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Adeus tijolos: casal que queria viver fora da cidade e evitar dívidas ergue casa de 100 m² com 2 contêineres descartados no lugar da construção convencional para viver perto da natureza e dos cavalos

Adeus tijolos: casal que queria viver fora da cidade e evitar dívidas ergue casa de 100 m² com 2 contêineres descartados no lugar da construção convencional para viver perto da natureza e dos cavalos

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Adeus tijolos: casal que queria viver fora da cidade e evitar dívidas ergue casa de 100 m² com 2 contêineres descartados no lugar da construção convencional para viver perto da natureza e dos cavalos

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 26/08/2026 às 13:27

Atualizado em 26/08/2026 às 13:28

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Projeto assinado por Benjamin García Saxe combinou autoconstrução, reaproveitamento de materiais e ventilação natural; a ficha técnica registrou conclusão em março de 2011 e custo final de US$ 40 mil

O Containers of Hope nasceu de uma decisão prática de Gabriela Calvo e Marco Peralta: morar em sua propriedade fora de San José, na Costa Rica, perto dos cavalos e da paisagem natural, sem se endividar para construir a casa que pretendiam. Para isso, o arquiteto Benjamin García Saxe projetou uma residência que usou dois contêineres marítimos descartados como os principais volumes da construção.

A documentação oficial do Studio Saxe identifica a família Peralta como cliente, registra Benjamin García Saxe como diretor de projeto e arquiteto e informa área aproximada de 100 m². A ficha do escritório aponta 2011 como ano de conclusão, enquanto a ficha técnica distribuída pela V2com especifica março de 2011, custo final de US$ 40 mil e autoconstrução pelos clientes, Marco Peralta e Gabriela Calvo.

Dois contêineres formaram a estrutura principal

Os módulos metálicos não foram apenas posicionados no terreno e ocupados em sua configuração original. Uma reportagem da Inhabitat, publicada em 11 de junho de 2011, descreveu duas unidades de 40 pés transportadas até a propriedade e instaladas sobre fundações em pilares. Os contêineres ficaram ligeiramente separados, criando uma seção transversal mais ampla entre eles.

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O ArchDaily, que publicou o projeto em julho de 2011 com texto fornecido pelos arquitetos, registra que a propriedade ficava a cerca de 20 minutos de San José. A disposição deslocada dos contêineres também foi pensada para oferecer vistas em duas direções, associadas ao nascer e ao pôr do sol. O terreno e a proximidade dos cavalos faziam parte da motivação apresentada pelos proprietários.

Transformar estruturas destinadas ao transporte de carga em uma casa exigiu outras etapas construtivas. A ficha técnica da V2com registra isolamento de padrão industrial, portas e janelas de vidro e alumínio, piso de madeira e divisórias de gesso acartonado, além dos dois contêineres descartados. A Inhabitat informa ainda que foram abertas grandes áreas nas chapas laterais para receber as novas esquadrias.

Esses registros mostram que o projeto não consistiu apenas em comprar dois módulos metálicos. Fundações, isolamento, aberturas, pisos, divisórias e uma nova cobertura integraram a adaptação para uso residencial. Por isso, o custo documentado para a obra de 2011 precisa ser entendido dentro das condições específicas daquele projeto e da participação direta dos moradores na execução.

Chapas retiradas viraram parte da cobertura

O reaproveitamento continuou durante as modificações dos contêineres. O Studio Saxe informa que pedaços de metal retirados para criar as janelas foram usados na cobertura instalada entre as duas partes da casa. A solução aumentou a sensação de abertura no espaço central e passou a integrar a estratégia de ventilação adotada pelo arquiteto.

Na mesma documentação, o escritório afirma que a configuração produziu ventilação cruzada suficiente para que os moradores não precisassem ligar o ar-condicionado. A Inhabitat descreveu o centro elevado como uma estrutura que estimula a circulação natural do ar e amplia a entrada de luz. A afirmação sobre dispensar o equipamento, porém, vem do arquiteto e das publicações sobre o projeto, e não de um ensaio independente de desempenho térmico.

A escolha dos contêineres também estava diretamente ligada ao orçamento. O Studio Saxe informou o custo final de US$ 40 mil e afirmou que o projeto permitiu à família viver sem dívidas ligadas à construção da residência. O escritório comparou esse valor ao custo de habitações sociais na Costa Rica naquele período, mas a comparação foi apresentada pelo próprio autor do projeto, sem levantamento independente citado no material.

Autoconstrução entrou na conta do orçamento

A participação dos proprietários é um dado importante para interpretar o valor informado. A V2com registra a obra como “Self Built by Client” e identifica Marco Peralta e Gabriela Calvo como responsáveis pela autoconstrução. A Inhabitat também relatou que o casal realizou parte dos trabalhos, enquanto Benjamin García Saxe ficou responsável pelo projeto arquitetônico.

A Dwell mantém o Containers of Hope em seu acervo e acrescenta que a construção contou com dois trabalhadores e com o próprio casal, que tinha familiaridade com o processo construtivo e formação em engenharia industrial. A publicação também atribui a Saxe a informação de que o trabalho foi conduzido a partir de um modelo tridimensional, em vez de plantas convencionais.

A mesma publicação relata escolhas adicionais relacionadas à execução da casa: os armários da cozinha foram comprados em uma loja local de ferragens e os móveis vieram de uma residência anterior. Esses detalhes não alteram o custo total registrado, mas ajudam a mostrar que o orçamento resultou de um conjunto de decisões específicas, e não apenas da substituição de tijolos pelos módulos metálicos.

Isso impede tratar os US$ 40 mil como uma referência de preço atual para qualquer casa de contêiner com área semelhante. O valor pertence a uma residência específica concluída em 2011, com terreno, mão de obra e soluções próprias de fundação, isolamento e acabamento. Custos de transporte, materiais, preparação do lote, execução e exigências técnicas variam conforme o local e o período.

A Dwell registra a residência com 1.075 pés quadrados, enquanto o Studio Saxe informa área aproximada de 100 m²; ambas as fontes apontam o uso de dois contêineres de 40 pés e o custo de US$ 40 mil. A documentação preservada pelas publicações de arquitetura situa o Containers of Hope como uma obra concluída em 2011, sem transformar seu orçamento histórico em estimativa para construções atuais.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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