Will, Irma, Taranee, Cornelia e Hay Lin estão de volta! As protagonistas das icônicas revistas W.I.T.C.H., sucesso dos anos 2000, ganham duas novas edições especiais, O Coração da Amizade e O Poder dos Elementos, lançadas pela Universo Geek, selo da editora Universo dos Livros.
A novidade empolgou quem cresceu acompanhando as guardiãs. Duas décadas depois, muitos fãs ainda preservam itens colecionáveis, administram fã-clubes e mantêm viva a comunidade em torno da obra.
Laura Botelho, fundadora de um fã-clube dedicado a W.I.T.C.H., e André Carvalho, responsável por uma equipe que traduz as edições nunca publicadas no Brasil, representam essa legião de admiradores. Para eles, a identificação com as personagens e o universo mágico dos quadrinhos explicam por que a série continua conquistando leitores.
“Mesmo criança, o esotérico me encantava. Quando chegaram as revistas W.I.T.C.H., com matérias sobre magia, oráculos e uma história envolvente, acompanhada de ilustrações supercoloridas, foi um combo perfeito para eu mergulhar como fã!”, afirma Laura, conhecida carinhosamente como Lori, hoje com 31 anos, em conversa com o Metrópoles.
O que eram as revistas W.I.T.C.H.
- As revistas foram um dos maiores fenômenos editoriais voltados ao público pré-adolescente nos anos 2000.
- Elas misturavam fantasia, aventura, vida escolar, amizade e um visual inspirado em mangás.
- Apesar de o nome das revistas significar “bruxa” em português, a nomenclatura é um acrônimo formado pelas iniciais das protagonistas.
- A primeira edição foi lançada em abril de 2001, pela Disney Itália. No Brasil, foram 95 edições publicadas oficialmente.
- O sucesso da HQ gerou uma série de animação produzida entre 2004 e 2006, com 52 episódios divididos em duas temporadas.
Já André, também de 31 anos, foi impedido de comprar as revistas na infância por serem voltadas ao público feminino. Anos depois, porém, decidiu mergulhar no universo de W.I.T.C.H. e passou a colecionar edições e itens relacionados à franquia. Foi nas histórias que encontrou, pela primeira vez, uma representação de sua própria estrutura familiar.
“W.I.T.C.H. marcou minha infância e adolescência. Elas estavam em todo lugar. Nas bancas, na animação exibida na TV pelas manhãs, em materiais escolares, brindes… Cada um tinha a sua favorita. A minha sempre foi a Irma, guardiã da água. Assim como eu, ela tinha uma madrasta e um irmãozinho mais novo. Foi a primeira vez que vi minha estrutura familiar sendo representada em uma história. Ela também era a mais engraçada, sincera e espontânea. Isso me inspirava”, explica.
Nas novas edições, Will, Irma, Taranee, Cornelia e Hay Lin enfrentam uma ameaça misteriosa vinda de outro mundo. Unidas por uma amizade inabalável, as jovens descobrem que somente juntas serão capazes de proteger aqueles que amam, provando que a magia se torna ainda mais poderosa quando compartilhada.
Para André e Lori (fotos em destaque), o reboot também pode conquistar uma nova geração de leitores, que terá contato com as personagens pela primeira vez.
“Dessa vez as garotas fazem mais uso da tecnologia, gírias atuais e novidades nas histórias de origem, o que torna mais fácil para uma nova geração se identificar”, afirma o assistente administrativo.
André Carvalho
“Por mais que a história tenha tido um final inconclusivo há 16 anos no Brasil, conheço pessoas mais jovens que apreciam W.I.T.C.H. Ao conhecer essa história por meio do reboot, elas podem se interessar pela animação e pelos quadrinhos originais. O encanto permanece em todas as versões”, conclui a oraculista.
A importância das revistas para uma geração
O mundo das bruxinhas não parou apenas nas revistas. Com o imenso sucesso das páginas de quadrinhos, na época vendidas em bancas de jornal, também foi lançada uma série de televisão e produtos licenciados.
Jonara Cordova, doutora em comunicação e pesquisadora do CULTPOP, aponta que as obras ajudaram a consolidar protagonistas femininas em histórias de aventura e fantasia, explicando o sucesso atemporal.
“A história tratava das aventuras das personagens, que viviam dilemas da pré-adolescência/adolescência e, ao mesmo tempo, dos desafios relacionados aos seus poderes como guardiãs dos elementos da natureza. Além disso, é um grupo de amigas em que cada uma tem a sua própria personalidade e é atravessado por distintas etnias e características físicas”, explica a pesquisadora.
“Em um período em que o tema da magia já estava em alta — por conta do Harry Potter, principalmente —, as personagens trouxeram uma outra abordagem dentro dessa temática, mais focada em protagonistas femininas”, comenta.
Para a doutora, a história ainda tem potencial de se tornar uma nova produção de televisão: “Grande parte da fanbase é muito apegada às revistas e livros. Acho que seria interessante a produção destas mídias físicas (como já está ocorrendo com os livros), algo que realmente cria essa relação de memória afetiva. Mas nada impede uma produção multimídia também. Um revival da animação em live-action tem muito potencial, se a história for atualizada para o momento atual“.

