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Uma cerca de mais de 5 mil quilômetros foi construída na Austrália para conter pragas como coelhos, dingos e porcos selvagens: a estrutura protege fazendas, atravessa regiões inteiras do Outback e se tornou uma das maiores barreiras de controle animal já erguidas no mundo
Escrito por Carla Teles
Publicado em 31/07/2026 às 07:48
Ciência e Tecnologia, Curiosidades
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A cerca para conter pragas atravessa mais de 5 mil quilômetros da Austrália, separa fazendas de áreas ocupadas por coelhos, dingos, cangurus e porcos selvagens, reduz perdas de rebanhos, protege plantações e também cria zonas onde espécies nativas conseguem se recuperar, embora provoque impactos ecológicos e exija manutenção permanente intensa.
A Austrália construiu uma cerca para conter pragas que, em seus maiores trechos, ultrapassa 5 mil quilômetros e atravessa extensas áreas do Outback. A estrutura foi ampliada ao longo de décadas para impedir o avanço de coelhos, dingos, porcos selvagens e outros animais sobre fazendas, plantações e rebanhos.
As informações foram publicadas pelo canal Vida Restaurada, no YouTube, em 18 de dezembro de 2025. O conteúdo apresenta a origem, a expansão e os efeitos econômicos e ambientais das grandes cercas australianas usadas para conter coelhos, dingos, porcos selvagens e outras espécies em áreas rurais e protegidas.
Coelhos deram origem ao problema
A expansão dos coelhos começou depois que 24 animais europeus foram soltos em uma propriedade no estado de Vitória, em 1859. Sem muitos predadores naturais e diante de condições favoráveis, a população cresceu rapidamente.
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Em poucas décadas, os coelhos já ocupavam grandes áreas do sul australiano. Eles consumiam pastagens, prejudicavam plantações e contribuíam para a erosão do solo, produzindo perdas expressivas para agricultores e criadores.
Governo buscou uma barreira física
As primeiras tentativas de reduzir a população não conseguiram conter a expansão. Diante da dificuldade de eliminar os animais, surgiu a ideia de impedir que eles alcançassem novas áreas agrícolas.
A construção de uma grande barreira contra coelhos começou em 1901, na Austrália Ocidental. A lógica da cerca para conter pragas era simples: bloquear o avanço quando o extermínio não conseguia acompanhar a reprodução.
Primeira estrutura passou de 1.800 quilômetros
A chamada State Barrier Fence cresceu até ultrapassar 1.800 quilômetros. Na época, tornou-se uma das maiores cercas contínuas já construídas para controle de animais.
A estrutura buscava impedir que coelhos presentes nos estados do leste avançassem sobre áreas produtivas do sudoeste. O projeto exigiu trabalhadores, suprimentos e manutenção em regiões extremamente isoladas.
Construção enfrentou calor e falta de água
Os trabalhadores precisaram transportar arames, telas e equipamentos por paisagens áridas. Parte dos materiais seguia em camelos ou carroças puxadas por cavalos.
Calor extremo, tempestades de areia e escassez de água transformaram a obra em um desafio de engenharia. Além da construção, era necessário manter equipes distribuídas ao longo de grandes distâncias.
Enchentes e areia destruíam trechos
A cerca não permanecia intacta depois de instalada. Dunas móveis soterravam partes da estrutura, enquanto enchentes podiam arrancar postes, telas e portões.
Um único rompimento permitia a entrada de animais em áreas protegidas. Por isso, a manutenção da cerca para conter pragas tornou-se uma atividade permanente, e não apenas uma etapa posterior da obra.
Barreira ajudou a agricultura ocidental
Segundo a transcrição, a cerca desacelerou o avanço dos coelhos e deu tempo para que a agricultura da Austrália Ocidental sobrevivesse e se expandisse.
A estrutura também teria evitado perdas em plantações e pastagens. Para produtores que enfrentavam sucessivas invasões, a barreira devolveu uma sensação de controle sobre as propriedades.
