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Ajudando a mãe solteira a cuidar de quatro irmãos e estudando só até a 3ª série, menina cresce em meio a dificuldades, passa a cozinhar aos 8 anos, constrói carreira na gastronomia e décadas depois chega ao comando de restaurante aberto no quintal de uma quitinete em Paraty, que atende produções de Netflix, Nubank e Zara

Ajudando a mãe solteira a cuidar de quatro irmãos e estudando só até a 3ª série, menina cresce em meio a dificuldades, passa a cozinhar aos 8 anos, constrói carreira na gastronomia e décadas depois chega ao comando de restaurante aberto no quintal de uma quitinete em Paraty, que atende produções de Netflix, Nubank e Zara

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Ajudando a mãe solteira a cuidar de quatro irmãos e estudando só até a 3ª série, menina cresce em meio a dificuldades, passa a cozinhar aos 8 anos, constrói carreira na gastronomia e décadas depois chega ao comando de restaurante aberto no quintal de uma quitinete em Paraty, que atende produções de Netflix, Nubank e Zara

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 23/08/2026 às 23:58

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Responsabilidades familiares assumidas ainda na infância, escolarização interrompida e aprendizado construído na prática marcaram a trajetória de Flávia Alves, que transformou a cozinha doméstica em profissão e, anos depois, ampliou o próprio negócio para além do restaurante criado em Paraty.

Flávia Alves começou a cozinhar aos 8 anos, quando ajudava a mãe solteira a cuidar dos outros quatro irmãos, e deixou a escola na terceira série do ensino fundamental antes de transformar a experiência doméstica com comida em uma trajetória profissional na gastronomia.

Décadas mais tarde, ela passou a comandar o Quintal da Mãe, restaurante de culinária afro-brasileira criado em Paraty, no litoral do Rio de Janeiro, que cresceu a partir de um quintal alugado e também entrou no mercado de catering para Netflix, Nubank e Zara.

Da infância à cozinha profissional

Ainda na infância, Flávia acompanhava programas de culinária pela televisão e anotava receitas mesmo sem ter acesso a todos os ingredientes, enquanto a rotina familiar exigia participação direta nos cuidados com os irmãos e contribuiu para a interrupção precoce de sua escolarização.

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Sem formação acadêmica na área, ela acumulou experiência prática em cozinhas profissionais, trabalhou ao lado de chefs formados, teve um restaurante em Curitiba e passou pela Bahia, reunindo um repertório que mais tarde influenciaria o cardápio e a identidade do próprio negócio.

Depois de receber um convite para comandar a cozinha de uma pousada, Flávia mudou-se para Paraty e permaneceu cerca de dois anos no trabalho; em seguida, começou a produzir sobremesas e salgados para cafés locais, ampliando contatos no circuito gastronômico da cidade.

Quintal da Mãe nasceu dentro de casa

Durante a gravidez do filho Tom, após enfrentar uma gestação de alto risco e já ter vivido a perda de uma gravidez anterior, Flávia procurou uma maneira de continuar trabalhando sem se afastar dos primeiros anos da criança e decidiu levar a atividade para casa.

Foi em 2016 que o quintal da quitinete alugada onde morava se tornou o primeiro endereço do Quintal da Mãe, inicialmente aberto uma vez por mês para almoços destinados a moradores e turistas, em uma estrutura doméstica integrada à rotina da família.

Para complementar o orçamento enquanto o restaurante ainda formava clientela, Flávia também administrava outra quitinete do proprietário do imóvel, preparando café da manhã para hóspedes e cuidando da limpeza e da lavanderia, atividades que ajudavam a sustentar o início do empreendimento.

À medida que a procura aumentou, a estrutura disponível passou a limitar o atendimento, e a chef lançou uma campanha pela internet que arrecadou R$ 5 mil, valor usado como capital inicial para comprar louças, utensílios e adaptar um espaço maior para os clientes.

Afroturismo e culinária afro-brasileira

Pelas redes sociais, uma agência de afroturismo sediada em Londres encontrou o trabalho de Flávia e passou a levar grupos ao restaurante, onde as experiências combinavam refeições com referências à influência africana na culinária brasileira e à história dos orixás.

Esse repertório também apareceu no cardápio, que incorporou vivências profissionais acumuladas em diferentes regiões do país, especialmente no Nordeste, com feijoada e acarajé entre os destaques, além de bobó de camarão, baião de dois, moquecas e caldeirada de frutos do mar.

No endereço atual, livros sobre religiosidade, obras de artistas brasileiros e elementos ligados à ancestralidade negra compõem o ambiente, enquanto o Quintal da Mãe integra o roteiro de afroturismo de Paraty e mantém a culinária afro-brasileira como eixo central de sua proposta gastronômica.

Pandemia mudou a operação do restaurante

Já em 2020, a pandemia interrompeu a expansão e reduziu as atividades presenciais em Paraty, obrigando o restaurante a reorganizar a operação; três dias depois da paralisação, o negócio já trabalhava com entregas de feijoada, acarajé e bobó de camarão.

Naquele período, parte das entregas ficou a cargo de uma amiga chamada Aninha, que circulava pela cidade em um Fusca azul apelidado de Clóvis, enquanto Flávia buscava preservar a renda e manter o empreendimento em funcionamento durante as restrições ao atendimento presencial.

Depois dessa fase, a chef precisou deixar um dos endereços do restaurante e trabalhou por alguns meses dentro de outra pousada, até chegar ao espaço atual, onde o negócio retomou as atividades presenciais e manteve experiências ligadas à gastronomia e ao afroturismo.

Catering levou o negócio a grandes produções

Fora do salão, a atuação começou com pequenos coquetéis e eventos locais, mas avançou para produções audiovisuais realizadas em Paraty e serviços destinados a empresas e marcas como Netflix, Nubank e Zara, exigindo uma logística diferente daquela usada no atendimento diário do restaurante.

Em operações maiores, as equipes se distribuem por diferentes pontos da cidade, com caminhões, vans e utilitários envolvidos no transporte, enquanto as cozinhas podem funcionar durante 24 horas para acompanhar cronogramas de gravação e garantir as refeições destinadas às equipes contratantes.

Numa série produzida pela Netflix em Paraty, a operação chegou a preparar mais de 230 quilos de proteína em um único dia e mobilizou cerca de 60 trabalhadores contratados diretamente, segundo relato de Flávia publicado pelo UOL.

Da menina que anotava receitas diante da televisão à empresária que hoje coordena restaurante, catering e equipes temporárias em Paraty, qual etapa dessa trajetória evidencia melhor a dimensão da transformação construída por Flávia Alves ao longo dos anos na gastronomia?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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