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Agentes da PRF param caminhonete com caixas de frutas em Pernambuco, percebem um forte odor e sinais estranhos na carga, levantam os engradados e encontram 584 animais silvestres ocultos; motorista já havia sido detido outras quatro vezes
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 27/08/2026 às 13:19
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Fiscalização na BR-423 revelou que caixas de frutas escondiam centenas de aves e dezenas de jabutis. Segundo a PRF, os animais haviam saído de Sergipe e seriam revendidos em Pernambuco, enquanto o motorista já acumulava outras quatro detenções relacionadas ao transporte de fauna silvestre.
Uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal em Pernambuco revelou uma carga muito diferente daquela que aparecia à primeira vista. A caminhonete parecia transportar apenas engradados de frutas, mas alguns sinais percebidos durante a fiscalização levaram os agentes a examinar melhor a carroceria.
Ao verificarem o compartimento de carga, os policiais encontraram centenas de animais silvestres escondidos sob as caixas. A apreensão terminou com 584 exemplares resgatados, entre aves e jabutis, e com os dois ocupantes do veículo encaminhados para a Polícia Civil.
Fiscalização começou com uma carga aparentemente comum e terminou com centenas de animais resgatados
A abordagem aconteceu na noite de 18 de agosto, no km 140 da BR-423, em Iati, no Agreste de Pernambuco. Na caminhonete estavam um homem de 29 anos e uma mulher de 27, que foram parados durante uma fiscalização realizada pela PRF.
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Segundo a corporação, os agentes perceberam a presença de alpiste e um odor forte vindo da carga, elementos que chamaram a atenção durante a inspeção. A equipe então decidiu verificar o que havia por baixo dos engradados que ocupavam a carroceria.
Debaixo das caixas estavam diversas gaiolas com aves silvestres e uma caixa contendo jabutis. O balanço oficial apontou 555 pássaros e 29 jabutis, totalizando os 584 animais apreendidos na operação.
Entre as aves identificadas estavam exemplares conhecidos popularmente como galo-de-campina, tico-tico, azulão e papa-capim. A PRF não informou publicamente quantos animais havia de cada espécie nem detalhou todas as variedades encontradas.
Animais teriam saído de Sergipe e seriam revendidos em Pernambuco
Durante a ocorrência, o motorista informou aos agentes que os animais haviam sido adquiridos em Canindé de São Francisco, em Sergipe, e seriam levados até Caruaru, em Pernambuco, onde teriam como destino a comercialização.
A informação foi divulgada pela própria PRF com base no relato apresentado durante a abordagem. Até o momento, não foram tornados públicos dados sobre quem teria fornecido os animais, quem os receberia no destino ou qual seria o valor envolvido na negociação.
A disposição da carga dificultava a identificação imediata dos animais durante o deslocamento. As caixas de frutas ocupavam a parte superior da carroceria, enquanto as gaiolas permaneciam abaixo, fora da visão de quem observasse o veículo apenas externamente.
Motorista já havia sido detido outras quatro vezes em situações semelhantes
Um dos pontos que mais chamou atenção no caso foi o histórico informado pela Polícia Rodoviária Federal. De acordo com a corporação, o motorista de 29 anos já havia sido detido outras quatro vezes por ocorrências relacionadas a animais silvestres.
A PRF não detalhou quando ocorreram essas detenções anteriores, quantos animais foram apreendidos em cada episódio ou qual foi o resultado dos processos correspondentes. Também não foram divulgados os nomes dos envolvidos nesta nova ocorrência.
Após a fiscalização, o homem e a mulher foram encaminhados para a Delegacia de Polícia Civil de Garanhuns. Segundo a PRF, eles poderão responder por crimes relacionados a tráfico de animais silvestres, receptação, maus-tratos e associação criminosa, conforme o enquadramento definido durante a investigação.
Transporte de fauna silvestre sem autorização pode configurar crime ambiental
A legislação brasileira proíbe diferentes formas de exploração irregular da fauna nativa. A Lei nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, prevê punições para quem vende, adquire, guarda, mantém em cativeiro ou transporta animais silvestres sem a autorização exigida pelos órgãos competentes.
O caso também pode ser analisado sob a ótica das condições de transporte, especialmente quando há suspeita de sofrimento ou maus-tratos. A avaliação final depende das circunstâncias apuradas pelas autoridades e das condições em que os animais foram encontrados.
Esse tipo de apreensão exige ainda uma etapa posterior de triagem, porque os exemplares não podem simplesmente ser devolvidos imediatamente à natureza. É necessário avaliar o estado físico, identificar as espécies e verificar se cada animal possui condições de retornar ao ambiente natural com segurança.
Aves e jabutis foram entregues ao Ibama
Depois da apreensão, os 584 animais foram entregues ao Ibama, que passou a ser responsável pelos procedimentos de avaliação e destinação. A expectativa informada pela PRF é de que os exemplares recebam os cuidados necessários antes de uma possível soltura.
Nos centros de triagem, animais resgatados podem passar por avaliação clínica, identificação, observação comportamental e, quando necessário, tratamento e reabilitação. A devolução à natureza depende do estado individual de cada exemplar e das condições consideradas adequadas pelos técnicos.
Até agora, não foi divulgado um balanço informando quantos animais precisaram de atendimento veterinário, se houve perdas durante o transporte ou quando poderá ocorrer a soltura dos exemplares considerados aptos. Também não há estimativa pública sobre o valor comercial da carga apreendida.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

