rotina operacional, exigindo acompanhamento do pavimento, das placas, dos equipamentos de segurança, dos sistemas de ventilação e dos demais componentes utilizados por milhares de motoristas ao longo do dia.

Transporte coletivo permanece ligado ao centro

Nas áreas próximas ao boulevard, as pistas marginais foram organizadas para preservar o acesso dos ônibus ao centro de Taguatinga, permitindo que passageiros desembarquem perto das zonas comerciais sem que o transporte coletivo precise utilizar as faixas subterrâneas destinadas ao tráfego direto.

Essa distribuição mantém o atendimento aos usuários que dependem das paradas centrais e, ao mesmo tempo, reduz a presença de embarques e desembarques no corredor de passagem, onde a circulação foi planejada para ocorrer sem interrupções provocadas por atividades locais.

A localização amplia o alcance da intervenção, pois Taguatinga funciona como polo comercial e de serviços para moradores de diferentes regiões, enquanto Ceilândia figura entre as áreas mais populosas do Distrito Federal e gera intenso movimento em direção à EPTG.

Por esse motivo, o túnel recebe tanto viagens realizadas entre bairros próximos quanto deslocamentos mais longos rumo ao Plano Piloto, combinando em uma única estrutura trajetos associados ao trabalho, ao comércio, ao transporte de passageiros e ao acesso a serviços públicos.

Nome homenageia Edson Arantes do Nascimento

O nome da estrutura homenageia Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, cuja trajetória transformou o jogador em uma das personalidades brasileiras mais conhecidas internacionalmente e levou o Distrito Federal a associar sua memória ao complexo viário.

Mesmo sem atravessar uma montanha ou passar sob o mar, o Túnel Rei Pelé chama atenção pela escala da intervenção realizada em pleno centro urbano, onde seis faixas foram implantadas sob uma região densamente ocupada.

Enquanto os veículos cruzam Taguatinga pelo nível subterrâneo sem acessar o comércio central, ônibus, pedestres e motoristas permanecem conectados às quadras, lojas e serviços da superfície, criando duas dinâmicas de circulação dentro do mesmo espaço urbano.

Em uma cidade onde 137 mil veículos utilizam diariamente uma única passagem subterrânea, quantos outros centros urbanos brasileiros poderiam separar o tráfego de passagem da circulação local por meio de uma solução semelhante?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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