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A resposta da China à escassez de caminhoneiros já está rodando: comboios de caminhões elétricos autônomos onde um único motorista comanda cinco veículos ao mesmo tempo

A resposta da China à escassez de caminhoneiros já está rodando: comboios de caminhões elétricos autônomos onde um único motorista comanda cinco veículos ao mesmo tempo

5 min de leitura

A resposta da China à escassez de caminhoneiros já está rodando: comboios de caminhões elétricos autônomos onde um único motorista comanda cinco veículos ao mesmo tempo

Escrito por Ana Alice

Publicado em 08/08/2026 às 00:00

Atualizado em 08/08/2026 às 00:01

Ciência e Tecnologia

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Desenvolvido para portos e rotas controladas, o sistema combina caminhões elétricos, condução autônoma em comboio e supervisão humana centralizada, com foco em reduzir custos operacionais, manter operação contínua e ampliar a automação no transporte pesado em ambientes industriais.

A automação no transporte de cargas avança de forma mais consistente do que nos carros de passeio, especialmente em operações com trajetos previsíveis e ambientes controlados.

Na China, esse movimento ganhou um exemplo recente com a apresentação de um sistema de comboio de caminhões elétricos autônomos desenvolvido pela SANY em parceria com a Pony.ai, projetado para aplicação comercial em operações logísticas reais, com um motorista no veículo líder e até quatro unidades operando de forma automatizada.

A iniciativa é voltada a tarefas repetitivas, como o transporte de contêineres em áreas portuárias e em trechos curtos de escoamento.

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Segundo as empresas, esses ambientes concentram alto volume de tráfego, rotas padronizadas e janelas operacionais definidas, características que facilitam a adoção de sistemas automatizados e permitem ganhos de eficiência operacional.

Modelo de comboio com um motorista para cinco caminhões

O modelo apresentado segue a lógica conhecida como “1+4”.

Um caminhão trator é conduzido por um motorista, que atua como referência operacional do comboio.

Atrás dele, até quatro unidades tratoras elétricas circulam de forma autônoma, mantendo formação, distância e respostas sincronizadas.

Não se trata, segundo a descrição do projeto, de caminhões totalmente independentes de supervisão humana.

A autonomia é aplicada a um cenário específico, com controle centralizado no veículo líder e operação planejada para reduzir variáveis comuns em rodovias abertas, como trajetos longos, tráfego imprevisível e diversidade de situações não repetitivas.

Ainda assim, a coordenação do comboio exige sistemas de comunicação contínua, protocolos de segurança e capacidade de reação a mudanças no fluxo, paradas inesperadas e retomadas de marcha.

Também são previstos procedimentos claros para intervenção humana quando necessário.

Arquitetura drive-by-wire e redundância eletrônica

A base técnica dos caminhões é uma arquitetura drive-by-wire com redundância total.

Nesse modelo, funções como direção, frenagem e controle de potência são comandadas eletronicamente, sem depender apenas de conexões mecânicas diretas.

A redundância funciona como salvaguarda operacional.

Caso um subsistema apresente falha, outro assume automaticamente as funções críticas.

Sobre essa estrutura, a Pony.ai integra o sistema de condução autônoma.

O sistema utiliza sensores como câmeras e radar para monitorar o ambiente ao redor do veículo, identificar obstáculos e ajustar a condução em tempo real.

Em áreas portuárias, onde há circulação simultânea de caminhões, equipamentos de carga e trabalhadores, a confiabilidade desses sensores é apontada pelas empresas como elemento central para a operação.

Outro componente destacado é a conectividade.

A comunicação via redes 5G permite, segundo os desenvolvedores, que os veículos do comboio compartilhem dados em tempo real.

Com isso, é possível ajustar o espaçamento entre as unidades e coordenar acelerações e frenagens de forma sincronizada, dentro de parâmetros previamente definidos.

Baterias intercambiáveis e operação contínua

Os caminhões do sistema utilizam baterias com capacidades que variam entre 400 kWh e 437 kWh, voltadas a operações de carga pesada e ciclos intensivos.

O conjunto inclui também sistemas de frenagem regenerativa, tecnologia utilizada para recuperar parte da energia durante desacelerações.

Para reduzir o tempo de inatividade, o projeto adota baterias intercambiáveis.

A troca rápida permite manter os veículos em operação contínua, sem aguardar o processo de recarga no próprio caminhão.

Esse ponto é considerado relevante em terminais que operam com prazos rígidos e alto volume diário de movimentação.

Nesse tipo de operação, a gestão energética faz parte da infraestrutura do pátio.

A eficiência do comboio depende não apenas do veículo, mas também da organização dos pontos de troca, da disponibilidade de baterias carregadas e do planejamento da frota ao longo do turno.

Testes industriais, custos e projeções ambientais

A SANY informa que os caminhões passaram por testes industriais.

Entre eles estão ensaios de resistência a temperaturas extremas e avaliações de compatibilidade eletromagnética.

Esses procedimentos são comuns em processos de homologação para ambientes severos e de uso contínuo.

Em relação ao desempenho econômico, os números apresentados são baseados em testes piloto conduzidos pelas empresas.

De acordo com dados divulgados pelos fabricantes, “testes piloto mostram uma redução de 29% no custo por quilômetro e um aumento de 195% no lucro operacional da frota”.

As companhias não detalham, no material público, quais premissas foram consideradas nesses cálculos.

Não há especificação sobre custos de energia, mão de obra, taxa de utilização ou condições exatas das rotas analisadas.

No campo ambiental, a estimativa apresentada aponta que cada caminhão elétrico em operação semelhante poderia evitar a emissão de até 60 toneladas de CO₂ por ano em comparação com um modelo a diesel.

Especialistas do setor costumam destacar que esse tipo de cálculo varia conforme a matriz energética utilizada para abastecimento e o perfil operacional de cada terminal.

Esses fatores não são detalhados na apresentação do projeto.

Portos como primeiro passo da automação logística

O avanço da condução automatizada ocorre de maneira diferente conforme o ambiente de operação.

Em rodovias abertas, a variedade de situações, regras locais e comportamentos de outros motoristas amplia a complexidade dos sistemas autônomos.

Já em portos e terminais logísticos, as operações tendem a ser mais padronizadas.

Os percursos são repetidos, há regras próprias de circulação e maior controle do espaço.

Por esse motivo, análises recorrentes do setor indicam que o transporte pesado em áreas controladas figura entre os primeiros candidatos à adoção mais ampla de sistemas autônomos.

Ainda assim, o modelo apresentado não se enquadra em soluções de assistência ao condutor voltadas ao consumidor final.

Também não propõe autonomia plena em qualquer tipo de via.

A estratégia segue experiências já adotadas na China em setores como a mineração.

Nesses casos, veículos automatizados operam em ambientes fechados ou semiprotegidos.

A diferença agora está na tentativa de aplicar esse modelo ao transporte de mercadorias em escala logística, com comboios elétricos e supervisão humana concentrada no veículo líder.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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