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A Aneel confirmou a bandeira amarela na conta de luz de agosto pelo quarto mês seguido, mantendo a cobrança extra de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora, e o próximo degrau da escala custa mais que o dobro disso

A Aneel confirmou a bandeira amarela na conta de luz de agosto pelo quarto mês seguido, mantendo a cobrança extra de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora, e o próximo degrau da escala custa mais que o dobro disso

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A Aneel confirmou a bandeira amarela na conta de luz de agosto pelo quarto mês seguido, mantendo a cobrança extra de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora, e o próximo degrau da escala custa mais que o dobro disso

Escrito por Jefferson Augusto

Publicado em 01/08/2026 às 19:03

Economia

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A agência atribui a decisão ao período seco, quando o nível dos reservatórios cai e as termelétricas precisam entrar, e é essa conta que aparece na fatura de todo mundo.

A conta de luz de agosto chega com cobrança extra. A Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, anunciou na sexta-feira, 31 de julho de 2026, que a bandeira tarifária do mês continua amarela.

O valor é de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, segundo a própria agência. Para uma residência de consumo médio de 200 kWh por mês, isso significa aproximadamente R$ 3,77 a mais na fatura.

É o quarto mês consecutivo na mesma faixa. Conforme a Aneel, agosto repete o cenário observado em maio, junho e julho deste ano.

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A justificativa é o calendário das chuvas

A explicação oficial é hidrológica. A agência atribui a manutenção da bandeira a condições menos favoráveis de geração de energia no país em razão do período seco, segundo o comunicado publicado.

O mecanismo é o mesmo todo ano. Entre maio e novembro chove menos nas regiões onde estão as grandes hidrelétricas, o nível dos reservatórios cai e a geração hidráulica, que é a mais barata do sistema, perde capacidade.

Para cobrir a diferença, o operador aciona usinas termelétricas, que queimam gás natural, carvão ou óleo e têm custo bem mais alto por megawatt-hora gerado. A bandeira existe justamente para repassar essa diferença ao consumidor no mês em que ela acontece.

Quando a estiagem se prolonga além do normal, o quadro piora rápido. Segundo projeções climáticas acompanhadas pelo setor elétrico, um El Niño intenso pode reduzir o nível dos reservatórios e pressionar a geração hidrelétrica em 2027.

O próximo degrau custa mais que o dobro

A escala de bandeiras tem cinco níveis, e conhecer os valores ajuda a dimensionar o risco. Pela tabela de valores-referência da Aneel para 2026, a bandeira verde não cobra nada e a amarela cobra R$ 1,885 por 100 kWh.

A partir daí o salto é grande. Ainda pela mesma tabela da Aneel, a vermelha patamar 1 custa R$ 4,46, a vermelha patamar 2 vai a R$ 7,87 e a bandeira de escassez hídrica, acionada apenas em situação crítica, chega a R$ 9,49, sempre a cada 100 kWh consumidos.

Aplicando esses valores da Aneel à mesma residência de 200 kWh, a conta que hoje tem R$ 3,77 de acréscimo passaria a ter cerca de R$ 8,92 na vermelha patamar 1 e algo próximo de R$ 15,74 na vermelha patamar 2.

O acionamento de cada faixa depende de dois indicadores acompanhados pela agência: o nível armazenado nos reservatórios e o preço da energia negociada no mercado de curto prazo. Quando os dois pioram ao mesmo tempo, a bandeira sobe de degrau.

Por que quatro meses de amarela não é rotina

Sequência longa de bandeira acionada indica que o sistema vem operando sob pressão, e não apenas atravessando a estação seca.

O ano havia começado em situação bem mais confortável, com bandeira verde e sem cobrança adicional. A virada para amarela em maio e a permanência desde então mostram que a recomposição dos reservatórios não veio no ritmo esperado.

É esse tipo de encadeamento que costuma anteceder cenários mais duros, porque reservatório baixo em agosto significa menos folga para atravessar setembro e outubro, que ainda são meses secos.

Existe também um efeito de acumulação entre um ano e outro. Reservatório que não enche na estação chuvosa começa o período seco seguinte num patamar mais baixo, e é assim que uma estiagem ruim contamina o ano seguinte inteiro.

A bandeira não é o único item que mexe na fatura

Vale separar o que é bandeira do que é reajuste tarifário, porque as duas coisas costumam ser confundidas na leitura da conta.

A bandeira é um acréscimo temporário, revisto todo mês, que cobre o custo extra de geração naquele período específico. Já o reajuste tarifário é anual, definido por distribuidora, e altera o preço-base do quilowatt-hora.

São processos independentes e podem se somar. A agência já trabalhou para conter o percentual de reajuste em revisões anteriores, e mesmo assim a bandeira continua entrando por cima do valor revisado.

O que a agência recomenda ao consumidor

No mesmo comunicado, a Aneel reforça a importância do uso consciente da energia elétrica, sugerindo que pequenas mudanças de hábito reduzem consumo e custo na conta.

Na prática, os itens que mais pesam numa residência são chuveiro elétrico, ar-condicionado, geladeira e ferro de passar. Reduzir tempo de banho e ajustar a temperatura do ar-condicionado costuma render mais economia do que trocar lâmpada.

O detalhe que torna a bandeira sensível é que ela incide sobre o consumo. Quem gasta mais paga proporcionalmente mais de acréscimo, o que faz a mesma bandeira pesar de forma diferente conforme o perfil da casa.

A saída estrutural passa por outras fontes

A dependência da hidrelétrica é o que faz a conta de luz brasileira variar com a chuva, e é por isso que a expansão de outras fontes muda a natureza do problema.

A geração solar já se consolidou como uma das principais fontes da matriz elétrica nacional, e vem batendo marcas sucessivas de capacidade instalada, com parte relevante disso vindo de geração distribuída em telhados residenciais e comerciais.

Solar e eólica ajudam justamente no período crítico, porque o período seco costuma ser também o de maior irradiação e de vento mais forte, o que faz dessas fontes complementares uma alternativa ao custo alto da térmica.

O que acontece agora

A bandeira é revista mensalmente, e o anúncio de setembro segue o calendário divulgado pela Aneel no início do ano, com definição publicada perto do fim do mês anterior.

O que vai determinar a cor é a combinação entre nível dos reservatórios e preço da energia no mercado de curto prazo, os dois indicadores que a agência usa para calcular o acionamento.

Por ora, o número confirmado pela Aneel para a fatura que chega em agosto é R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora, o mesmo dos três meses anteriores.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

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