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Um único navio-plataforma ancorado no pré-sal brasileiro passou a bombear mais de 700 mil barris de petróleo por dia no campo de Mero, e o segredo está numa engenharia que separa gás, óleo e água em alto-mar
Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 24/07/2026 às 13:27
Atualizado em 24/07/2026 às 13:28
Petróleo e Gás
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O campo de Mero, na Bacia de Santos, superou a marca histórica de 700 mil barris de petróleo por dia, e essa façanha depende de navios-plataforma que transformam o óleo bruto do fundo do mar em produto pronto para exportação.
A produção de petróleo no pré-sal brasileiro chegou a um novo patamar em 2026. O campo de Mero, na Bacia de Santos, a cerca de 180 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, ultrapassou a marca de 700 mil barris de petróleo em um único dia. O número foi informado pela Petrobras no relatório de produção e vendas do primeiro trimestre de 2026, divulgado em 30 de abril de 2026.
Todo esse volume sai de estruturas que flutuam sobre o oceano, ancoradas a milhares de metros de profundidade. São os chamados FPSOs, sigla em inglês para unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência. Entender como esse tipo de plataforma funciona ajuda a explicar por que um único ponto no mar consegue movimentar tanta quantidade de petróleo.
O que é um FPSO e por que ele fica parado no meio do oceano
Um FPSO é, na prática, um grande navio adaptado para trabalhar como uma usina de petróleo no meio do mar. Em vez de transportar carga, ele recebe o óleo e o gás que vêm dos poços perfurados no fundo do oceano, faz o tratamento desse material a bordo e armazena o produto em seus tanques até que um navio aliviador venha buscá-lo.
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A escolha por esse formato tem uma razão simples. Os campos do pré-sal ficam muito longe da costa e em águas profundas, o que nem sempre permite levar o petróleo até terra por dutos. Com a usina flutuando logo acima dos poços, a produção começa mais rápido e a plataforma pode ser deslocada para outro campo quando a reserva se esgota.
As unidades que operam em Mero e em outros campos da Bacia de Santos estão ancoradas sobre lâminas d’água que passam de 2 mil metros. Abaixo delas, os poços ainda descem outros milhares de metros até alcançar o petróleo preso sob uma espessa camada de sal, o que dá nome ao pré-sal.
Como a plataforma separa óleo, gás e água antes de exportar
O petróleo que chega do fundo do mar não sobe puro. Junto com o óleo vêm gás natural e água, muitas vezes misturados em um mesmo fluxo. A principal tarefa do FPSO é separar esses três elementos, e é nessa etapa que está boa parte da engenharia da plataforma.
A bordo, o material passa por vasos separadores que dividem o líquido do gás e, em seguida, apartam o óleo da água. O óleo tratado segue para os tanques de armazenamento. O gás é comprimido e enviado por gasodutos para terra ou reinjetado nos poços para manter a pressão do reservatório. A água é tratada antes de retornar ao mar ou de ser reaproveitada.
É por isso que a produção de uma unidade não se mede apenas em barris de óleo. As plataformas da Bacia de Santos também bateram recorde de exportação de gás natural, com 44,8 milhões de metros cúbicos escoados em um único dia, em 28 de março, segundo os dados da companhia.
Mero passou de 700 mil barris e Búzios superou 1 milhão no mesmo mês
O campo de Mero foi um dos destaques do balanço. Sua produção cruzou a marca de 700 mil barris de petróleo por dia, resultado da entrada em operação de novas plataformas e do aumento gradual das unidades já instaladas, processo que o setor chama de ramp-up.
No campo de Búzios, também na Bacia de Santos, o recorde foi ainda maior. As plataformas do campo alcançaram 1,037 milhão de barris de óleo em um único dia, em 20 de março de 2026. Juntos, Mero e Búzios formam o coração da produção do pré-sal brasileiro.
Os novos FPSOs que empurraram o recorde nacional
O salto de produção veio da chegada de plataformas recém-instaladas. Segundo a Petrobras, o crescimento foi puxado principalmente pelo ramp-up dos FPSOs P-78, no campo de Búzios, e Alexandre de Gusmão, no campo de Mero, além das unidades Anna Nery e Anita Garibaldi, que operam nos campos de Marlim e Voador.
Com essas unidades entrando em ritmo pleno, a produção própria da companhia atingiu a média recorde de 3,23 milhões de barris de óleo equivalente por dia no primeiro trimestre de 2026. O número é 3,7% maior que o do trimestre anterior e 16,1% superior ao do mesmo período de 2025, de acordo com o relatório divulgado pela Agência Petrobras.
Por que o pré-sal coloca o Brasil entre os maiores produtores
A camada pré-sal é um conjunto de reservatórios de petróleo que fica abaixo de uma espessa faixa de sal, a mais de 5 mil metros da superfície do mar em alguns pontos. O óleo encontrado ali é de boa qualidade e aparece em grandes volumes, o que torna cada poço bastante produtivo.
Essa combinação de reservas grandes e poços de alta vazão é o que permite que poucas plataformas respondam por uma fatia enorme da produção nacional. É também o que sustenta a posição do Brasil entre os maiores produtores de petróleo do mundo.
O que vem pela frente na Bacia de Santos
A expectativa da Petrobras é que a produção continue subindo à medida que as plataformas mais recentes alcancem a capacidade máxima e novos FPSOs entrem em operação nos próximos anos. Cada nova unidade instalada repete o princípio visto em Mero: uma usina flutuante que recebe, separa e armazena o petróleo antes que ele chegue ao mercado.
Por ora, o campo de Mero registrou a marca de mais de 700 mil barris por dia, e o conjunto das operações da companhia fechou o primeiro trimestre de 2026 no maior nível de produção já medido em sua história, conforme os dados apresentados em 30 de abril, segundo a Agência Brasil.
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Petrobras
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

