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A 4.700 metros no fundo do Atlântico, cientistas encontram mais de 200 mil barris com resíduos radioativos descartados há décadas, alguns já corroídos e liberando material enquanto pesquisadores investigam o impacto no oceano
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 11/08/2026 às 20:00
Atualizado em 11/08/2026 às 20:06
Ciência e Tecnologia
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Expedições realizadas em 2025 e 2026 localizaram milhares de recipientes a 4.700 metros de profundidade, alguns corroídos, enquanto pesquisadores analisam radionuclídeos, sedimentos e organismos para medir possíveis efeitos no ambiente marinho do Atlântico Nordeste profundo
Mais de 200 mil barris radioativos foram descartados no Atlântico Nordeste durante o século XX, e pesquisadores agora investigam o que aconteceu com esse material. Expedições realizadas em 2025 e 2026 localizaram milhares de recipientes a cerca de 4.700 metros de profundidade, incluindo unidades corroídas e com material espalhado pelo fundo oceânico.
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Mais de 200 mil barris radioativos foram descartados no Atlântico
Os recipientes encontrados fazem parte de operações realizadas durante décadas por diferentes países europeus.
Segundo o Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), os resíduos eram colocados em barris metálicos de aproximadamente 200 litros.
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Normalmente, o conteúdo era misturado com concreto ou betume. Esses materiais ajudavam os recipientes a suportar o impacto contra a água no momento em que eram lançados ao oceano.
Os registros históricos apontam que o Reino Unido descartou mais de 140 mil barris, enquanto a Bélgica depositou cerca de 55 mil. A França também realizou operações de descarte no Atlântico.
Quando as primeiras operações ocorreram, esse tipo de descarte em águas internacionais não era ilegal. Posteriormente, regras internacionais passaram a restringir a prática até que ela fosse proibida.
Os pesquisadores destacam que não há indicação de descarte de combustível nuclear ou de resíduos de alta atividade e longa duração nesses recipientes.
Os barris estavam associados principalmente a materiais radioativos de níveis inferiores de atividade.
Robô encontrou milhares de recipientes no fundo do oceano
A investigação ganhou uma nova dimensão com o projeto NODSSUM, liderado pelo CNRS e desenvolvido com participação de diferentes instituições científicas.
Em 2025, o veículo submarino autônomo UlyX foi enviado às planícies abissais do Atlântico Nordeste para localizar e mapear os recipientes.
Durante aproximadamente um mês, a missão localizou e mapeou 3.355 barris. Também foram coletados 5 mil litros de água, realizadas 345 amostragens do fundo oceânico e capturados 34 exemplares de peixes e crustáceos.
A área investigada, entretanto, representa apenas uma pequena parcela da região utilizada para os descartes. Dados dos pesquisadores apontam que essa zona ocupa aproximadamente 14,5 mil km².
O UlyX conseguiu mapear cerca de 165 km², menos de 2% da região total. Nessa parcela, os pesquisadores já identificaram mais de 3,5 mil recipientes.
As imagens registradas durante a missão mostraram ainda que alguns barris radioativos já não permaneciam completamente intactos, informação que ajudou a definir os locais examinados na campanha seguinte.
Cientistas chegaram aos barris a 4.700 metros em 2026
Em 2026, os pesquisadores retornaram ao Atlântico utilizando o Nautile, um submersível tripulado capaz de alcançar diretamente as áreas onde os recipientes estavam concentrados.
A equipe inspecionou visualmente dezenas de barris e encontrou diferentes estágios de degradação. Alguns apresentavam corrosão avançada.
Em determinados pontos, os cientistas observaram material saindo dos recipientes e acumulado sobre o sedimento próximo.
Cinco áreas foram selecionadas para análises detalhadas. O Nautile coletou amostras de água, sedimentos, organismos e comunidades microbianas nas proximidades dos barris.
Ambientes rochosos vizinhos também foram analisados. O objetivo foi permitir a comparação entre a vida marinha encontrada naturalmente nesses locais e aquela presente ao redor dos resíduos.
Radionuclídeos são detectados e animais vivem sobre os barris
Equipamentos usados durante a expedição identificaram sinais significativos de radionuclídeos relacionados aos resíduos, entre eles cobalto-60 e nióbio-94.
Também foram detectados césio-137 e amerício-241. Segundo os pesquisadores, esses elementos exigem análise mais cuidadosa porque também podem estar relacionados a testes de armas nucleares e acidentes registrados ao longo das últimas décadas.
As medições feitas durante a missão não apontaram níveis capazes de representar grandes problemas de radioproteção para pesquisadores ou equipamentos. A principal questão ambiental, porém, ainda está sendo investigada.
Anêmonas, esponjas, caranguejos e outros organismos foram encontrados vivendo sobre os próprios recipientes ou perto deles. Em uma área dominada por sedimentos, os barris passaram a oferecer superfícies rígidas que podem ser colonizadas por espécies das profundezas.
Agora, as análises procuram determinar se radionuclídeos liberados dos recipientes passaram da água ou dos sedimentos para esses organismos e em quais concentrações.
As duas campanhas produziram centenas de amostras de sedimentos, milhares de litros de água filtrada, imagens de alta resolução e dezenas de animais para análise.
O trabalho deverá ajudar os cientistas a reconstruir como as substâncias radioativas se deslocaram dos barris radioativos para o ambiente ao redor e verificar se foram incorporadas por animais ou microrganismos.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS) e no material fornecido sobre as expedições do projeto NODSSUM, com dados, números e informações preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://www.diariodolitor
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

