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Vidro descartado que iria para aterros, aumentaria risco de acidentes na coleta e ficaria fora da reciclagem por falta de logística é moído e usado como substituto parcial da areia em concreto, pavers e misturas asfálticas, enquanto o Brasil consumiu 877 mil toneladas de embalagens de vidro em 2024 e só 221 mil toneladas retornaram para a indústria

Vidro descartado que iria para aterros, aumentaria risco de acidentes na coleta e ficaria fora da reciclagem por falta de logística é moído e usado como substituto parcial da areia em concreto, pavers e misturas asfálticas, enquanto o Brasil consumiu 877 mil toneladas de embalagens de vidro em 2024 e só 221 mil toneladas retornaram para a indústria

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Vidro descartado que iria para aterros, aumentaria risco de acidentes na coleta e ficaria fora da reciclagem por falta de logística é moído e usado como substituto parcial da areia em concreto, pavers e misturas asfálticas, enquanto o Brasil consumiu 877 mil toneladas de embalagens de vidro em 2024 e só 221 mil toneladas retornaram para a indústria

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 25/07/2026 às 00:24

Construção

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Vidro descartado que iria para aterros vira areia

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Vidro descartado pode virar pó e substituir parte da areia em concreto, pavers e asfalto, mas reciclagem ainda depende de logística e escala.

O vidro descartado é um dos resíduos mais contraditórios da economia urbana. Ele pode voltar para a indústria, tem valor como matéria-prima e pode ser reaproveitado em diferentes cadeias, mas, quando a logística falha, acaba ocupando aterros, oferecendo risco na coleta e desperdiçando um material que poderia substituir parte de insumos minerais.

O tamanho do problema aparece nos números de 2024. Segundo dados da Circula Vidro divulgados pela Abravidro, o Brasil consumiu 877 mil toneladas de embalagens de vidro naquele ano, mas apenas 221 mil toneladas retornaram para a indústria, atingindo a meta de 25% de reciclagem de embalagens de vidro.

A saída mais conhecida é devolver o vidro à própria indústria vidreira. Mas outra rota vem ganhando espaço em estudos técnicos: moer o resíduo e usar o pó ou vidro triturado como substituto parcial da areia em concretos, pavers, placas de passeio público e misturas asfálticas.

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Vidro descartado ainda é um gargalo da reciclagem urbana

O vidro tem uma vantagem importante: pode ser reaproveitado como caco na fabricação de novas embalagens. O problema é que esse caminho depende de coleta seletiva, separação por tipo, transporte, limpeza, triagem e proximidade com unidades capazes de absorver o material.

Na prática, o vidro costuma enfrentar um obstáculo econômico. Ele é pesado, tem baixo valor por quilo em muitos fluxos de coleta e exige transporte cuidadoso, especialmente quando chega quebrado ou contaminado por outros resíduos.

Reciclagem de vidro em grande escala

Isso reduz o interesse de parte das cadeias de reciclagem e ajuda a explicar por que grandes volumes ainda não retornam ao ciclo industrial.

A própria Circula Vidro foi criada em 2024 para gerir a logística reversa de embalagens de vidro no Brasil, conectando fabricantes, empresas, consumidores e conceitos de sustentabilidade e economia circular.

O Brasil consumiu 877 mil toneladas de embalagens de vidro

Em 2024, o país consumiu 877 mil toneladas de embalagens de vidro, mas 221 mil toneladas retornaram para a indústria, segundo a Abravidro com base em dados da Circula Vidro.

Isso significa que o Brasil alcançou a meta de 25% de reciclagem para embalagens de vidro, mas também mostra que a maior parte do volume consumido ainda não voltou para a indústria naquele ciclo.

A lacuna entre o total colocado no mercado e o material efetivamente retornado cria espaço para novas rotas de reaproveitamento.

É nesse ponto que a construção civil entra na discussão. Quando o vidro não consegue voltar à indústria vidreira por questões de logística, contaminação, cor, distância ou viabilidade econômica, o uso como material moído em obras pode abrir uma rota complementar.

Vidro quebrado também aumenta risco para quem coleta

O descarte incorreto de vidro não é apenas um problema ambiental. Ele também pode virar risco direto para trabalhadores da limpeza urbana, especialmente quando cacos são colocados em sacos comuns sem proteção ou identificação.

A Prefeitura de Cariacica, no Espírito Santo, alertou que o vidro quebrado pode causar cortes profundos durante o manuseio dos resíduos, ferimentos capazes de afastar trabalhadores de suas atividades e comprometer a eficiência da coleta.

Vidro moído pode substituir parte da areia

A aplicação mais direta do vidro moído na construção é como substituto parcial da areia, tecnicamente chamada de agregado miúdo.

A ideia é simples: triturar o vidro até uma granulometria compatível e incorporá-lo em misturas de concreto ou argamassa, reduzindo parte da necessidade de areia natural.

Um estudo publicado no Brazilian Journal of Development avaliou a aplicação de resíduo de vidro no concreto como substituto parcial da areia.

A pesquisa verificou que o pó de vidro pode ser viável como substituto parcial do agregado miúdo em elementos não estruturais que não exigem alta resistência à compressão, como pavers e placas de concreto para passeio público.

Pavers e placas de passeio entram como destino promissor

Os pavers são peças pré-moldadas usadas em calçadas, áreas externas, estacionamentos leves e pavimentação intertravada.

