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Alemanha e Dinamarca despejam no mar 89 blocos gigantes de concreto para construir túnel de 18 km, incluindo 79 peças de 217 metros que vão reduzir viagem a 10 minutos de carro e 7 de trem
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 25/08/2026 às 20:36
Atualizado em 25/08/2026 às 20:37
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Ligação submarina entre Dinamarca e Alemanha avança com uma das etapas mais complexas da engenharia do projeto, reunindo rodovia e ferrovia sob o Fehmarnbelt em uma estrutura formada por enormes módulos de concreto produzidos em terra e instalados com precisão no fundo do mar.
Em 2 de agosto de 2026, o Túnel de Fehmarnbelt alcançou uma nova etapa com a instalação do terceiro elemento de concreto no leito marinho diante da ilha dinamarquesa de Lolland, avançando na futura ligação de 18 quilômetros entre Dinamarca e Alemanha.
Projetado para reunir rodovia e ferrovia dentro da mesma estrutura, o empreendimento conectará Rødbyhavn, na ilha de Lolland, a Puttgarden, na ilha alemã de Fehmarn, e será, depois de concluído, o túnel imerso mais longo do mundo.
Terceiro elemento do Túnel de Fehmarnbelt já está no fundo do mar
Segundo a Femern, responsável pelo projeto, a empreiteira principal Femern Link Contractors colocou o terceiro dos 89 elementos previstos na vala aberta no fundo do Fehmarnbelt, prosseguindo com uma montagem que avançará gradualmente até completar toda a travessia submarina.
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Na noite de quinta-feira, o módulo deixou a fábrica de elementos localizada em Rødbyhavn e iniciou o transporte marítimo até a área de instalação, sendo rebocado por cinco embarcações até uma vala situada aproximadamente 500 metros diante da costa de Lolland.
Com 217 metros de comprimento e mais de 73,5 mil toneladas, esse terceiro elemento exige uma operação controlada desde o transporte até o posicionamento, já que a peça precisa descer até o ponto previamente preparado para recebê-la com precisão no leito marinho.
Já na sexta-feira, começou o processo de imersão e, na manhã de sábado, o módulo estava conectado ao trecho instalado anteriormente; em seguida, pedras e cascalho passaram a ser depositados ao redor da estrutura para mantê-la permanentemente estabilizada dentro da vala.
Como os 89 módulos de concreto formam o túnel de 18 km
Ao todo, 79 elementos padrão e outros 10 especiais formarão o túnel, sendo produzidos em uma grande fábrica próxima a Rødbyhavn, onde seis linhas de produção trabalham na fabricação das estruturas antes do transporte de cada unidade para o ponto de imersão.
Nos módulos convencionais, cada peça alcança 217 metros e aproximadamente 73,5 mil toneladas, enquanto os elementos especiais contam com um nível inferior reservado aos equipamentos técnicos, configuração concebida também para facilitar futuros serviços de manutenção realizados na infraestrutura ao longo de sua operação.
Durante a fabricação dos elementos padrão, nove segmentos são unidos até formar uma peça completa, em um processo seriado realizado dentro de instalações controladas; de acordo com o projeto, a estrutura foi dimensionada para permanecer em operação durante pelo menos 120 anos.
Antes de seguir pelo mar, cada módulo recebe anteparas estanques em suas duas extremidades e permanece fechado durante o percurso, sendo então rebocado por embarcações até a posição determinada para a etapa seguinte de descida e acomodação dentro da vala submarina.
Depois de alcançar o ponto previsto, a estrutura precisa ser baixada com alta precisão e conectada ao módulo anterior; nesse estágio, a retirada da água existente entre as anteparas permite que a pressão externa contribua para unir as peças e estabelecer uma ligação estanque.
Portais ligam rodovia e ferrovia entre Dinamarca e Alemanha
Nas extremidades da ligação, haverá um portal próximo a Rødbyhavn, no território dinamarquês, e outro nas proximidades de Puttgarden, na Alemanha, responsáveis por integrar as pistas rodoviárias e os trilhos submarinos às redes de transporte construídas ou modernizadas em terra.
Enquanto as escavações destinadas ao portal dinamarquês começaram em 2020, os trabalhos equivalentes no lado alemão tiveram início no ano seguinte, preparando os pontos onde os elementos colocados sob o mar serão conectados às estruturas executadas fora da área submersa.
Internamente, o túnel contará com uma rodovia de duas faixas em cada sentido e duas vias ferroviárias eletrificadas, combinação que permitirá concentrar na mesma ligação fixa tanto o tráfego de veículos quanto o transporte ferroviário através do Fehmarnbelt.
Com a entrada em operação da nova conexão, a Femern estima que a viagem entre Rødbyhavn e Puttgarden dure cerca de 10 minutos de carro e 7 minutos de trem, reduzindo o tempo necessário para atravessar diretamente o trecho entre Dinamarca e Alemanha.
Fehmarnbelt integra corredor europeu de transportes
Além de criar uma ligação fixa entre os dois países, o Fehmarnbelt fará parte da rede transeuropeia de transportes TEN-T e reforçará, segundo a Femern, a conexão entre a Escandinávia e o restante da Europa, dentro de um projeto financiado pelos usuários e apoiado pela União Europeia.
Também ligada à dimensão continental do empreendimento está a identificação das peças: cada elemento recebe o nome de uma cidade situada ao longo do corredor, e o terceiro homenageia Heiligenhafen, município costeiro de Schleswig-Holstein localizado na Alemanha e próximo à ilha de Fehmarn.
Mesmo depois da união dos 89 elementos, outras etapas permanecerão necessárias, pois trilhos, ventilação, câmeras, sistemas de comunicação e sinalização ainda precisarão ser instalados para que a sequência de estruturas de concreto seja transformada efetivamente em uma ligação rodoviária e ferroviária operacional.
Até 2 de agosto de 2026, apenas três das 89 peças estavam posicionadas no fundo do mar, deixando pela frente uma longa sequência de operações de transporte, imersão e conexão; quando essa estrutura estiver completa, quanto dessa engenharia será percebido por quem atravessar o túnel?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

