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Aluno de escola pública da zona leste de São Paulo contou com a mãe, o padrinho e um amigo para pagar o 1º ano de cursinho, conquistou bolsa integral pelas notas e, após 3 tentativas, passou em Medicina na USP aos 21 anos
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 10/08/2026 às 00:04
Atualizado em 10/08/2026 às 00:06
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Trajetória de estudante da rede pública reúne apoio familiar, dificuldades financeiras, anos de preparação e uma conquista acadêmica de grande impacto. O caminho até a vaga desejada passou por tentativas frustradas, mudanças na rotina de estudos, bolsa integral e decisões que transformaram o futuro universitário.
Kawe Rodrigues Carneiro Bessa, de 21 anos, estudou a vida inteira na rede pública e precisou da ajuda da mãe, do padrinho e de um amigo para pagar seu primeiro ano de cursinho.
Depois de três anos tentando uma vaga em Medicina, a preparação terminou com a aprovação na Universidade de São Paulo, no campus de Ribeirão Preto, justamente o curso colocado por ele como primeira opção.
Morador do Belenzinho, na zona leste da capital paulista, o estudante não contava com uma estrutura financeira que permitisse simplesmente acrescentar um curso preparatório às despesas familiares.
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Segundo reportagem do UOL, quando decidiu enfrentar o vestibular, pessoas próximas precisaram se mobilizar para tornar possível o primeiro ano de preparação.
Ajuda da família tornou o primeiro ano de cursinho possível
Entre as pessoas que sustentaram esse projeto estava a mãe de Kawe, uma das principais incentivadoras de sua trajetória acadêmica.
O padrinho e um amigo também contribuíram para que o jovem conseguisse pagar o cursinho, enquanto despesas como transporte e alimentação continuavam fazendo parte da rotina necessária para estudar.
Mesmo com toda essa mobilização, a vaga não apareceu na primeira tentativa.
O resultado levou Kawe a continuar estudando, e uma nova preparação também terminou sem a aprovação desejada, fazendo com que o objetivo de ingressar em Medicina se estendesse por três ciclos de vestibular.
Foi justamente durante esse caminho que o desempenho acadêmico começou a alterar as condições de estudo.
Embora ainda não tivesse conseguido entrar em Medicina, as notas alcançadas permitiram que Kawe conquistasse uma bolsa integral no cursinho Objetivo, de acordo com o UOL.
Bolsa integral mudou as condições de preparação para Medicina
A conquista da bolsa retirou uma parte importante da pressão financeira que acompanhava a preparação desde o início.
A partir daquele momento, continuar frequentando o cursinho deixou de depender do pagamento integral das mensalidades, permitindo que o estudante mantivesse o foco no vestibular.
Nos dois primeiros anos, a rotina adotada por Kawe foi descrita por ele ao veículo como muito intensa.
Já durante a terceira preparação, em vez de simplesmente ampliar o volume de estudos, o jovem decidiu observar com mais atenção os pontos que precisava corrigir e abriu espaço para uma rotina com momentos de convivência com outras pessoas.
Essa mudança ocorreu depois de duas experiências em que o resultado final não havia levado à vaga pretendida.
Ao chegar à terceira tentativa, Kawe carregava tanto o conteúdo acumulado ao longo dos anos quanto uma estratégia diferente para administrar a preparação e a própria rotina.
Nem mesmo esse histórico, porém, trouxe segurança no período em que o resultado seria divulgado.
Sem saber se encontraria o próprio nome entre os aprovados, o estudante havia combinado de sair com um amigo justamente para evitar permanecer concentrado apenas na expectativa pela lista.
Ligação confirmou a aprovação na USP de Ribeirão Preto
A notícia chegou por meio de uma ligação.
Kawe havia sido aprovado em Medicina na USP de Ribeirão Preto, encerrando uma sequência de três tentativas e garantindo a vaga no curso que havia escolhido como sua prioridade.
Dentro da família, a aprovação carregava um significado que ultrapassava o resultado do vestibular.
Durante os anos de preparação, a mãe de Kawe havia acompanhado os estudos, participado das decisões financeiras e ocupado papel central na continuidade do projeto do filho.
Antes que pudesse acompanhar a aprovação, ela morreu aos 48 anos em decorrência de um problema cardíaco.
Kawe contou ao UOL que viveu parte da preparação convivendo com o luto e atribuiu à mãe um papel decisivo no caminho que, mais tarde, o levaria à universidade.
Quando o filho escolheu Medicina, foi ela quem se dispôs a buscar maneiras de manter não apenas o cursinho, mas também outras despesas relacionadas à rotina de estudos.
Esse apoio permaneceu como uma das referências citadas pelo jovem ao relembrar os anos anteriores à aprovação.
História acadêmica da mãe também marcou a trajetória
A relação da família com os estudos tinha ainda outra camada.
Segundo o relato de Kawe ao UOL, sua mãe não conseguiu concluir o ensino superior porque precisou interromper a formação depois que a própria mãe enfrentou um problema cardíaco.
Havia, no entanto, o desejo de retomar a universidade no futuro.
Ela pretendia cursar Direito depois que o filho ingressasse na faculdade, fazendo com que os projetos acadêmicos dos dois estivessem ligados também dentro da rotina familiar.
No caso de Kawe, a escolha pela Medicina surgiu da combinação entre o interesse pelas ciências biológicas e a convivência com ambientes hospitalares.
Parte desse contato aconteceu enquanto ele acompanhava a mãe em atendimentos relacionados ao problema cardíaco.
A experiência aproximou o estudante de uma área que, mais tarde, se transformaria em sua primeira opção no vestibular.
Ao longo da preparação, esse objetivo permaneceu mesmo depois das tentativas em que a aprovação não veio.
Da zona leste de São Paulo para a USP no interior
Ingressar no curso significou também deixar a rotina construída na capital paulista.
Embora tenha crescido e estudado no Belenzinho, Kawe escolheu o campus da USP em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, para iniciar a formação em Medicina.
Ao explicar a preferência, o jovem afirmou que buscava a qualidade de vida oferecida pela cidade e uma rotina diferente daquela encontrada na capital.
A aprovação aos 21 anos, dessa forma, encerrou um período de três tentativas consecutivas e abriu uma nova etapa longe do bairro onde havia construído toda a trajetória escolar.
Depois de passar a educação básica em escolas públicas e depender inicialmente de uma rede de apoio para pagar a preparação, Kawe passou a organizar uma experiência universitária que inclui a possibilidade de morar fora da cidade onde cresceu.
Na época em que conversou com o UOL, ele ainda não havia definido qual área da Medicina pretendia seguir.
O foco naquele momento estava no início do curso e na participação na vida universitária.
Entre as possibilidades consideradas estava morar em uma república em Ribeirão Preto, adaptação que passaria a fazer parte da nova rotina depois dos anos concentrados no vestibular.
Antes de o nome aparecer na lista de aprovados, a trajetória havia reunido ensino público durante toda a vida escolar, apoio financeiro de pessoas próximas, duas tentativas sem a vaga desejada, uma bolsa integral conquistada pelo desempenho acadêmico e mais um ano de preparação até a aprovação.
Em um dos vestibulares mais disputados do país e diante de uma formação que exige anos de dedicação, até que ponto histórias como a de Kawe mostram o impacto que uma rede de apoio pode ter na trajetória de um estudante?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

