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Agricultores pagavam mais para transportar trigo por uma rota menor, enfrentavam juros de até 12% e perdas de US$ 55 milhões por ano, até vencerem as eleições e criarem um banco e um moinho estatais em 1919

Agricultores pagavam mais para transportar trigo por uma rota menor, enfrentavam juros de até 12% e perdas de US$ 55 milhões por ano, até vencerem as eleições e criarem um banco e um moinho estatais em 1919

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Agricultores pagavam mais para transportar trigo por uma rota menor, enfrentavam juros de até 12% e perdas de US$ 55 milhões por ano, até vencerem as eleições e criarem um banco e um moinho estatais em 1919

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 03/08/2026 às 21:08

Economia

Levar 60 mil libras de trigo de Minot a Grand Forks, por uma rota mais curta, custava US$ 91,80.

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Em Dakota do Norte, produtores de trigo pagavam tarifas ferroviárias desproporcionais, juros de até 12% e perdiam milhões com a classificação dos grãos, até que uma mobilização política venceu as eleições de 1918 e levou à criação de um banco estatal e um moinho público no ano seguinte.

Levar 60 mil libras de trigo de Minot a Grand Forks, por uma rota mais curta, custava US$ 91,80. Já o transporte dos agricultores entre Moorhead e Minneapolis, por um caminho 45 milhas mais longo, custava US$ 61,80.

Além das tarifas ferroviárias, os agricultores de Dakota do Norte enfrentavam juros de até 12%, vagões inadequados e perdas estimadas em até US$ 55 milhões por ano relacionadas à classificação desfavorável dos grãos.

A informação foi publicada por The BND Story, site histórico do banco público de Dakota do Norte. O descontentamento levou os produtores a organizar um movimento político, conquistar o governo estadual e criar instituições públicas para atuar no crédito, na moagem e no armazenamento.

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Uma rota 45 milhas mais longa custava menos para transportar o trigo

A comparação das tarifas mostrava uma situação difícil de aceitar. O agricultor pagava US$ 91,80 para transportar a carga pelo trecho menor dentro de Dakota do Norte, enquanto a rota maior custava US$ 61,80.

Uma rota 45 milhas mais longa custava menos para transportar o trigo

O problema não terminava na cobrança. Os vagões ferroviários apresentavam condições ruins e deixavam parte do trigo escapar durante o percurso. Como o pagamento considerava o peso entregue no destino, cada quantidade perdida diminuía o valor recebido.

O produtor assumia os custos da lavoura e ainda dependia de empresas responsáveis por etapas decisivas da comercialização. Transporte caro, perda de carga e pouco controle sobre a entrega tornavam a atividade ainda mais arriscada.

Juros de até 12% aumentavam a dependência financeira dos produtores

A agricultura movimentava a economia de Dakota do Norte no início do século XX, principalmente por meio da produção de trigo. Entretanto, manter uma propriedade exigia crédito, e os juros cobrados podiam chegar a 12%.

Outra dificuldade aparecia nos elevadores de grãos, estruturas responsáveis por receber, pesar e armazenar a colheita. Parte do trigo era colocada em categorias inferiores, o que reduzia o preço pago aos produtores.

As perdas relacionadas à classificação desfavorável chegavam a US$ 55 milhões por ano. Dessa forma, o agricultor podia produzir uma boa quantidade e ainda receber menos por decisões tomadas longe de sua propriedade.

Bancos, ferrovias, elevadores e empresas de moagem controlavam pontos importantes entre o cultivo e a venda. Essa concentração deixava os produtores com pouca influência sobre juros, tarifas, peso e classificação.

A organização rural colocou a Nonpartisan League no poder em 1918

A Nonpartisan League, nome que pode ser traduzido como Liga Não Partidária, começou a organizar os agricultores em 1915. O movimento pretendia transformar reclamações espalhadas pelas propriedades em uma força capaz de disputar o governo.

Os organizadores visitavam agricultores, buscavam novos integrantes e aceitavam que certas contribuições fossem pagas depois da colheita. A liga também criou seu próprio jornal para apresentar propostas e responder aos ataques recebidos.

Juros de até 12% aumentavam a dependência financeira dos produtores

The BND Story, site histórico do banco público de Dakota do Norte, detalhou os pontos centrais dessa mobilização. Em 1918, a liga conquistou o governo estadual e o controle do Legislativo.

A plataforma defendia crédito rural com custo menor, inspeção dos grãos e participação do estado na moagem e no armazenamento. A vitória eleitoral deu aos agricultores condições políticas para transformar essas propostas em instituições.

O Bank of North Dakota abriu em 1919 com capital de US$ 2 milhões

O Legislativo criou o Bank of North Dakota em 1919. O banco começou a funcionar em 28 de julho daquele ano, na cidade de Bismarck, com US$ 2 milhões de capital.

A instituição foi planejada como uma alternativa ao sistema de crédito comercial. A intenção era oferecer suporte à economia estadual, especialmente à agricultura, sem colocar a busca pelo maior lucro acima das necessidades locais.

O banco estatal não eliminava automaticamente os bancos comerciais. Sua criação oferecia outro caminho para o crédito e reduzia a dependência exclusiva de instituições localizadas fora de Dakota do Norte.

O moinho estatal criado em 1919 começou a operar em 1922

A mesma Assembleia Legislativa criou a North Dakota Mill and Elevator Association em 1919. A instituição reunia moagem e armazenamento, duas etapas essenciais para transformar o trigo colhido em um produto pronto para comercialização.

O projeto pretendia manter mais etapas do processamento dentro de Dakota do Norte. Com uma estrutura pública, os agricultores ganhavam uma alternativa aos moinhos e compradores que controlavam grande parte do mercado.

O moinho começou a operar em Grand Forks em 1922. Portanto, 1919 marca a criação legal da instituição, enquanto a atividade industrial começou três anos mais tarde.

O modelo também apresentava diferenças em relação às cooperativas agrícolas. Embora ambos pudessem ajudar produtores a vender melhor, o moinho pertencia ao estado, não a um grupo de associados.

A reação dos agricultores colocou crédito, moagem e armazenamento sob controle público

As cobranças ferroviárias, os juros elevados, a perda de grãos e a classificação desfavorável do trigo deixaram de ser problemas isolados. Os agricultores organizaram uma força política, venceram as eleições e levaram suas propostas para dentro do governo.

A criação do banco e do moinho mostrou uma tentativa de alterar as estruturas que definiam quanto os produtores pagavam e quanto recebiam. Em vez de depender apenas dos agentes já estabelecidos, Dakota do Norte passou a participar diretamente do crédito e do processamento agrícola.

Um governo deve assumir parte do crédito e do processamento agrícola quando produtores enfrentam um mercado desequilibrado? Comente e compartilhe.

Fonte

The BND Story


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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