Novas cercas passaram a bloquear dingos
A partir da década de 1920, outras estruturas foram construídas para enfrentar não apenas os coelhos, mas também os dingos. Esses cães selvagens eram responsabilizados por ataques a rebanhos de ovelhas.
As barreiras passaram a representar uma linha de proteção para comunidades rurais. Em algumas regiões, a presença ou ausência dos predadores determinava a viabilidade econômica da criação de ovinos.
Maior sistema supera 5 mil quilômetros
Uma das principais cercas destinadas ao controle de dingos chegou a ultrapassar 5.600 quilômetros em sua maior extensão. Atualmente, segundo o material fornecido, ela é mantida com aproximadamente 5.300 quilômetros.
A dimensão coloca essa cerca para conter pragas entre as estruturas de controle animal mais longas do mundo. Seu traçado atravessa diferentes estados e alguns dos terrenos mais difíceis do país.
Estrutura corta regiões inteiras do Outback
A longa barreira passa por áreas de Queensland, Nova Gales do Sul e pelo sul australiano. Sua extensão atravessa paisagens desérticas, propriedades rurais e regiões de acesso limitado.
Mais do que dividir terrenos, a cerca cria uma linha visível entre áreas submetidas a manejos diferentes. De um lado, fazendas protegidas; do outro, territórios onde predadores circulam com maior liberdade.
Queensland adotou cercas em grupos
Nos anos 2010, produtores de Queensland passaram a formar grupos de propriedades cercadas, conhecidos como clusters. Em vez de uma única linha continental, várias fazendas passaram a compartilhar barreiras externas.
O objetivo era impedir a entrada de cães selvagens, cangurus e porcos selvagens. Essa organização permitiu proteger áreas maiores e dividir os custos de instalação e manutenção.
Perdas de rebanhos teriam caído mais de 90%
A transcrição afirma que algumas propriedades protegidas por cercas em grupo registraram reduções superiores a 90% nas perdas de animais causadas por predadores.
Também foram relatados aumento na sobrevivência de cordeiros e melhora na qualidade da lã. Esses resultados ajudaram fazendas que enfrentavam dificuldades a recuperar produção e rentabilidade.
Porcos selvagens também ameaçam plantações
As barreiras mais recentes não são projetadas apenas para coelhos e dingos. Porcos selvagens, cangurus e emas também podem ser impedidos de entrar em determinadas áreas.
Os porcos causam danos a lavouras, pastagens e sistemas de criação. A cerca para conter pragas também pode atuar como medida de biossegurança ao reduzir a circulação de animais capazes de transmitir doenças.
Produção rural ganhou previsibilidade
Ao reduzir ataques e invasões, as cercas permitem que produtores planejem melhor a criação de ovelhas e o uso das pastagens. A necessidade de alimentação suplementar também pode diminuir quando o solo se recupera.
A proteção física substitui parte das ações emergenciais de controle. Em vez de reagir constantemente à presença de invasores, os produtores passam a trabalhar dentro de uma área previamente isolada.
Manutenção continua durante todo o ano
As equipes responsáveis percorrem a extensão das cercas para localizar buracos, fios rompidos e portões danificados. Tempestades, erosão e animais podem abrir novas passagens.
Em regiões remotas, esse trabalho exige deslocamentos longos e exposição a condições climáticas severas. Sem inspeções frequentes, até uma pequena abertura pode comprometer anos de proteção.
Barreiras alteraram a paisagem
Imagens de satélite revelam diferenças na vegetação dos dois lados de algumas cercas. As áreas agrícolas apresentam padrões distintos daqueles encontrados onde os predadores permanecem presentes.
Isso mostra que a cerca para conter pragas não afeta apenas os animais diretamente bloqueados. Ao alterar relações entre espécies, ela também modifica vegetação, disponibilidade de alimento e pressão sobre o solo.
Ausência de dingos provoca efeitos indiretos
Em áreas onde os dingos foram praticamente eliminados, populações de raposas e gatos selvagens podem crescer. Esses predadores menores atacam espécies nativas de pequeno porte.