Quando o vidro moído entra como substituto parcial da areia em pavers ou placas de passeio, ele pode reduzir o consumo de agregado natural e criar uma saída para resíduos que teriam menor absorção na reciclagem convencional.

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O estudo citado pelo Brazilian Journal of Development menciona justamente pavers e placas de concreto para passeio público como exemplos de aplicação não estrutural.

Esse tipo de uso também tem apelo urbano. A cidade gera vidro descartado, processa o material e pode reaplicá-lo em componentes usados na própria infraestrutura urbana, criando um ciclo local de reaproveitamento.

Misturas asfálticas também entram no radar

Além do concreto, o vidro moído também é estudado em pavimentação asfáltica. Nesse caso, o material pode ser avaliado como substituto parcial do agregado miúdo em misturas asfálticas usinadas a quente, que combinam ligante asfáltico e agregados naturais.

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Um trabalho da Universidade Estadual do Maranhão analisou resíduos de vidro como substituto do agregado miúdo em misturas asfálticas usinadas a quente.

O estudo destaca que o vidro, no Brasil, apresenta baixas taxas de reciclagem e que seu principal destino final tende a ser aterro sanitário quando não há rota de reaproveitamento.

A pesquisa avaliou o comportamento mecânico das misturas por ensaios como estabilidade Marshall e resistência à tração.

Isso mostra que a aplicação em asfalto não é apenas uma ideia ambiental, mas uma questão técnica que precisa ser validada por desempenho, dosagem, resistência e durabilidade.

A substituição não é simples e precisa de controle técnico

O vidro moído não pode ser colocado em concreto ou asfalto de forma improvisada. Para funcionar como agregado, ele precisa passar por triagem, limpeza, moagem, controle de granulometria e ensaios de desempenho.

No concreto, um dos pontos de atenção é a reação álcali-sílica, um processo que pode provocar expansão e fissuras quando certos tipos de sílica reagem com álcalis presentes no cimento em condições favoráveis. Por isso, o uso do vidro precisa ser dosado e avaliado tecnicamente antes de qualquer aplicação em escala.

Vidro descartado que iria para aterros vira areia

No asfalto, também existem exigências específicas. O material precisa apresentar comportamento compatível com os demais agregados, não comprometer aderência, resistência à tração, estabilidade, segurança da superfície e vida útil do pavimento.

A vantagem ambiental está na dupla substituição

O ganho ambiental do vidro moído aparece em duas frentes. A primeira é evitar que parte do resíduo vá para aterros ou permaneça sem rota econômica.

A segunda é reduzir a demanda por areia natural, um insumo muito usado na construção civil e cuja extração pode gerar impactos ambientais quando feita sem controle.

Esse é o mesmo raciocínio por trás de outras rotas de economia circular. Um resíduo urbano, antes tratado como problema, passa a competir como insumo secundário em outra cadeia produtiva.

A diferença é que o vidro tem uma característica própria: ele pode retornar à indústria vidreira, mas nem todo vidro descartado encontra caminho viável até esse destino.

Por isso, o uso em concreto, pavers e pavimentação pode funcionar como rota complementar, não necessariamente como substituta da reciclagem tradicional.

A lacuna entre consumo e retorno mostra o tamanho do desafio

Os números de 2024 mostram avanço, mas também revelam o tamanho da oportunidade. Se 221 mil toneladas retornaram para a indústria diante de 877 mil toneladas consumidas, ainda existe um volume expressivo fora da rota industrial direta.

Não é correto afirmar que todo o volume não retornado virou aterro, porque parte pode permanecer em uso, ser reutilizada, ficar estocada, circular em fluxos informais ou ter outro destino.

Mas a diferença entre consumo e retorno mostra que o país ainda tem um desafio relevante de logística reversa.

É exatamente nessa lacuna que novas aplicações podem ganhar força. O vidro moído em obras não resolve sozinho o problema nacional da reciclagem, mas pode abrir uma alternativa para volumes que hoje enfrentam baixa atratividade econômica, longa distância de transporte ou dificuldade de separação.

Construção civil pode absorver grandes volumes

A construção civil tem uma vantagem sobre muitos setores: consome grandes quantidades de materiais minerais. Areia, brita, cimento, agregados e ligantes são usados em escala massiva em obras urbanas, infraestrutura e pavimentação.

Por isso, mesmo substituições parciais podem ter impacto relevante. Trocar uma fração da areia por vidro moído em aplicações específicas pode gerar demanda para um resíduo que, isoladamente, teria dificuldade de encontrar mercado.

O ponto decisivo é qualidade. Para virar insumo confiável, o vidro precisa deixar de ser “lixo misturado” e passar a ser material beneficiado, com granulometria, limpeza e características conhecidas. Sem isso, a solução perde força técnica e não ganha escala.

De resíduo cortante a matéria-prima para obras

O vidro descartado resume uma das maiores contradições da economia circular. Quando jogado de qualquer forma, pode ferir coletores, ocupar aterros e desperdiçar uma matéria-prima que ainda tem valor. Quando separado, moído e testado, pode ganhar uma segunda vida como insumo em obras urbanas.

O material que antes era visto como problema de coleta passa a ser estudado como substituto parcial da areia, um dos insumos mais consumidos pela construção civil.

No fim, a história do vidro descartado não é apenas sobre reciclagem. É sobre transformar um resíduo pesado, cortante e logisticamente difícil em uma alternativa técnica para concreto, pavers e pavimentação, criando uma nova saída para um material que o Brasil ainda não consegue reinserir totalmente na indústria.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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