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Adolescente transforma projeto da 8ª série no Hot Seat, sistema criado para alertar quando uma criança fica esquecida no carro
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 18/08/2026 às 22:00
Atualizado em 18/08/2026 às 22:01
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Ideia de Alissa Chavez nasceu após relatos de mortes em veículos, venceu uma feira de ciências, evoluiu durante anos e resultou em uma patente concedida nos Estados Unidos em 2015.
Uma ideia iniciada como trabalho escolar da 8ª série colocou a adolescente americana Alissa Chavez diante de um problema capaz de terminar em tragédia. O Hot Seat nasceu com a proposta de identificar a presença de uma criança deixada sozinha no veículo e emitir alertas para chamar a atenção do responsável e de pessoas próximas. O projeto evoluiu ao longo dos anos e resultou em uma patente americana concedida em abril de 2015.
A inspiração surgiu antes mesmo da feira de ciências. Em entrevista ao Washington Post em julho de 2014, quando tinha 17 anos, Chavez contou que se lembrava de ter ouvido sobre três crianças que haviam morrido dentro de carros quentes no verão anterior ao período em que cursaria a 8ª série. A partir desses casos, decidiu procurar uma maneira de evitar acidentes semelhantes.
A preocupação que motivou o projeto permanece relevante. A National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), órgão de segurança rodoviária dos Estados Unidos, informa que mais de mil crianças morreram por hipertermia depois de serem deixadas ou ficarem presas em veículos quentes ao longo dos últimos 25 anos.
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Hot Seat começou com um alarme comprado em uma loja
A primeira solução criada por Chavez estava longe de ser um sofisticado equipamento pronto para comercialização.
Segundo a entrevista concedida ao Washington Post, a estudante comprou um alarme de porta em uma loja de ferragens e começou a modificá-lo. A intenção era desenvolver um sistema que alertasse o responsável caso ele se afastasse enquanto uma criança continuasse na cadeirinha dentro do veículo.
O trabalho foi apresentado na feira de ciências da 8ª série e venceu a competição. Nos três anos seguintes, Chavez continuou aperfeiçoando o conceito e trabalhando também em um plano de negócios para a invenção.
Em 2014, aos 17 anos, ela já descrevia uma versão mais elaborada. O equipamento apresentado naquele momento utilizava uma almofada com sensor de pressão instalada sob a capa da cadeirinha infantil.
Esse sensor se comunicava com um dispositivo semelhante a um chaveiro carregado pelo responsável. Quando a distância entre a pessoa e o carro ultrapassava 40 pés, aproximadamente 12 metros, o sistema verificava se ainda havia peso indicando a presença da criança no assento.
Caso a criança permanecesse ali, três alertas estavam previstos: no chaveiro eletrônico, em um aplicativo de celular e no próprio alarme do veículo. Se o sensor não identificasse a criança, os alarmes não seriam acionados.
Invenção não precisava esperar o carro esquentar
Apesar de ter sido criada em resposta ao problema das mortes envolvendo carros quentes, o sistema não foi concebido simplesmente como um termômetro ou detector de altas temperaturas.
O registro da patente US9000906B2 descreve o Hot Seat como um sistema de detecção e alerta de ocupantes capaz de transmitir sinais sem fio e acionar diferentes formas de notificação caso uma criança permaneça desacompanhada no veículo.
O documento destaca que o mecanismo principal não depende da temperatura interna do automóvel. Na configuração descrita na patente, a presença da criança nas proximidades do detector seria suficiente para iniciar o processo de alerta, inclusive se ela estivesse dormindo ou permanecesse imóvel.
Entre as possibilidades descritas estão avisos em celulares ou tablets, acionamento do alarme do veículo, buzina, luzes e outros sinais sonoros ou visuais. O sistema poderia ainda utilizar comunicação sem fio com dispositivos móveis sincronizados.
A patente afirma que a solução foi projetada para começar a atuar em menos de um minuto após uma criança ser deixada desacompanhada. Esse tempo aparece como característica declarada no documento da invenção, e não como resultado de um teste independente apresentado pela NHTSA ou pelo Washington Post.
Na versão apresentada por Chavez ao jornal em 2014, ela também esclareceu que o sensor não era sensível à temperatura. O objetivo era emitir o aviso devido à permanência da criança no veículo, sem precisar esperar que o interior atingisse uma condição de calor extremo.
Pedido começou em 2011 e patente foi concedida em 2015
O desenvolvimento também deixou um registro documental detalhado.
A patente identifica a inventora pelo nome completo, Alissa Marie Chavez, e registra como data de prioridade 22 de agosto de 2011. O processo estava relacionado ao pedido provisório de patente nº 61/575,514.
Em 22 de agosto de 2012, exatamente um ano depois, foi depositado o pedido US13/592,329. A aplicação correspondente foi publicada em 28 de fevereiro de 2013.
A concessão ocorreu em 7 de abril de 2015, quando foi publicada a patente US9000906B2, intitulada Vicinity motion detector-based occupant detection and notification system. O documento identifica explicitamente o sistema também pelo nome HOT SEAT.
Isso significa que 2012 corresponde ao depósito do pedido principal, e não à data em que a patente foi concedida.
Quando conversou com o Washington Post em 2014, Chavez ainda buscava US$ 20 mil para financiar a construção de um protótipo. Portanto, o caminho iniciado na feira escolar não representou o surgimento imediato de um produto comercial pronto: houve anos de desenvolvimento entre a experiência escolar, as versões posteriores do sistema e a concessão da patente.
Problema que inspirou o projeto continua causando mortes
Os números atuais da NHTSA ajudam a dimensionar o risco que estava por trás da ideia de Chavez.
Segundo o órgão americano, o corpo de uma criança pode elevar sua temperatura de três a cinco vezes mais rapidamente que o de um adulto. Em 2025, 31 crianças morreram por hipertermia em veículos nos Estados Unidos.
A agência afirma ainda que mais de 50% das mortes pediátricas por hipertermia veicular ocorrem depois que pais ou responsáveis esquecem uma criança dentro do carro. Por isso, uma das recomendações oficiais é criar o hábito de verificar todo o veículo, principalmente o banco traseiro, antes de fechar as portas e se afastar.
A NHTSA também alerta que deixar as janelas parcialmente abertas ou estacionar na sombra pouco altera o risco relacionado ao aumento da temperatura interna. Crianças nunca devem permanecer sozinhas em um veículo, independentemente do período de tempo.
Foi diante desse tipo de situação que um projeto de feira de ciências começou a ganhar novas formas. O que nasceu de um alarme de porta modificado por uma estudante da 8ª série avançou para sensores, comunicação sem fio e diferentes mecanismos de aviso até chegar ao registro de uma patente em nome de Alissa Chavez.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

