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Aluno do interior do Paraná percorria cerca de 300 quilômetros por dia entre a escola, a casa e o cursinho, virou monitor para conseguir bolsa completa e poder morar fora, ficou a uma única questão da aprovação na Unioeste e, no terceiro ano de cursinho, passou em Medicina na UFPR
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 11/08/2026 às 13:39
Atualizado em 11/08/2026 às 13:45
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Gustavo Henrique Auler cursou o terceiro ano do ensino médio em uma cidade, estudava em casa à tarde e viajava 80 quilômetros à noite para o cursinho em outra. Estudava dentro do ônibus. No terceiro ano de preparação, somou quatro aprovações em Medicina.
A rotina dele tinha três cidades dentro de um único dia. Aluno do interior do Paraná, Gustavo Henrique Auler fazia o terceirão pela manhã em outro município, estudava em casa à tarde e à noite pegava mais 80 quilômetros de estrada para chegar ao cursinho em uma terceira cidade, conforme depoimento publicado no portal Projeto Medicina.
Somando ida e volta dos dois deslocamentos, o total girava em torno de 300 quilômetros por dia. O ônibus deixou de ser transporte e virou sala de aula: era ali, em movimento, que ele também estudava. No fim daquele ciclo veio a primeira decepção, e foram necessários mais dois anos até a aprovação em Medicina na UFPR.
Primeiro ano de cursinho terminou em decepção
Ele chegou aos vestibulares daquele ano confiante. A combinação de ensino médio, estudo em casa e cursinho noturno parecia suficiente para garantir a vaga.
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Não foi. O primeiro ano de preparação terminou sem aprovação, e o resultado obrigou a uma mudança de estratégia. Manter a rotina de 300 quilômetros diários por mais um ciclo era inviável, e a solução encontrada foi eliminar a estrada da equação.
Monitoria garantiu bolsa completa e permitiu morar fora
No segundo ano, Gustavo se mudou para Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná, para fazer cursinho na própria cidade. O problema era o custo de viver longe de casa.
A saída foi trabalhar dentro do próprio curso. Ele conseguiu uma vaga de monitor, função que lhe garantiu bolsa completa, e assim precisou arcar apenas com a moradia. Trocar 300 quilômetros diários por um quarto alugado só foi possível porque o estudo virou também trabalho, com o monitor ensinando o conteúdo que precisava aprender.
Faltou uma questão para passar na Unioeste
Com dois anos de cursinho concluídos, ele se considerava apto. O resultado da Unioeste quase confirmou isso: fez 64 questões e ficou a uma única de distância da aprovação.
A descrição que ele dá do momento é direta: o mundo desabou ali. E o motivo não era apenas a frustração com o resultado. Não havia condições financeiras de bancar um terceiro ano de cursinho, o que transformava aquela questão isolada em fim de linha e não em recomeço.
Plano B era cursar Direito ou Engenharia Civil pelo Sisu
Diante da conta que não fechava, ele comunicou à família uma alternativa realista. Diria que passaria em Direito ou Engenharia Civil pelo Sistema de Seleção Unificada, opções compatíveis com a nota que já tinha.
A escolha seria mais conveniente dentro das possibilidades do momento, como ele mesmo descreve. Mas a decisão não se sustentou por muito tempo. Ele conta ter percebido que, olhando para trás no futuro, se arrependeria de não ter tentado até o fim, e voltou a conversar com a família para dizer que faria mais um ano.
Economias guardadas para uma moto pagaram o terceiro ano
A pergunta seguinte era como bancar. A resposta veio de um dinheiro que estava guardado para outra finalidade: economias acumuladas ao longo de anos, reservadas para a compra futura de uma moto ou de um carro.
Ele usou esse valor para pagar o cursinho do terceiro ano e contou com a ajuda do pai para o aluguel. A entrada nesse novo ciclo foi em desvantagem, e ele reconhece isso: chegou um nível abaixo dos concorrentes com quem passou a disputar as vagas.
Terceiro ano rendeu quatro aprovações em Medicina
O resultado final inverteu a situação. Ao fim daquele ano, Gustavo somou quatro aprovações em cursos de Medicina.
As instituições foram a UNESC, a UEPG, a UFF e a UFPR. Na Universidade Federal Fluminense, ele passou em primeiro lugar. A matrícula que efetivou foi na Universidade Federal do Paraná, e é com ela concluída que o depoimento foi escrito. De um ano em que faltou uma questão para entrar em uma universidade, ele passou a um ano em que escolheu entre quatro.
Ônibus funcionou como extensão da rotina de estudo
Vale destacar o detalhe que sustenta toda a primeira fase dessa história. Não se tratava apenas de perder tempo na estrada: ele estudava durante o trajeto.
Duzentos e cinquenta a trezentos quilômetros diários em ônibus intermunicipal significam, em condições normais de rodovia no interior do Paraná, algo entre quatro e cinco horas de deslocamento. Transformar esse tempo em estudo é a diferença entre perder um terço do dia e recuperá-lo, e foi essa conversão que permitiu manter simultaneamente ensino médio, estudo em casa e cursinho noturno em três cidades diferentes.
Relato traz o custo emocional junto com a estratégia
A parte do depoimento que menos aparece nas versões resumidas dessa história é a que trata do desgaste. Ele descreve a dificuldade de suportar o trabalho diário enquanto se está no meio da luta, sem saber se o esforço vai resultar em alguma coisa.
A avaliação que faz no fim é a de quem já sabe o desfecho, e ele mesmo reconhece isso ao dizer que quem chega até o fim e realiza o objetivo sabe que valeu a pena e faria tudo de novo. É a conclusão de alguém com a matrícula feita, e não de quem estava no segundo ano de cursinho depois de perder por uma questão.
Depoimento é de 2020 e não há informação posterior
O relato foi publicado no portal Projeto Medicina com atualização registrada em 22 de junho de 2020, o que coloca a aprovação por volta daquele período. São mais de seis anos.
Considerando a duração média de seis anos do curso de Medicina no Brasil, ele estaria concluindo a graduação agora ou já formado. Não localizei nenhuma informação pública posterior sobre ele, sobre a conclusão do curso, sobre residência médica ou sobre onde atua. O que existe registrado é o percurso até a matrícula.
Conta nos comentários: você toparia atravessar 300 quilômetros por dia entre três cidades para estudar, ou acha que existe um limite em que o cansaço anula o ganho? E para quem já ficou a uma questão de passar em algum processo seletivo, o que fez depois, tentou de novo ou mudou de plano?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

