3 min de leitura
Acordo Petrobras-Pemex avança em petróleo e gás, águas profundas, refino e captura de carbono, mas exige estrutura jurídica antes de futuros investimentos
Escrito por Corporativo
Publicado em 12/08/2026 às 20:07
Atualizado em 12/08/2026 às 20:08
Petróleo e Gás
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Memorando assinado em junho de 2026 abre caminho para cooperação técnica, enquanto contratos, regulação, tributação e governança definirão eventuais projetos internacionais
Primeiramente, Petrobras e Petróleos Mexicanos (Pemex) assinaram, em 23 de junho de 2026, um Memorando de Entendimento para ampliar a cooperação em petróleo e gás.
Além disso, o documento envolve exploração, produção, campos maduros, águas profundas, refino, petroquímica, fertilizantes, processamento de gás e captura de carbono.
Entretanto, o acordo não representa compromisso vinculante de investimento. Também não cria sociedade, consórcio ou joint venture.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Portanto, eventuais projetos dependerão de estudos de viabilidade, negociações posteriores, aprovações internas e instrumentos jurídicos específicos. O memorando vale por dois anos e poderá ser renovado.
Petrobras e Pemex miram exploração e produção
Nesse contexto, segundo a Agência Petrobras, as companhias avaliarão iniciativas para revitalizar campos maduros e realizar reprocessamento sísmico.
Além disso, serão analisadas oportunidades exploratórias em águas profundas e ultraprofundas, incluindo ativos no Golfo do México.
Paralelamente, o acordo permite cooperação em refino, petroquímica, fertilizantes, processamento de gás, eficiência energética, redução de emissões e captura de carbono.
Ainda assim, nenhum cronograma ou volume de investimentos foi definido.
Além disso, Magda Chambriard indicou que futuras oportunidades poderão ser avaliadas no México, no Brasil e em países africanos.
Estrutura jurídica será decisiva
Porém, quando a cooperação técnica evolui para investimentos, os desafios jurídicos aumentam significativamente.
Assim, projetos internacionais precisam compatibilizar diferentes modelos regulatórios, regimes tributários, normas cambiais, remessas internacionais e exigências ambientais.
Além disso, estruturas societárias, governança, integridade, contratação e prevenção à corrupção precisam ser consideradas.
Sobretudo, quando empresas controladas pelo Estado participam da operação, esses mecanismos ganham ainda mais importância.
México mudou regras do setor energético
Nesse cenário, o México passou por uma reorganização de seu marco energético em 18 de março de 2025.
Naquela data, foi publicada a nova Lei da Empresa Pública do Estado, Petróleos Mexicanos, juntamente com a Lei do Setor de Hidrocarbonetos.
Consequentemente, a Pemex passou a ser enquadrada juridicamente como empresa pública do Estado mexicano. Portanto, projetos futuros deverão considerar esse ambiente regulatório.
Investidores estrangeiros precisam observar regras brasileiras
Por outro lado, no Brasil, a exploração e produção de petróleo e gás estão submetidas à regulação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP.
Assim, empresas podem enfrentar exigências técnicas, econômico-financeiras e jurídicas, além de compromissos específicos conforme cada contrato.
Além disso, joint ventures, consórcios e sociedades de propósito específico apresentam consequências diferentes para governança, tributação, responsabilidade e financiamento.
Da mesma forma, transferência de tecnologia, serviços técnicos, compartilhamento de dados e remuneração internacional podem produzir efeitos tributários.
Internacionalização exige análise país por país
Finalmente, empresas brasileiras que investem no exterior também precisam considerar arbitragem, tributação internacional, proteção de investimentos e regras ambientais.
Nesse sentido, Brasil e México possuem um Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos.
Embora assinado em 26 de maio de 2015, o instrumento entrou em vigor em 7 de outubro de 2018, segundo o Siscomex.
Além disso, eventuais projetos africanos precisarão ser avaliados individualmente, porque cada país possui legislação, instituições e regimes fiscais próprios.
Portanto, o memorando Petrobras-Pemex abre possibilidades, mas ainda não define investimentos.
Acima de tudo, caso os estudos avancem, contratos deverão estabelecer governança, responsabilidades, riscos, tributação, propriedade de dados, tecnologia, obrigações ambientais e solução de disputas.
Assim, no petróleo e gás internacional, a segurança jurídica começa antes mesmo do primeiro investimento.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Corporativo.

