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A quase 400 km da Terra, astronautas passam um mês cultivando verduras em gravidade zero dentro da Estação Espacial, colhem couve e mostarda-wasabi que cresceram de forma incomum e comem a própria produção enquanto uma das folhas provoca reação emocionante: “tem cheiro de Terra”

A quase 400 km da Terra, astronautas passam um mês cultivando verduras em gravidade zero dentro da Estação Espacial, colhem couve e mostarda-wasabi que cresceram de forma incomum e comem a própria produção enquanto uma das folhas provoca reação emocionante: “tem cheiro de Terra”

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A quase 400 km da Terra, astronautas passam um mês cultivando verduras em gravidade zero dentro da Estação Espacial, colhem couve e mostarda-wasabi que cresceram de forma incomum e comem a própria produção enquanto uma das folhas provoca reação emocionante: “tem cheiro de Terra”

Escrito por Ana Alice

Publicado em 20/08/2026 às 23:57

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Couve e mostarda-wasabi cultivadas em órbita passaram semanas crescendo na Estação Espacial Internacional, revelaram características incomuns e terminaram em uma refeição que aproximou astronautas, ciência e lembranças sensoriais do planeta.

A cerca de 400 quilômetros da Terra, onde quase toda refeição chega embalada depois de uma longa viagem desde o planeta, dois astronautas da NASA conseguiram colocar algo incomum no prato: folhas de couve Red Russian e mostarda-wasabi cultivadas durante cerca de um mês dentro da Estação Espacial Internacional (ISS).

Anil Menon e Jessica Meir colheram os vegetais em agosto de 2026 e transformaram parte da produção em uma refeição a bordo.

O momento apareceu em um vídeo publicado por Menon em 17 de agosto, no qual os dois cortam, temperam e experimentam aquilo que haviam acompanhado crescer em microgravidade.

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Quando aproximou uma das folhas do rosto, Meir reagiu ao aroma com uma frase curta: “tem cheiro de Terra”.

A observação resume uma dimensão que vai além das calorias: em um ambiente artificial, fechado e distante do planeta, tocar, cheirar e comer uma planta viva pode representar também uma conexão sensorial com a vida terrestre.

O experimento também chamou atenção pela maneira como as plantas foram cultivadas.

Em vez de permanecerem exclusivamente dentro de um habitat vegetal especializado, a couve e a mostarda foram cuidadas no ambiente aberto da cabine da ISS, em um trabalho que aproveita tecnologia desenvolvida para o sistema Veggie da NASA.

— Anil Menon (@astro_anil) August 17, 2026

Couve e mostarda-wasabi passaram cerca de um mês crescendo na ISS

Jessica Meir apresentou as plantas publicamente em 4 de agosto de 2026, chamando a couve Red Russian e a mostarda-wasabi de novos “tripulantes” da Expedição 75.

Na ocasião, a comandante da estação explicou que os astronautas estavam cuidando delas durante o tempo livre.

O objetivo não era simplesmente produzir uma pequena salada espacial.

Segundo Meir, a experiência busca entender como plantas se desenvolvem no ambiente normal da cabine da Estação Espacial, fora dos habitats especializados usados normalmente para pesquisas vegetais, além de estudar como o armazenamento prolongado das sementes em órbita afeta sua capacidade de germinar e crescer.

A NASA Kennedy descreveu o trabalho como uma prova de conceito baseada nos versáteis “plant pillows”, ou almofadas de cultivo, desenvolvidos para o sistema Veggie.

Essas estruturas oferecem às raízes um meio onde água e nutrientes podem ser fornecidos mesmo em microgravidade, situação em que líquidos não se comportam da mesma forma que em uma horta terrestre.

Horta espacial foi além do sistema tradicional de cultivo da NASA

A diferença entre essa experiência e outras hortas já testadas na estação é um dos aspectos mais interessantes do episódio.

A NASA mantém há anos o Vegetable Production System, conhecido como Veggie, equipamento desenvolvido para cultivar plantas comestíveis no espaço.

O sistema utiliza iluminação por LEDs e estruturas próprias para sustentar e alimentar as plantas em microgravidade.

Ao longo de diferentes experimentos, astronautas já cultivaram alfaces, mostardas, repolhos e outras espécies.

No cultivo acompanhado por Meir e Menon, porém, a ideia era justamente observar o que aconteceria fora de uma instalação especializada, no ambiente cotidiano da estação.

Isso pode parecer uma pequena diferença, mas tem implicações práticas para missões futuras.

Quanto mais simples e flexível for a tecnologia necessária para produzir alimentos, menor pode ser a quantidade de equipamentos, volume e massa que precisam acompanhar astronautas em viagens muito mais distantes.

Jessica Meir e Anil Menon mostram folhas de couve e mostarda-wasabi cultivadas durante cerca de um mês a bordo da Estação Espacial Internacional. Crédito: Anil Menon/NASA, via NewsBytes

Plantas apresentaram aparência incomum durante o crescimento

Nas imagens compartilhadas durante a experiência, algumas partes das plantas chamaram atenção pela aparência.

Folhas e brotações apresentaram desenvolvimento diferente daquele que normalmente se espera observar em uma horta terrestre, com estruturas surgindo em regiões incomuns da planta.

Reportagens sobre a colheita destacaram esse crescimento peculiar enquanto os astronautas examinavam os vegetais antes de consumi-los.

A microgravidade altera vários sinais normalmente utilizados pelas plantas.

