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A Flórida começa a espalhar coelhos robôs com calor, cheiro e movimentos naturais pelos Everglades para “caçar” pítons de até 5 metros escondidas no pântano e ajudar a combater a espécie
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 26/08/2026 às 13:22
Atualizado em 26/08/2026 às 13:26
Ciência e Tecnologia
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Equipados com calor, cheiro, movimentos naturais, energia solar e câmeras, 120 coelhos robôs foram implantados nos Everglades para atrair pítons birmanesas, facilitar sua localização e ajudar no combate à espécie invasora no sul da Flórida
A Flórida implantou 120 coelhos robôs nos Everglades para ajudar a localizar pítons birmanesas invasoras, cobras que podem atingir de 3 a 5 metros. Equipados com calor, cheiro, movimentos naturais, energia solar e monitoramento por câmera, os dispositivos custam cerca de US$ 4 mil cada e imitam presas reais.
Assista o vídeo
Coelhos robôs imitam presas para revelar onde estão as pítons
O experimento é conduzido pelo Distrito de Gerenciamento de Águas do Sul da Flórida em conjunto com pesquisadores da Universidade da Flórida.
O objetivo é solucionar um dos principais obstáculos no controle das serpentes: encontrá-las em meio à vegetação.
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Segundo Mike Kirkland, biólogo chefe de animais invasores do distrito, retirar uma píton localizada é relativamente simples. O grande problema é a detecção, porque as cobras conseguem permanecer muito bem camufladas no ambiente.
Os coelhos robôs foram modificados para emitir calor e cheiro, além de reproduzir movimentos semelhantes aos de um animal verdadeiro.
Cada unidade fica dentro de um pequeno recinto acompanhado por uma câmera de vídeo.
Quando uma píton se aproxima, o sistema envia um sinal. A partir desse alerta, o distrito pode encaminhar um dos contratados responsáveis pela remoção das serpentes.
Os dispositivos funcionam com energia solar e podem ser ligados ou desligados remotamente. De acordo com Kirkland, o custo total é de aproximadamente US$ 4.000 por unidade, financiado pelo distrito.
Antes deles, coelhos vivos chegaram a ser utilizados como isca. A estratégia, porém, tornou-se cara e exigia muito tempo, levando os pesquisadores a testar uma alternativa robótica.
Pítons provocaram forte redução de pequenos mamíferos nos Everglades
As pítons birmanesas não são nativas da Flórida. Elas se estabeleceram nos pântanos subtropicais dos Everglades depois que animais escaparam de residências ou foram soltos por pessoas que já não conseguiam mantê-los como animais de estimação.
No Parque Nacional dos Everglades, autoridades afirmam que as serpentes eliminaram 95% dos pequenos mamíferos, além de milhares de aves.
A reprodução também amplia o desafio. Segundo a Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida, uma fêmea pode colocar entre 50 e 100 ovos de uma vez, com período de gestação entre 60 e 90 dias.
Não existe uma contagem precisa da população. O Serviço Geológico dos Estados Unidos relatou uma estimativa de “dezenas de milhares”, enquanto outras estimativas oficiais chegam a 300 mil serpentes.
Mais de 23 mil pítons já foram retiradas da natureza
Desde 2000, mais de 23 mil pítons foram removidas da natureza na Flórida, segundo a comissão de vida selvagem. As serpentes adultas medem, em média, entre 3 e 5 metros.
Outra frente de combate é o Desafio da Píton da Flórida. Na edição realizada em julho, 934 participantes de 30 estados capturaram 294 animais.
O prêmio principal, de US$ 10 mil, foi entregue ao participante responsável pela captura de 60 répteis. As autoridades também permitem que pítons sejam abatidas de forma humanitária durante todo o ano em propriedades privadas e determinadas áreas administradas pelo estado.
Os 120 coelhos robôs ainda estão em fase experimental. Kirkland afirmou que é cedo para determinar o sucesso do sistema, mas disse que os resultados iniciais dão motivos para confiança após ajustes necessários no projeto.
Ron Bergeron, integrante do conselho administrativo do distrito, afirmou que cada píton invasora retirada representa uma diferença para o meio ambiente da Flórida e para a fauna nativa.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do Distrito de Gerenciamento de Águas do Sul da Flórida, da Universidade da Flórida, da Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida e do Serviço Geológico dos Estados Unidos, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://apnews.com/articl
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

