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25 navios inteligentes com IA, gêmeo digital, etanol e metanol — Transpetro prepara nova frota para transformar o transporte marítimo brasileiro
Escrito por Corporativo
Publicado em 20/08/2026 às 13:46
Indústria Naval
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Programa Mar Aberto prevê embarcações mais eficientes, manutenção preditiva, treinamento virtual e monitoramento remoto para reforçar a capacidade logística e reduzir as emissões do transporte marítimo brasileiro
A Transpetro está preparando uma nova geração de embarcações que pretende transformar a maneira como a companhia transporta combustíveis e opera no ambiente offshore. Apresentado durante a 20ª edição da Navalshore, no Rio de Janeiro, o programa Mar Aberto reúne projetos para 25 navios equipados com tecnologias digitais, sistemas de eficiência energética e preparação para combustíveis de menor intensidade de carbono.
Os detalhes foram apresentados por Jones Alexandre Barros Soares, diretor de Transporte Marítimo da Transpetro. Segundo o executivo, a renovação da frota deve ser entendida como uma decisão estratégica diante de conflitos geopolíticos, oscilações nos preços dos fretes e possíveis interrupções nas cadeias internacionais de suprimentos.
Mais do que ampliar a capacidade de transporte, a companhia pretende reduzir sua exposição ao mercado internacional, aumentar a disponibilidade operacional e garantir maior segurança para a movimentação de petróleo, derivados e gases no país.
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Programa Mar Aberto reúne diferentes tipos de embarcações
De acordo com as informações apresentadas na Navalshore, as diferentes frentes do programa somam 25 embarcações. O planejamento inclui quatro navios da classe Handy, oito gaseiros, quatro navios MR1 e nove navios aliviadores com posicionamento dinâmico.
Os quatro navios Handy foram contratados para construção no Brasil pelo consórcio formado pelo Estaleiro Rio Grande e pelo estaleiro Mac Laren. A apresentação indicou que o aço destinado às primeiras embarcações já chegou ao estaleiro e que o processo de preparação e jateamento das chapas foi iniciado.
Na área de transporte de gases, estão previstos oito navios pressurizados e semirrefrigerados, sendo cinco construídos no Brasil e três na China. Outros quatro navios do tipo MR1 também devem ser construídos em território nacional.
A frota será complementada por nove shuttle tankers Suezmax DP2, contratados por meio de afretamento e construídos na Coreia do Sul. Apesar da construção no exterior, a previsão apresentada é que essas embarcações sejam operadas por tripulações brasileiras.
Os shuttle tankers, também chamados de navios aliviadores, são responsáveis por receber o petróleo produzido por plataformas e unidades do tipo FPSO e transportá-lo até terminais em terra. O sistema de posicionamento dinâmico permite que o navio mantenha sua posição mesmo sob a ação de ondas, ventos e correntes marítimas, aumentando a segurança durante a transferência do óleo.
Navios serão plataformas digitais conectadas
Uma das principais mudanças está na forma como a Transpetro pretende administrar os novos ativos. Em vez de embarcações operadas a partir de documentos estáticos e inspeções isoladas, os navios serão concebidos como plataformas digitais integradas.
A estrutura reunirá dados de engenharia, navegação, manutenção, consumo de combustível, logística e desempenho ambiental ao longo de todo o ciclo de vida da embarcação.
Entre as tecnologias previstas estão conexão por satélite, sensores, telemetria, inteligência artificial, inspeção remota, imagens em 360 graus, nuvens de pontos, veículos operados remotamente e sistemas de acompanhamento em terra.
O objetivo é permitir que as equipes identifiquem alterações no desempenho dos equipamentos, antecipem falhas e planejem intervenções antes que um problema provoque uma parada não programada.
Gêmeo digital permitirá simular o navio antes de uma intervenção
Entre os recursos destacados está o gêmeo digital, uma réplica virtual da embarcação atualizada com informações coletadas pelos sensores instalados a bordo.
Na prática, a tecnologia permite visualizar sistemas, equipamentos e estruturas do navio em um ambiente digital. Com isso, engenheiros podem testar diferentes cenários, analisar dados de corrosão, planejar reparos e avaliar o impacto de uma intervenção antes de executá-la no equipamento real.
