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A Alemanha empilhou 180 milhões de toneladas de rejeitos de carvão sobre 170 hectares, ergueu uma montanha artificial de 111 metros e transformou o antigo passivo das minas em parque com observatório, relógio solar gigante, arcos de aço de 45 metros e mais de 500 degraus até um dos mirantes mais incomuns da Europa

A Alemanha empilhou 180 milhões de toneladas de rejeitos de carvão sobre 170 hectares, ergueu uma montanha artificial de 111 metros e transformou o antigo passivo das minas em parque com observatório, relógio solar gigante, arcos de aço de 45 metros e mais de 500 degraus até um dos mirantes mais incomuns da Europa

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A Alemanha empilhou 180 milhões de toneladas de rejeitos de carvão sobre 170 hectares, ergueu uma montanha artificial de 111 metros e transformou o antigo passivo das minas em parque com observatório, relógio solar gigante, arcos de aço de 45 metros e mais de 500 degraus até um dos mirantes mais incomuns da Europa

Escrito por Carla Teles

Publicado em 03/08/2026 às 13:34

Atualizado em 03/08/2026 às 13:35

Construção

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Montanha artificial na Alemanha reúne 180 milhões de toneladas de rejeitos, observatório, relógio solar e mais de 500 degraus. Imagem: Gov Hoheward

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Com 170 hectares e 111 metros de altura, a montanha artificial Hoheward nasceu sobre rejeitos de antigas minas do Ruhr e hoje reúne observatório do horizonte, relógio solar, arcos de aço de 45 metros, trilhas, mirantes e escadaria com mais de 500 degraus no oeste da Alemanha, abertos ao público.

A montanha artificial Hoheward foi formada com aproximadamente 180 milhões de toneladas de materiais rejeitados pela mineração de carvão na região do Ruhr, no oeste da Alemanha. Erguida entre as cidades de Herten e Recklinghausen, ela ocupa cerca de 170 hectares e alcança 111 metros acima do terreno ao redor.

Os dados são apresentados pelas páginas oficiais do Regionalverband Ruhr, órgão responsável pelo parque e pelo centro de visitantes. As páginas consultadas não exibem uma data única de publicação, mas registram que a pilha começou a ser formada na década de 1980 e ganhou novos equipamentos durante diferentes etapas de transformação do antigo complexo minerador.

Rejeitos de várias minas formaram a elevação

Hoheward surgiu da união de duas grandes pilhas de rejeitos: Ewald, no lado oeste, e Emscherbruch, no lado leste. Os materiais vieram de antigas minas como Recklinghausen II, Ewald, Schlägel und Eisen e General Blumenthal/Haard.

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O que hoje parece uma colina integrada à paisagem foi construído artificialmente com resíduos retirados do subsolo durante décadas de mineração. O processo alterou profundamente a topografia de uma área que antes possuía ocupações, linhas ferroviárias e estruturas industriais.

Pequena comunidade desapareceu entre as pilhas

Antes da união das duas elevações, existia uma pequena área residencial entre elas. Segundo o material oficial, esse assentamento foi demolido para permitir a expansão e a integração dos depósitos de rejeitos.

Uma linha ferroviária que atravessava o espaço também precisou ser coberta por um túnel. A formação da montanha artificial não representou apenas o empilhamento de pedras, mas uma ampla reconstrução física do território.

Altura pode ser apresentada de duas maneiras

O Regionalverband Ruhr informa que Hoheward possui aproximadamente 111 metros de altura em relação ao terreno ao redor. Outra página oficial registra o cume a 151 metros acima do nível do mar.

Os números não são contraditórios, pois utilizam referências diferentes. Os 111 metros indicam quanto a estrutura se eleva sobre a paisagem local, enquanto os 151 metros correspondem à altitude total do ponto mais alto em relação ao nível do mar.

Área de 170 hectares concentra 180 milhões de toneladas

A Halde Hoheward ocupa aproximadamente 170 hectares, dimensão equivalente a uma extensa área urbana. Sobre esse espaço foram depositadas cerca de 180 milhões de toneladas de materiais provenientes da mineração.

A fonte usa o termo alemão Bergematerial, empregado para identificar rochas e outros materiais removidos junto com o carvão, mas sem aproveitamento comercial naquele processo. Esses rejeitos formaram uma das maiores elevações desse tipo na região do Ruhr.

Fechamento da mina acelerou a transformação

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A mina de carvão Ewald encerrou as atividades em 2000. A partir desse fechamento, começou uma conversão paisagística de grande escala envolvendo Hoheward, a pilha vizinha de Hoppenbruch e o antigo complexo industrial.

O objetivo passou a ser incorporar o passivo da mineração a um novo uso público. Em vez de remover uma massa de rejeitos praticamente impossível de transportar, a região transformou a estrutura em espaço de lazer, cultura e observação da paisagem.

Parque reúne antigas estruturas industriais

Hoheward integra o Landschaftspark Hoheward, conectado ao antigo terreno da mina Ewald e ao parque distrital de Recklinghausen-Hochlarmark. O conjunto é descrito pelo Regionalverband Ruhr como a maior paisagem contínua de pilhas de mineração de carvão mineral da Europa.

Uma das páginas oficiais informa que todo o parque ocupa aproximadamente 240 hectares. Esse número corresponde ao conjunto paisagístico, enquanto os 170 hectares se referem especificamente à montanha artificial Hoheward.

Arcos de aço alcançam 45 metros

No topo estão os dois grandes arcos metálicos do Observatório do Horizonte. As estruturas chegam a 45 metros de altura e podem ser vistas a longas distâncias na região.

