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Aluno de escola pública de Taboão da Serra e bolsista de cursinho, um jovem estudou 12 horas por dia, viu o Provão Paulista como sua última esperança e passou em 1º lugar em Medicina na USP
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 06/08/2026 às 09:00
Atualizado em 06/08/2026 às 09:03
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Luiz Filippe Campos Soares passou a noite acordado esperando o resultado, divulgado na madrugada de 19 para 20 de janeiro de 2025. Ficou em primeiro na lista do curso mais concorrido do país e em segundo entre todos os aprovados na primeira chamada do exame.
Ele não tinha plano B, e disse isso com todas as letras. O Provão Paulista era a última esperança, resumiu Luiz Filippe Campos Soares ao descrever a noite em claro que passou aguardando o resultado do exame que o aprovou em primeiro lugar em Medicina na Universidade de São Paulo, conforme reportagem publicada pelo portal Terra em janeiro de 2025 e material divulgado pelo Governo do Estado de São Paulo.
O resultado saiu na madrugada de 19 para 20 de janeiro de 2025. Ele ficou em primeiro colocado no curso e em segundo entre todos os aprovados na primeira chamada do Provão Paulista Seriado 2024, que classificou 7.652 estudantes naquela etapa.
A rotina de 12 horas
A conta que ele faz é simples e explica o cansaço. Eram sete horas na escola e mais cinco no cursinho, todos os dias, o que somava cerca de 12 horas de estudo diário.
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A preparação começou já no primeiro ano do ensino médio. No segundo ano, ele percebeu que precisava de um preparo mais focado, e foi o pai quem sugeriu a entrada em um cursinho, onde conseguiu bolsa. Ele descreve o período como trabalho muito árduo, principalmente para cumprir os horários e ainda encaixar almoço, família e namorada na agenda.
Onde ele estudou
A formação toda aconteceu na rede pública. Luiz Filippe concluiu o ensino médio na Escola Estadual Professor Francisco Vicente Lopes Gonçalves, no bairro Parque Albina, em Taboão da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo.
Ele não foi o único da escola a passar. Outros quatro alunos da mesma unidade foram aprovados em cursos diversos de universidades públicas paulistas pelo mesmo exame. O currículo dele traz ainda uma medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas.
Uma única opção entre oito possíveis
O Provão Paulista permite que cada candidato registre até oito opções de curso. Ele usou o espaço de forma incomum.
Inscreveu-se apenas em Medicina, porque era a única alternativa que considerava. A escolha vinha de longe: ele conta ser fascinado por Biologia desde criança e gostar de cuidar das pessoas. A definição que ele dá da profissão é exigente, dizendo que é preciso dedicar a vida inteira não só à carreira, mas à humanidade, porque se cuida do corpo e do ser humano de outra pessoa.
Por que era mesmo a última esperança
A frase não foi retórica. Ele explicou que, sem a aprovação por aquele exame, teria de continuar como bolsista no cursinho até conseguir entrar em alguma universidade pública.
O motivo é financeiro e ele foi direto ao dizer que a família não teria condições de arcar com uma faculdade de Medicina particular, mesmo com bolsa. Curso de Medicina em instituição privada está entre os mais caros do país, com mensalidades que superam a renda de boa parte das famílias brasileiras, e a duração de seis anos em período integral inviabiliza trabalhar em paralelo.
Como ele já suspeitava do resultado
Havia um cálculo por trás da expectativa. Antes da divulgação, ele comparou o próprio desempenho com as notas de corte das aprovações do ano anterior, de 2023.
A conta indicava chance real, mas isso não reduziu a ansiedade. Ele passou a noite sem dormir aguardando a lista. Quando o nome apareceu, a reação que descreveu foi de alívio, felicidade e descrença, dizendo que é difícil acreditar no que está acontecendo depois de tanto esforço para conquistar o curso dos sonhos.
A ligação do governador
O desfecho teve um capítulo inesperado. Depois do resultado, ele foi surpreendido por uma ligação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para parabenizá-lo.
Ao governador, o jovem afirmou que aquele era o dia mais feliz da vida dele. Nas redes sociais, Tarcísio citou o caso ao lado do de outra aprovada, chamada Flávia, dizendo que o exame é mais que uma prova e representa sonho, futuro e oportunidade. As aulas começaram ainda no primeiro semestre de 2025.
O que dizem os números divulgados
Há divergências entre publicações que vale registrar. A idade dele aparece como 17 anos no material da Agência SP, do portal Giro, do Taboão em Foco e do Jornal Z Norte, e como 18 anos nas reportagens do Terra, do BNews e do Jornal Panorama.
Sobre aprovações em outras instituições, o Jornal Panorama informa que ele também passou na Unicamp e na Unesp, tendo optado pela USP. Esse dado não aparece no material oficial do governo estadual nem nas entrevistas diretas com o estudante, que registram apenas a inscrição exclusiva em Medicina e a classificação em primeiro lugar na USP.
O apoio que ele credita
Perguntado sobre o que sustentou a rotina, ele não atribuiu o resultado apenas ao próprio esforço. Disse que o apoio dos pais, dos professores e da família é essencial, porque quem convive com ele sabe o quanto batalhou.
A mãe, Raíssa Loren Campos, de 34 anos, destacou publicamente o orgulho pela dedicação do filho. Luiz Filippe mora com o pai, Marcelo, e com o irmão mais novo, Enzo, e mantém contato próximo com a mãe.
O que o caso mostra sobre o exame
O Provão Paulista Seriado é uma avaliação destinada a alunos da rede estadual paulista que dá acesso direto a universidades e faculdades públicas do estado, entre elas USP, Unesp, Unicamp e Fatecs.
O desenho do programa é o que explica o desfecho desta história. Sem ele, um estudante com esse desempenho ainda teria de disputar vaga nos vestibulares tradicionais, competindo com candidatos que pagaram anos de cursinho integral. A trajetória não elimina o esforço individual, mas mostra que a porta de entrada foi decisiva, e é isso que o próprio aprovado registra ao dizer que sem aquele exame continuaria no cursinho por tempo indeterminado.
E você, conhece alguém que entrou em universidade pública vindo de escola estadual? Conta aqui nos comentários como foi a preparação dessa pessoa, e diga se acha que exames como o Provão Paulista deveriam existir em outros estados.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

