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A mais de 2 quilômetros de profundidade, cientistas encontraram um navio grego de 2.400 anos ainda com mastro, lemes e bancos porque o Mar Negro deixou a madeira protegida em uma camada sem oxigênio

A mais de 2 quilômetros de profundidade, cientistas encontraram um navio grego de 2.400 anos ainda com mastro, lemes e bancos porque o Mar Negro deixou a madeira protegida em uma camada sem oxigênio

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A mais de 2 quilômetros de profundidade, cientistas encontraram um navio grego de 2.400 anos ainda com mastro, lemes e bancos porque o Mar Negro deixou a madeira protegida em uma camada sem oxigênio

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 11/08/2026 às 20:45

Marítimo

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Cientistas encontraram um navio grego de 2.400 anos ainda com mastro, lemes e bancos

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O navio grego de 2.400 anos foi localizado no Mar Negro com partes delicadas ainda reconhecíveis. A ausência de oxigênio nas águas profundas reduziu a destruição da madeira, enquanto robôs e câmeras permitiram registrar o naufrágio sem retirar o casco do fundo ou abrir seu interior.

A mais de 2 quilômetros de profundidade, as câmeras de um veículo operado remotamente iluminaram um navio parecido com aqueles desenhados em antigos vasos gregos. Porém, aquela embarcação era real e permanecia no fundo do Mar Negro havia pelo menos 2.400 anos.

Mesmo após tantos séculos, o casco ainda conservava mastro, lemes e bancos usados pelos remadores. A descoberta ocorreu no fim de 2017 e foi divulgada em 23 de outubro de 2018 pela Universidade de Southampton, instituição britânica de ensino e pesquisa.

Uma pequena amostra retirada da embarcação passou por datação por carbono. O resultado confirmou que o navio existia por volta de 400 antes de Cristo, durante o período clássico da Grécia Antiga.

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O navio grego encontrado a mais de 2 quilômetros

O Projeto de Arqueologia Marítima do Mar Negro pesquisou mais de 2.000 quilômetros quadrados do fundo marinho. Durante o trabalho, a equipe identificou 65 naufrágios de diferentes épocas, incluindo embarcações romanas, bizantinas e otomanas.

Entre todos os achados, o navio grego chamou atenção pelo estado de conservação. Seu formato era conhecido principalmente por representações em cerâmicas antigas, como o chamado Vaso das Sereias, preservado no Museu Britânico.

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A embarcação encontrada no Mar Negro apresentava características muito semelhantes às imagens produzidas pelos gregos. Dessa vez, porém, os pesquisadores podiam observar uma estrutura naval verdadeira, construída há mais de dois milênios.

O achado foi apresentado como o navio naufragado intacto mais antigo conhecido naquele momento. A palavra intacto não significa que a embarcação esteja perfeita, mas que suas principais estruturas permaneceram unidas e reconhecíveis.

O Mar Negro possui uma camada profunda sem oxigênio

A água do Mar Negro não apresenta as mesmas condições em todas as profundidades. Perto da superfície, ela recebe oxigênio da atmosfera e permite a sobrevivência de peixes, plantas e outros seres.

Nas regiões mais profundas, a água quase não se mistura com as camadas superiores. Isso cria uma divisão natural, chamada de estratificação, na qual a parte de cima contém oxigênio e a parte inferior possui condições anóxicas, expressão usada para indicar a ausência desse gás.

O navio grego repousa justamente nessa zona profunda. Ali, a escuridão é completa, a pressão é elevada e grande parte dos organismos responsáveis pela destruição da madeira não consegue sobreviver.

A profundidade que torna o acesso tão difícil também funciona como uma proteção natural para o naufrágio. Em águas rasas, o casco provavelmente teria sofrido uma deterioração muito mais intensa.

Por que a madeira não foi devorada durante 2.400 anos

Madeiras submersas em águas com oxigênio são atacadas por bactérias, fungos e pequenos animais marinhos. Alguns desses organismos perfuram o material, abrem galerias e consomem lentamente as estruturas do navio.

Esse processo costuma destruir cascos, mastros, remos e objetos de origem vegetal. Com o passar dos séculos, muitas embarcações desaparecem quase completamente, deixando apenas peças feitas de materiais mais resistentes.

Reprodução: Black Sea MAP/EEF Expeditions

No fundo do Mar Negro, a falta de oxigênio reduz fortemente essa atividade. A Universidade de Southampton, instituição britânica de ensino e pesquisa, registrou que materiais orgânicos podem permanecer preservados por milhares de anos nessas condições.

Foi assim que o mastro permaneceu em sua posição, enquanto lemes e bancos ainda podiam ser identificados. Esses elementos mostram detalhes da construção naval grega que antes eram conhecidos principalmente por pinturas e objetos antigos.

Robôs registraram o naufrágio sem retirar o casco

Nenhum mergulhador comum conseguiria trabalhar por muito tempo a mais de 2 quilômetros de profundidade. A pressão, o frio, a escuridão e a distância da superfície tornam esse ambiente perigoso e praticamente inacessível para uma operação humana direta.

A equipe utilizou veículos operados remotamente, máquinas controladas a partir de uma embarcação na superfície. Elas carregam câmeras, luzes e instrumentos capazes de registrar o fundo marinho com grande precisão.

Esses robôs lembram os equipamentos usados para inspecionar estruturas da indústria do petróleo em águas profundas. Na arqueologia, eles são empregados para localizar objetos, observar detalhes e produzir imagens sem tocar diretamente nas peças.

Os cientistas também recorreram à fotogrametria. A técnica combina numerosas fotografias captadas de diferentes ângulos e cria uma representação digital em três dimensões. Com isso, foi possível medir e estudar o navio sem içar sua estrutura delicada.

O interior do navio ainda guarda respostas desconhecidas

As câmeras revelaram o formato externo do navio, mas não mostraram tudo o que existe dentro dele. O casco não foi completamente escavado ou aberto, portanto a carga transportada permanece desconhecida.

Também não há informação suficiente para afirmar qual era a rota da embarcação, de onde ela havia partido ou o que provocou o naufrágio. As respostas podem permanecer presas sob sedimentos ou guardadas em áreas ainda não examinadas do casco.

Retirar o navio do fundo representaria um desafio enorme. A madeira permaneceu estável durante séculos em um ambiente sem oxigênio e poderia sofrer danos graves ao entrar em contato com condições completamente diferentes.

Por esse motivo, o registro feito por robôs permite estudar o sítio sem provocar uma mudança brusca. O fundo do Mar Negro continua funcionando como uma espécie de cápsula arqueológica natural, mantendo o navio no ambiente que possibilitou sua preservação.

Você acredita que o navio deve continuar protegido no fundo do Mar Negro ou ser retirado, mesmo com o risco de perder a preservação que resistiu por 2.400 anos?

Fonte

Southampton University


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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