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Alto funcionário francês é acusado de drogar mais de 240 mulheres em entrevistas de emprego, levá-las para longas caminhadas sem banheiro e registrar detalhes em uma planilha secreta
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 19/08/2026 às 21:52
Atualizado em 19/08/2026 às 21:53
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Mais de 240 mulheres acreditam ter sido vítimas de Christian Nègre entre 2009 e 2018, em um caso que envolve diuréticos, entrevistas profissionais e registros detalhados encontrados pela polícia.
Um caso envolvendo entrevistas de emprego, uso de diuréticos e mais de 240 possíveis vítimas ganhou repercussão na França após uma investigação iniciada em 2018.
Christian Nègre, então alto funcionário do Ministério da Cultura francês, é acusado de oferecer café ou chá com substâncias diuréticas a mulheres durante processos seletivos.
Logo depois, segundo os relatos, ele sugeria que as entrevistas continuassem durante longas caminhadas, mantendo as candidatas longe de banheiros.
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As mulheres passavam a sentir uma necessidade repentina e difícil de controlar de urinar, além de sintomas como fraqueza, tremores, suor e desorientação.
Investigação revelou uma planilha com detalhes dos encontros
A investigação começou em 2018, depois que um colega flagrou Nègre fotografando as pernas de uma mulher por baixo de uma mesa.
Policiais passaram então a analisar os equipamentos eletrônicos utilizados pelo funcionário.
No computador, os investigadores encontraram uma planilha chamada “Experimentos P”, que reunia informações sobre centenas de encontros.
O arquivo registrava horários de chegada, supostos momentos da administração dos diuréticos e o tempo necessário até as mulheres precisarem urinar.
Detalhes sobre roupas íntimas e fotografias também apareciam nos registros.
A polícia utilizou essas informações para identificar diversas possíveis vítimas.
Entrevista em Paris terminou perto do rio Sena
Anaïs de Vos tinha 27 anos quando participou de uma entrevista em julho de 2011, em Paris.
Nègre ofereceu a ela um café preparado por ele.
Anaïs estranhou o sabor e bebeu apenas metade.
Pouco depois, o funcionário sugeriu que a entrevista continuasse durante uma caminhada pela cidade.
A candidata começou a sentir uma vontade urgente e inexplicável de urinar.
Nègre conduziu o percurso em direção ao rio Sena.
Anaïs ainda tentou encontrar um banheiro no Louvre, mas descobriu que precisava pagar e não carregava dinheiro.
A candidata entrou depois em um café e acabou urinando na própria roupa.
Somente em 2019, após ser procurada pela polícia, ela descobriu que poderia ter recebido um diurético durante aquele encontro.
Outros relatos indicaram um padrão semelhante
Marie-Hélène Brice encontrou Nègre em 2016, em Estrasburgo.
Durante uma caminhada sugerida pelo funcionário, ela começou a sentir uma necessidade repentina e dolorosa de urinar.
Nègre afirmou conhecer um banheiro público, porém o local indicado não oferecia nenhuma instalação disponível.
Brice terminou urinando em público enquanto o funcionário utilizava o próprio casaco para cobri-la.
Sylvie Delezenne relatou outro episódio ocorrido em 2015, durante uma entrevista que ultrapassou quatro horas.
Ela havia viajado de Lille para Paris em busca de uma oportunidade profissional considerada muito importante.
Delezenne começou a passar mal e precisou urinar em um túnel próximo ao Sena.
A polícia entrou em contato com ela em 2019 e apresentou registros capazes de reconstruir detalhes daquele dia.
Investigação levou à saída do funcionário público
Nègre acabou suspenso do cargo de diretor regional de assuntos culturais.
O Ministério da Cultura francês o demitiu em 2018, e ele posteriormente ficou impedido de exercer funções públicas.
Promotores passaram a investigar acusações envolvendo uso de drogas, violência praticada por funcionário público, invasão de privacidade e agressão sexual.
O toxicologista Jean-Claude Alvarez classificou esse uso de diuréticos como extremamente incomum.
Confissão parcial ampliou repercussão do caso
Em 2019, Nègre fez uma confissão parcial ao jornal francês Libération.
Ele admitiu ter fotografado mulheres e administrado substâncias a aproximadamente 10 ou 20 delas em Paris.
O ex-funcionário afirmou que seu comportamento era compulsivo e negou intenção de envenenar as mulheres.
O caso ainda não havia chegado a julgamento conforme as informações apresentadas.
A repercussão ganhou nova dimensão na França diante do debate sobre submissão química, ampliado após o caso envolvendo Dominique e Gisèle Pelicot.
Caso reacende debate sobre segurança em ambientes profissionais
A investigação mostra como uma situação aparentemente comum, como uma entrevista de emprego, pode assumir contornos graves quando existe abuso de autoridade.
Os relatos das mulheres também demonstram como algumas vítimas demoraram anos para compreender o que poderia ter ocorrido.
A identificação das possíveis vítimas somente avançou depois que a polícia encontrou os registros armazenados no computador de Nègre.
O que você acha que empresas e órgãos públicos deveriam fazer para aumentar a segurança e a transparência durante entrevistas de emprego? Deixe sua opinião!
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Viviane Alves
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

