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Airbnb começa a derrubar 1.625 anúncios de imóveis populares em São Paulo após descoberta de irregularidades
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 04/08/2026 às 09:21
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Airbnb iniciou retirada de 1.625 anúncios ligados a imóveis sociais em São Paulo após proibição do uso de unidades HIS e HMP para aluguel de curta temporada.
O Airbnb começou a remover de sua plataforma anúncios de imóveis classificados como Habitação de Interesse Social (HIS) e Habitação de Mercado Popular (HMP) em São Paulo. Ao todo, 1.625 anúncios foram identificados a partir de uma relação enviada pela Prefeitura de São Paulo, responsável por fiscalizar a destinação dessas unidades.
Os apartamentos foram construídos com incentivos municipais e deveriam atender principalmente famílias de menor renda. Parte dessas unidades, acabou sendo utilizada para hospedagens de curta duração, situação que levou o município a proibir essa prática em maio de 2025.
Segundo o Airbnb, 773 acomodações que ainda estavam com anúncios ativos começaram a ser retiradas da plataforma a partir de 3 de agosto. Outros 852 apartamentos já estavam inativos, mas também serão eliminados definitivamente do catálogo da empresa.
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Airbnb começou a retirar imóveis HIS e HMP após pente-fino na plataforma
A retirada acontece cerca de três meses depois de o Airbnb iniciar uma revisão dos imóveis anunciados em São Paulo. O processo teve como base informações oficiais encaminhadas pela Prefeitura para identificar unidades enquadradas nas categorias HIS e HMP.
Segundo a empresa, a remoção atende ao decreto municipal que proibiu o aluguel de curta temporada nesses imóveis. A plataforma afirmou que apoia a destinação das unidades de habitação popular às famílias que precisam delas e que continuará colaborando com a administração municipal.
A medida atinge dois grupos distintos dentro do catálogo. O primeiro reúne 773 acomodações que ainda estavam disponíveis para reservas, enquanto o segundo inclui 852 unidades que já apareciam como inativas.
Somados, os dois grupos representam 1.625 anúncios associados a imóveis de habitação social. A exclusão não será uma ação isolada, já que a empresa informou que continuará atualizando a plataforma conforme receber novas informações da Prefeitura.
Proprietários dos imóveis serão comunicados sobre retirada dos anúncios
Os anfitriões responsáveis pelas unidades atingidas serão avisados pelo Airbnb sobre a retirada dos anúncios. Caso algum proprietário considere que o imóvel foi enquadrado de maneira incorreta, deverá procurar diretamente os órgãos municipais responsáveis.
Esse procedimento permitirá solicitar esclarecimentos sobre a classificação da unidade e, quando for o caso, pedir uma eventual correção cadastral. O Airbnb informou que não fará diretamente essa reavaliação, pois a identificação depende dos registros enviados pelo município.
A empresa também afirmou que continuará removendo imóveis sempre que novas unidades HIS ou HMP forem incluídas nas informações oficiais. Dessa maneira, o número de anúncios retirados poderá mudar conforme a Prefeitura atualize seus registros.
Hóspedes com reservas afetadas receberão ajuda para buscar outro imóvel
A retirada das acomodações também poderá afetar hóspedes que já tenham reservas previstas em alguns desses apartamentos. Segundo o Airbnb, essas pessoas serão comunicadas caso a hospedagem escolhida esteja entre as unidades removidas.
A plataforma informou que oferecerá suporte para que os usuários encontrem outra acomodação. A proposta é permitir uma nova reserva sem provocar impacto nos planos de viagem dos hóspedes atingidos pela medida.
Esse suporte será aplicado aos casos diretamente relacionados aos imóveis retirados. A empresa não detalhou quantas reservas poderão ser afetadas pela exclusão dos 773 anúncios que ainda estavam ativos.
São Paulo proibiu aluguel de curta temporada em habitação popular em maio de 2025
A Prefeitura de São Paulo passou a proibir, em maio de 2025, que unidades enquadradas como HIS ou HMP fossem usadas para aluguel de curta temporada. A decisão foi tomada após denúncias de irregularidades envolvendo empreendimentos aprovados com incentivos destinados à moradia popular.
Esses benefícios urbanísticos foram concedidos para estimular a construção de imóveis voltados à população de renda mais baixa. As investigações, entretanto, apontaram que milhares dessas unidades acabaram sendo vendidas para investidores.
Parte dos apartamentos também passou a ser oferecida em plataformas de hospedagem temporária. A situação ampliou a fiscalização sobre empreendimentos que receberam vantagens municipais para produzir moradias dentro das categorias sociais.
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CPI calculou perda de R$ 5,1 bilhões com fraudes e desvios entre 2014 e 2025
A fiscalização ganhou força com a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Municipal de São Paulo. A CPI passou a investigar o uso de imóveis destinados à população de baixa renda em plataformas de locação de curta duração.
Segundo a comissão, milhares de unidades construídas com incentivos fiscais e destinadas a famílias de menor renda foram vendidas para investidores. A investigação também analisou os impactos financeiros provocados pelas irregularidades na política habitacional.
Os cálculos da CPI indicaram que a capital paulista deixou de arrecadar R$ 5,1 bilhões entre 2014 e 2025. O valor foi relacionado pela comissão a fraudes e desvios na política de renúncia fiscal concedida às incorporadoras.
Relatório da CPI propôs limitar compra de imóveis HIS e HMP a uma unidade por CPF
O relatório final da CPI, aprovado em maio, apresentou propostas para tornar mais rígido o controle sobre imóveis de habitação popular. Uma das principais medidas sugeridas foi limitar a compra de unidades HIS e HMP a apenas um imóvel por CPF.
A comissão também propôs a criação de mecanismos mais rigorosos de fiscalização sobre empreendimentos que receberam incentivos públicos. O objetivo das medidas é aumentar o controle sobre a destinação dessas unidades depois da construção e comercialização.
A retirada dos 1.625 anúncios pelo Airbnb representa uma consequência direta dessa fiscalização sobre os imóveis identificados pela Prefeitura. A plataforma afirmou que continuará aplicando as informações oficiais recebidas do município para manter essas unidades fora das hospedagens de curta duração.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