A inteligência artificial terá a função de transformar o volume de dados produzido pelos navios em recomendações para a operação e a manutenção. Informações sobre corrosão, vibração, temperatura, consumo e desempenho poderão ser utilizadas para indicar o momento mais seguro e econômico para realizar uma inspeção ou substituir um componente.
A Transpetro também pretende ampliar a integração entre os navios e suas estruturas de apoio em terra. O Centro de Acompanhamento de Navios já monitora informações relacionadas à navegação e à segurança. A proposta é combinar esse trabalho com um novo modelo de acompanhamento de manutenção, oferecendo suporte remoto mais amplo às tripulações.
Tripulantes poderão treinar antes de embarcar
O ambiente digital também será utilizado para capacitar os profissionais que trabalharão na nova frota. O treinamento virtual combinará modelos tridimensionais, ambientes fotorrealistas, navegação em 360 graus, instruções contextualizadas e avaliação do aprendizado.
Os tripulantes poderão conhecer compartimentos, equipamentos e procedimentos antes de entrar no navio. Também será possível simular atividades de manutenção e situações de emergência em condições próximas das encontradas a bordo.
A expectativa é elevar a prontidão operacional, padronizar procedimentos e reduzir os riscos durante a execução de tarefas. A ferramenta também pode diminuir a necessidade de interromper equipamentos reais apenas para treinamento.
Eficiência energética começa no projeto do navio
A estratégia ambiental da Transpetro não está baseada em uma única tecnologia ou em um único combustível. A companhia pretende combinar redução do consumo de energia, digitalização da operação e flexibilidade para utilizar alternativas com menor pegada de carbono.
Os novos navios contarão com propulsores otimizados, geradores de eixo, bombas elétricas controladas por inversores de frequência, revestimentos de menor atrito, motores com limites mais rigorosos para emissões de óxidos de nitrogênio e sistemas automáticos para ajuste do desempenho.
Outra solução é o shore power, que permite conectar a embarcação à rede elétrica em terra enquanto ela permanece atracada. Dessa forma, os geradores de bordo podem ser desligados ou ter seu uso reduzido, diminuindo o consumo de combustível, o ruído e as emissões nos terminais portuários.
Os projetos também serão enquadrados no padrão EEDI Fase 3, índice internacional que estabelece requisitos de eficiência energética para novas embarcações. Segundo a apresentação, os navios aliviadores poderão ser até 30% mais eficientes do que projetos desenvolvidos há cerca de 15 anos.
Embarcações serão preparadas para etanol e metanol
Os projetos receberão a classificação Dual Fuel Ready, indicando que serão preparados para adaptação ou operação com mais de um combustível. Entre as alternativas consideradas pela Transpetro estão o etanol e o metanol.
A flexibilidade é importante porque ainda não existe uma solução única para a descarbonização do transporte marítimo. A disponibilidade, o preço e a infraestrutura de abastecimento variam entre os países e podem mudar ao longo da vida útil de um navio, normalmente calculada em décadas.
Ao preparar a frota para diferentes opções, a companhia busca evitar que as embarcações se tornem tecnologicamente ultrapassadas antes do fim de sua vida operacional. O etanol também representa uma oportunidade para o Brasil por ser um combustível produzido em grande escala no país.
Nova frota busca combinar soberania, tecnologia e sustentabilidade
A renovação ocorre em um momento de retomada das encomendas navais e de tentativa de reconstrução da cadeia brasileira de fornecedores. Além dos empregos gerados nos estaleiros, a construção no país pode criar oportunidades para empresas de engenharia, automação, sistemas elétricos, equipamentos, manutenção e serviços digitais.
Para a Transpetro e a Petrobras, dispor de uma frota mais moderna significa reduzir custos operacionais, ampliar a segurança, proteger a logística contra oscilações externas e melhorar a capacidade de resposta em períodos de crise.
A proposta apresentada na Navalshore mostra que o navio do futuro não será apenas uma estrutura para transportar carga. Ele funcionará como um sistema conectado, capaz de produzir dados, receber apoio remoto, prever necessidades de manutenção e adaptar seu consumo de energia às exigências ambientais.
Como resumiu a apresentação, “o sonho está virando realidade”. Para a Transpetro, esse processo marca o nascimento de uma frota mais eficiente, digital, flexível e preparada para os desafios da transição energética.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Corporativo.

