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Adeus tijolos: após 9 anos, faxineira que juntou dinheiro para comprar um terreno e criar o filho ergue casa com 7 toneladas de plástico reciclado no lugar de tijolos para criar seus filhos

Adeus tijolos: após 9 anos, faxineira que juntou dinheiro para comprar um terreno e criar o filho ergue casa com 7 toneladas de plástico reciclado no lugar de tijolos para criar seus filhos

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Adeus tijolos: após 9 anos, faxineira que juntou dinheiro para comprar um terreno e criar o filho ergue casa com 7 toneladas de plástico reciclado no lugar de tijolos para criar seus filhos

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 22/08/2026 às 18:27

Atualizado em 22/08/2026 às 18:28

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Trajetória de uma trabalhadora costarriquenha reúne esforço de quase uma década, moradia popular, reaproveitamento de resíduos e uma solução construtiva fora do padrão, mostrando como diferentes organizações se uniram em torno de uma casa marcada tanto pela história da família quanto pelos materiais empregados.

Depois de economizar durante nove anos para conseguir um terreno, a costarriquenha Cindy Mora Abarca viu o projeto da casa própria ganhar forma de maneira pouco convencional, pois as paredes foram erguidas com blocos produzidos a partir de cerca de 7 toneladas de plástico reciclado.

Localizada em Alajuelita, na região de San José, na Costa Rica, a residência foi construída para Cindy viver com o filho Fabrizio, que tinha 6 anos na época da obra, depois de um longo período de economia e de busca por uma moradia permanente.

Mesmo após anos reservando parte do salário obtido como faxineira, Cindy ainda precisou recorrer a um empréstimo para concluir a compra do terreno, enquanto a falta de recursos para iniciar uma construção convencional mantinha o projeto da casa própria distante de uma solução imediata.

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Foi nesse cenário que uma iniciativa reuniu Procter & Gamble, Habitat for Humanity Costa Rica, Urbarium e Ekojunto, combinando apoio habitacional, trabalho voluntário e uma tecnologia de reaproveitamento de resíduos para viabilizar a construção no lote finalmente adquirido pela família.

Nove anos de economia até conseguir o terreno

O caminho até a casa, portanto, começou muito antes da montagem das primeiras paredes, já que Cindy passou quase uma década economizando para comprar um espaço onde pudesse construir uma residência própria para viver com o filho e realizar o objetivo da moradia.

Quando conseguiu adquirir o terreno, porém, o orçamento disponível ainda não permitia iniciar a obra pelos métodos convencionais, situação que levou Cindy até a Habitat for Humanity e abriu espaço para a participação das demais organizações que depois integrariam o projeto.

No bairro Lámparas, em Alajuelita, a construção começou em 23 de abril de 2018, enquanto a inauguração estava prevista para 26 de maio daquele ano, pouco mais de um mês após o início das atividades no terreno comprado pela família.

Parte dessa agilidade estava relacionada ao sistema escolhido para formar as paredes, que substituiu a alvenaria baseada em tijolos ou blocos convencionais por peças modulares feitas de plástico reciclado, encaixadas durante a montagem e adaptadas ao formato previsto para a residência.

Blocos de plástico substituíram a alvenaria tradicional

Chamado de Bloqueplas, o sistema utiliza blocos que podem ser encaixados uns aos outros na construção das paredes, solução vinculada à Ekojunto que reduzia etapas normalmente presentes na alvenaria e permitia organizar a montagem por módulos durante a execução do projeto habitacional.

Segundo Andrea Ramírez, da Urbarium, as peças eram ajustadas entre si de maneira precisa e hermética, característica que facilitava o processo de montagem e também permitia a participação de voluntários, sem exigir que todas as pessoas envolvidas tivessem experiência profissional em construção civil.

Além da forma de montagem, chamou atenção a quantidade de material reaproveitado, pois aproximadamente 7 toneladas de plástico reciclado foram destinadas aos blocos usados na residência, evitando que esse volume de resíduos seguisse diretamente para formas convencionais de descarte.

Ainda assim, o uso do plástico não significa que todos os componentes da casa tenham sido substituídos por material reciclado, uma vez que o destaque do sistema estava principalmente nas peças utilizadas para formar as paredes da residência construída para Cindy e Fabrizio.

Voluntários participaram da construção da casa

Somado aos materiais empregados, o trabalho voluntário teve peso relevante na execução da obra, que acumulou mais de 800 horas de participação ligada ao projeto e mobilizou pessoas em diferentes etapas até que a residência estivesse pronta para ser entregue à família.

Esse esforço ocorreu dentro da parceria formada pelas organizações participantes, enquanto Cindy e Fabrizio receberam a casa em 26 de maio de 2018, encerrando um processo iniciado anos antes com a economia destinada à compra do terreno e à busca por uma moradia própria.

Na divisão de responsabilidades, a Procter & Gamble participou da iniciativa em conjunto com a Habitat for Humanity, enquanto a Urbarium atuou localmente na execução do projeto e a Ekojunto esteve relacionada ao sistema construtivo usado para produzir e montar os blocos reciclados.

Em paralelo à questão habitacional, o projeto ocorreu num período em que a Costa Rica enfrentava elevado volume de resíduos plásticos, com dados do Ministério da Saúde apontando descarte diário de aproximadamente 564 toneladas, das quais cerca de 14 toneladas eram recicladas por dia.

Sistema também buscava responder ao problema do plástico

Nesse contexto, transformar resíduos em componentes permanentes para a construção civil representava uma forma de reaproveitamento para parte desse material, enquanto, na casa de Cindy, toneladas de plástico deixavam a condição de descarte e passavam a integrar a estrutura das paredes.

A Urbarium também atribuía ao sistema características como isolamento térmico e acústico e resistência às condições climáticas da região, apresentando as peças como uma alternativa desenvolvida para uso habitacional em um país cujas construções precisam considerar exigências relacionadas à atividade sísmica.

Para Cindy e Fabrizio, no entanto, o resultado mais concreto estava na própria moradia, já que, depois de nove anos reunindo condições para adquirir um imóvel, mãe e filho passaram a viver numa residência construída justamente no terreno conquistado após aquele longo período de economia.

Se toneladas de plástico descartado podem ganhar uma função duradoura nas paredes de uma casa, quantas outras aplicações semelhantes poderiam reduzir resíduos e, ao mesmo tempo, atender às exigências de uma construção residencial voltada a famílias que buscam acesso à moradia própria?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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