Na Terra, a gravidade é uma das referências que ajudam raízes e brotos a determinar suas direções de crescimento.

Em órbita, pesquisadores precisam observar como esses mecanismos se reorganizam quando o sinal gravitacional praticamente deixa de orientar a planta.

É justamente por isso que a NASA mantém uma área de pesquisa específica para biologia vegetal em voo espacial.

Entender como raízes, folhas, água, nutrientes, microrganismos e sementes se comportam longe da gravidade terrestre é parte do caminho para transformar pequenas hortas experimentais em sistemas capazes de produzir comida de maneira confiável.

Colheita terminou em uma cozinha improvisada no espaço

Depois de aproximadamente um mês de cultivo, veio a etapa que diferencia uma experiência com plantas de uma experiência com alimentos.

As folhas foram colhidas.

No vídeo batizado de “Chez ISS”, Menon apareceu usando um chapéu de chef enquanto Jessica Meir vestia um avental decorado.

A dupla transformou a colheita em uma pequena sessão de cozinha orbital.

As folhas foram examinadas, preparadas e temperadas antes da degustação.

Menon descreveu o momento como uma experiência “da fazenda à mesa” e comentou que aquela poderia ser uma das melhores refeições preparadas por eles até então na estação.

O contraste é incomum.

A “fazenda” estava dentro de um laboratório que orbita a Terra milhares de vezes durante a duração de uma missão, e a “mesa” estava em um ambiente onde folhas, utensílios e ingredientes precisam ser controlados para não simplesmente flutuarem pela cabine.

Jessica Meir observa uma das folhas cultivadas na ISS após semanas de desenvolvimento no ambiente de microgravidade.

“Tem cheiro de Terra”

Foi durante essa preparação que uma reação de Jessica Meir deu ao experimento uma dimensão menos técnica.

Ao sentir o aroma da planta fresca, ela comentou que aquilo “tem cheiro de Terra”.

A frase ganha peso quando colocada no contexto da vida a bordo da ISS.

Astronautas permanecem durante meses dentro de um ambiente dominado por superfícies metálicas, equipamentos eletrônicos, filtros, embalagens e sistemas de suporte à vida.

Não existem árvores, terra molhada, jardins ou vegetação natural.

A própria Meir já havia explicado, antes da colheita, que gostava de ter algo verde, vivo e crescendo naquele ambiente e descreveu a presença das plantas como uma espécie de “terapia da natureza”.

A NASA também considera esse efeito psicológico ao estudar agricultura espacial.

Além de fornecer nutrientes, cuidar de plantas pode ajudar no bem-estar da tripulação durante missões longas e oferecer estímulos sensoriais diferentes daqueles encontrados no restante da espaçonave.

Comida armazenada perde parte de seus nutrientes com o tempo

Produzir verduras no espaço não é apenas uma maneira de variar o cardápio.

Missões à Lua e principalmente a Marte podem manter astronautas longe de sistemas regulares de reabastecimento durante períodos muito maiores do que uma permanência comum na ISS.

Alimentos enviados da Terra precisam permanecer armazenados durante meses ou anos.

Nesse intervalo, determinados nutrientes podem se degradar.

A possibilidade de colher alimentos frescos durante a viagem pode complementar as refeições armazenadas e fornecer vitaminas, antioxidantes e outros componentes nutricionais.

A questão se torna ainda mais importante quando a distância aumenta.

A Estação Espacial Internacional ainda recebe naves de carga regularmente.

Uma futura tripulação em Marte não terá o mesmo privilégio.

NASA testa hortas espaciais pensando em Lua e Marte

A pesquisa com plantas na ISS existe justamente porque futuras missões exigirão outro nível de autonomia.

Em viagens de longa duração, levar toda a comida necessária desde a Terra aumenta massa, volume e complexidade logística.

Produzir ao menos parte dos alimentos durante a missão pode reduzir essa dependência.

Por isso, a NASA já testou diferentes espécies e tecnologias de cultivo em órbita.

O programa VEG-03, por exemplo, trabalha com culturas de consumo direto e inclui variedades como Red Russian Kale, mostarda-wasabi e alface Dragoon, entre outras.

Pesquisadores também avaliam sistemas hidropônicos e aeropônicos capazes de produzir vegetais sem depender de grandes quantidades de solo.

Em 2026, um estudo sobre o sistema XROOTS analisou cultivos realizados na ISS com plantas como mostarda, alface, rabanete, trigo, tomate e ervilha, incluindo aspectos microbiológicos relacionados à segurança dos alimentos.

A pequena colheita de Meir e Menon, portanto, faz parte de um conjunto muito maior de tentativas para descobrir como transformar agricultura terrestre em agricultura espacial.

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Astronautas lembraram de “Perdidos em Marte”

A cena de colher uma planta longe da Terra também levou inevitavelmente à ficção científica.

Menon fez referência ao filme Perdidos em Marte, no qual o astronauta Mark Watney, interpretado por Matt Damon, precisa improvisar uma plantação de batatas para sobreviver sozinho no planeta vermelho.

Depois da colheita na ISS, Menon brincou que “Mark Watney ficaria orgulhoso”.

A comparação é divertida, mas aponta para um problema real.

Em Marte, não seria possível pedir que uma nave de carga chegasse rapidamente caso alimentos faltassem.

Dominar técnicas de germinação, irrigação, iluminação, cultivo e colheita fora da Terra pode se tornar parte tão importante de uma missão quanto sistemas de energia ou comunicação.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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