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A União vai leiloar pela primeira vez o gás natural que recebe dos campos do pré-sal, o primeiro certame sai entre novembro e dezembro e vai ofertar o volume estimado para 2027, com entregas contratadas até 2030
Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 01/08/2026 às 19:30
Atualizado em 01/08/2026 às 19:34
Petróleo e Gás
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O gás que cabe ao governo nos contratos de partilha vinha sendo comercializado sem disputa aberta, e a mudança cria um preço de referência que hoje não existe no mercado brasileiro.
O governo federal recebe gás natural como parte da sua fatia nos contratos de partilha do pré-sal, e esse volume nunca foi levado a leilão. Isso vai mudar no fim deste ano.
A Pré-Sal Petróleo S.A., a PPSA, estatal responsável por comercializar o petróleo e o gás pertencentes à União, agendou o primeiro certame para o último bimestre de 2026, com lançamento previsto entre novembro e dezembro, segundo o Cenário Energia.
O anúncio foi feito em 30 de julho de 2026, em Brasília, pelo presidente da estatal, Luis Fernando Paroli, segundo o Cenário Energia. A definição veio depois de o Conselho Nacional de Política Energética, o CNPE, aprovar novas diretrizes de comercialização.
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O que é o gás da União
Nos contratos de partilha de produção, modelo adotado para as áreas mais promissoras do pré-sal, o governo não recebe apenas royalties. Ele fica com uma parcela do óleo e do gás efetivamente produzidos.
Essa parcela é chamada de excedente em óleo, e é a PPSA que responde por transformá-la em dinheiro para o Tesouro. No caso do petróleo, isso já vinha sendo feito por leilão há anos, com a estatal registrando arrecadação recorde para a União na comercialização.
Com o gás a história foi diferente. O produto exige infraestrutura de escoamento e processamento, o que dificulta a venda direta e manteve esse volume fora do modelo competitivo até agora.
O cronograma tem calendário fixo até 2030
O desenho anunciado não é de um leilão isolado. Conforme o Cenário Energia, a PPSA estabeleceu calendário de certames anuais até 2030, o que dá previsibilidade ao comprador.
O primeiro deles vai ofertar o volume de gás referente à parcela da União estimada para o ano de 2027, com o edital saindo nos últimos meses deste ano, conforme a mesma publicação.
As entregas seguem duas lógicas. Na modalidade de curto prazo, o gás é entregue no período entre 2027 e 2030, e os contratos de longo prazo passam a valer a partir de 2030, segundo a mesma publicação.
O CNPE liberou dois formatos de contratação
A decisão do conselho é o que destravou o processo. Conforme o Cenário Energia, o CNPE aprovou duas modalidades distintas de contratação para o gás da União.
O órgão também autorizou a negociação de pequenas parcelas do insumo no mercado de curto prazo, o que dá flexibilidade para acomodar variação de produção sem quebrar contrato de longo prazo.
Ter duas modalidades importa porque o comprador de gás não é homogêneo. Indústria que precisa de suprimento estável assina contrato longo, e comercializadora que arbitra preço prefere volume avulso.
O modelo espelha o que a estatal já faz com o petróleo. Nesse mercado a PPSA opera em escala grande e chegou a levar dezenas de milhões de barris a um único certame, com compradores asiáticos ficando com a maior parte do lote.
A diferença é que petróleo se carrega em navio e vai para qualquer porto do mundo. Gás depende de duto, de planta de processamento e de contrato de escoamento, o que restringe o comprador a quem já está conectado à malha.
A Petrobras entra como agente comercializador
Existe um detalhe operacional sem o qual o leilão não sai do papel. O gás produzido no pré-sal chega ao continente com impurezas e precisa ser tratado antes de entrar na rede.
Esse tratamento acontece nas unidades de processamento de gás natural, as UPGNs, e no Brasil essa infraestrutura está concentrada nas mãos da Petrobras.
Por isso a negociação em curso. Segundo o Cenário Energia, a PPSA está em estágio final de acerto para que a Petrobras atue como agente comercializador do gás da União e realize o processamento nessas unidades.
Por que isso pode mexer no preço do gás
O mercado brasileiro de gás natural tem um problema conhecido de referência de preço. Com poucos vendedores e contratos bilaterais fechados, é difícil saber quanto o produto realmente vale.
Leilão resolve parte disso, porque cria preço público formado por disputa. Cada certame passa a produzir um número que serve de baliza para as demais negociações do setor.
O efeito prático depende do volume ofertado. Se a parcela da União for relevante diante do consumo nacional, a disputa pressiona o preço para baixo, e a indústria intensiva em gás é a primeira a sentir.
Setores como vidro, cerâmica, papel, fertilizante e petroquímica usam gás como insumo e como fonte de calor, e neles o combustível chega a representar parcela relevante do custo de produção. Preço menor nesse insumo se transfere para a competitividade do produto final.
Há ainda o efeito sobre a geração elétrica. Térmica a gás é acionada justamente quando falta água nos reservatórios, e um insumo mais barato reduz o custo de operar essas usinas, o que aparece indiretamente na conta de luz.
O movimento se soma a uma agenda maior de leilões
O gás não caminha sozinho. Do lado da exploração, a agenda também está carregada, com rodadas de petróleo e gás natural avançando e atraindo participação de novos estados.
A diferença é o ineditismo. Leiloar gás da União é etapa que vinha sendo preparada há tempos pela estatal e que só agora ganhou data.
O que ainda não foi divulgado
O volume exato que será ofertado no primeiro certame não foi informado. O que a PPSA declarou, segundo o Cenário Energia, é que ele corresponde à parcela da União estimada para 2027, número que depende da produção efetiva dos campos.
Essa indefinição é normal nesse estágio. A parcela da União oscila conforme o desempenho dos poços e conforme o próprio preço do produto, porque nos contratos de partilha a fatia do governo varia com a rentabilidade do campo.
Também não foram detalhados o preço mínimo, as regras de qualificação do comprador nem o ponto de entrega do gás, informações que normalmente aparecem apenas na publicação do edital.
A data que já está definida é a janela do lançamento, entre novembro e dezembro deste ano, e é a partir dela que o mercado vai conseguir avaliar se o modelo desenhado atrai comprador suficiente para formar preço.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