O equipamento foi projetado para representar fenômenos relacionados à astronomia do horizonte. Os arcos transformaram o cume industrial em um marco visual que combina engenharia, arte pública e observação dos ciclos celestes.

Observatório transforma horizonte em instrumento

Os platôs astronômicos de Hoheward foram organizados para demonstrar movimentos aparentes do Sol e de outros astros. A posição elevada e a visão aberta do entorno favorecem esse tipo de observação.

O observatório não funciona apenas como decoração monumental. Sua concepção utiliza o horizonte como referência para explicar a passagem das estações, os movimentos celestes e a relação histórica entre tempo, posição solar e paisagem.

Relógio solar utiliza um obelisco gigante

Outro equipamento instalado no topo é um relógio solar horizontal. No centro da estrutura existe um obelisco que projeta sua sombra sobre a superfície preparada para indicar o tempo solar.

O conjunto também funciona como calendário relacionado aos ciclos diários e anuais. A antiga montanha de rejeitos passou a ensinar astronomia utilizando a luz do Sol, a sombra e a posição do observador.

Mais de 500 degraus conduzem ao cume

Quem chega pelo lado norte pode alcançar o topo por uma escadaria com mais de 500 degraus. A subida oferece uma aproximação direta aos platôs onde ficam os equipamentos astronômicos.

O acesso também pode ser realizado por caminhos em curvas e outras rotas distribuídas pelo parque. A escadaria transformou a subida à montanha artificial em parte da experiência, e não apenas em um caminho até o mirante.

Ponte do Dragão abre outra entrada

No lado leste, o acesso ocorre pela chamada Ponte do Dragão. A estrutura conecta o parque distrital de Recklinghausen-Hochlarmark à área de Hoheward.

O formato marcante da ponte funciona como uma entrada visual para o complexo. Ela integra bairros, antigas áreas industriais e caminhos de recreação em torno de uma elevação que anteriormente estava associada aos resíduos das minas.

Promenade contorna a montanha por seis quilômetros

Aproximadamente na metade da encosta foi construída a Balkonpromenade, ou Promenade da Varanda. O percurso possui cerca de seis quilômetros e circula a montanha mantendo um nível de altitude relativamente constante.

Ao longo do trajeto, diferentes aberturas oferecem vistas do Ruhr. O visitante não precisa chegar ao cume para observar a paisagem, pois a promenade funciona como uma sequência de mirantes distribuídos ao redor da estrutura.

Trilhas ampliaram os usos do antigo passivo

Hoheward possui caminhos para caminhadas, ciclismo e outras atividades ao ar livre. As rotas em curvas permitem subir aos platôs por alternativas menos diretas do que a escadaria.

O parque também passou a oferecer áreas de exercícios e circuitos voltados a bicicletas. A transformação ampliou o uso do terreno sem esconder completamente sua origem ligada à mineração de carvão.

Antiga ferrovia virou parque linear

Na área sul, um trecho do antigo leito ferroviário foi convertido no AktivLinearPark. O espaço possui aproximadamente 1,4 a 1,5 quilômetro, conforme as diferentes páginas oficiais do projeto.

O parque linear foi inaugurado em 30 de outubro de 2022 e reúne caminhos separados para pedestres e ciclistas, áreas ecológicas, espaços de descanso, equipamentos esportivos, playground e pista ondulada para bicicletas. Uma infraestrutura antes ligada à mina ganhou funções ambientais e recreativas.

Centro de visitantes ocupa prédio da mina

O Centro de Visitantes Hoheward funciona no antigo salão de pagamentos e iluminação da mina Ewald. Desde 2014, o local abriga a exposição permanente “Novos Horizontes — Nos Rastros do Tempo”.

A mostra utiliza modelos, recursos interativos e atividades relacionadas à astronomia. O conteúdo também explica como a mineração produziu as pilhas de rejeitos que hoje definem parte da paisagem do Ruhr.

União Europeia financiou etapa do projeto

Entre 2011 e 2015, uma etapa de desenvolvimento de Hoheward recebeu aproximadamente 880 mil euros do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

O projeto foi conduzido pelo Regionalverband Ruhr. O investimento ajudou a ampliar uma conversão que reuniu patrimônio industrial, cultura, mobilidade, lazer e recuperação paisagística em torno da antiga área mineradora.

Pilha vizinha recebeu turbina e trilhas

Ao lado de Hoheward está Hoppenbruch, outra montanha formada por rejeitos. Ela foi preenchida entre 1978 e 1992, possui cerca de 70 metros de altura e começou a ser parcialmente revegetada ainda em 1983.

O local ganhou uma turbina eólica e pistas para mountain bike, incluindo um circuito usado em competições. Embora menor, Hoppenbruch complementa o parque e mostra outra forma de reaproveitar elevações produzidas pela mineração.

Paisagem não apaga o passado industrial

A conversão de Hoheward não elimina os impactos provocados pela extração de carvão nem transforma os rejeitos em material inofensivo por definição. O parque preserva a elevação e atribui novos usos ao território.

Ao mesmo tempo, antigas estruturas, exposições e elementos da paisagem mantêm a mineração visível na interpretação do local. A montanha artificial funciona como mirante, mas também como registro físico da escala alcançada pela indústria carbonífera alemã.

Montanha de rejeitos ganhou nova função pública

Hoheward reúne 180 milhões de toneladas de material minerário, 170 hectares, mais de 500 degraus, arcos metálicos de 45 metros, relógio solar, observatório, trilhas e mirantes sobre o Ruhr.

O projeto mostra como uma estrutura criada pela atividade industrial pode receber funções culturais e recreativas sem esconder completamente sua origem. Na sua opinião, antigas áreas de mineração deveriam ser convertidas em parques e equipamentos públicos ou restauradas de outra maneira? Conte nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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