A retirada de um grande predador pode produzir um desequilíbrio inesperado. Por esse motivo, a proteção dos rebanhos nem sempre significa melhoria automática para todo o ecossistema.
Fauna nativa reage de maneiras diferentes
Algumas espécies perdem acesso a rotas sazonais por causa das cercas. Outras podem se reproduzir excessivamente dentro de áreas protegidas, criando novos problemas de superpopulação.
Cangurus, por exemplo, podem aumentar em número quando ficam isolados de predadores e encontram pastagens disponíveis. Nesse cenário, produtores precisam adotar outras formas de manejo.
Santuários usaram cercas como refúgio
Em reservas ambientais, barreiras reforçadas foram utilizadas para criar zonas livres de predadores introduzidos. Dentro desses espaços, animais ameaçados puderam voltar a se reproduzir.
Segundo o material fornecido, populações de espécies nativas cresceram mais de 300% em alguns projetos. A mesma tecnologia criada para proteger fazendas passou a ser usada como ferramenta de recuperação ecológica.
Cerca pode funcionar como reinício ecológico
O princípio aplicado nesses santuários consiste em retirar ou bloquear a ameaça e reconstruir o ecossistema dentro da área cercada. O espaço protegido funciona como um laboratório vivo.
Depois que espécies ameaçadas recuperam populações estáveis, os projetos podem avaliar novas etapas de manejo. A barreira deixa de ser apenas defesa e passa a integrar uma estratégia de conservação.
Modelo despertou interesse internacional
Projetos australianos passaram a ser observados por grupos de conservação de outros países. A experiência é estudada como possível referência para áreas ameaçadas por espécies invasoras.
África, Nova Zelândia e América do Norte aparecem no material como regiões interessadas em soluções semelhantes. O sistema demonstra que barreiras físicas podem auxiliar a recuperação, desde que acompanhadas por monitoramento científico.
Resultados econômicos justificaram novos investimentos
A transcrição menciona projetos com retornos calculados em milhões de dólares para economias locais. Os benefícios incluiriam empregos, valorização das propriedades e aumento na renda de criadores.
Também foram citadas reduções nos custos associados ao controle de cães selvagens. A infraestrutura tornou-se atraente quando as perdas evitadas passaram a superar os gastos com instalação e manutenção.
Cerca não é solução universal
Especialistas alertam que as barreiras precisam de apoio local, gestão flexível e acompanhamento constante. A instalação isolada não resolve todos os problemas relacionados a espécies invasoras.
Em algumas regiões, a exclusão de predadores provocou sobrepastoreio e exigiu controle manual de herbívoros. O sucesso depende da capacidade de corrigir efeitos colaterais ao longo do tempo.
Comunidades indígenas levantaram preocupações
Assista o vídeo
Grupos indígenas mantêm relações históricas com os dingos e utilizam práticas tradicionais de manejo da terra. A construção de barreiras modifica essa convivência e interfere na circulação dos animais.
Essas preocupações mostram que o debate não envolve apenas economia e conservação. As cercas também alteram usos culturais do território e decisões acumuladas ao longo de muitas gerações.
Barreira separa dois modelos de território
De um lado da cerca, predominam fazendas com menor pressão de predadores e maior controle humano. Do outro, os ecossistemas conservam relações mais próximas daquelas moldadas pela presença dos dingos.
A divisão ajuda a proteger atividades econômicas, mas também produz paisagens ecológicas diferentes. Uma simples linha de arame pode determinar quais espécies prosperam e quais precisam ser controladas.
Estrutura virou símbolo de uma estratégia extrema
O que começou como resposta ao avanço dos coelhos transformou-se em um sistema de controle animal de escala continental. A Austrália investiu em cercas por mais de um século para defender fazendas, rebanhos e áreas protegidas.
A cerca para conter pragas mostrou resultados econômicos e ecológicos, mas também criou novos desafios. Você considera justificável dividir ecossistemas com milhares de quilômetros de arame para proteger a agricultura e espécies ameaçadas? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

