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Antes de Tom Jobim completar 100 anos, caminhão vira floresta em parques de São Paulo e revela a defesa da Mata Atlântica, dos rios e da fauna que o maestro fazia desde os anos 1970

Antes de Tom Jobim completar 100 anos, caminhão vira floresta em parques de São Paulo e revela a defesa da Mata Atlântica, dos rios e da fauna que o maestro fazia desde os anos 1970

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Antes de Tom Jobim completar 100 anos, caminhão vira floresta em parques de São Paulo e revela a defesa da Mata Atlântica, dos rios e da fauna que o maestro fazia desde os anos 1970

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 19/08/2026 às 15:34

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Caminhão da mostra itinerante Jobim-açu leva a relação de Tom Jobim com a natureza a parques de São Paulo.

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A exposição gratuita Jobim-açu transforma um caminhão em floresta sensorial e leva aos parques de São Paulo a defesa ambiental que Tom Jobim incorporou às canções décadas antes do centenário do maestro, em 2027.

O público entra em um caminhão e, por alguns minutos, deixa a cidade para caminhar por uma floresta feita de tecidos suspensos, sons, fotografias e projeções. A cenografia não tenta separar a obra musical de Tom Jobim da natureza. Ao contrário, mostra que uma coisa nasceu da outra.

Batizada de Jobim-açu: Tom Jobim, o Maestro da Natureza, a exposição itinerante antecipa as homenagens pelos 100 anos do compositor, que nasceu em 25 de janeiro de 1927. Depois de passar pelo Bulevar do Rádio, ao lado do Sesc Avenida Paulista, a mostra está no Horto Florestal, na zona norte de São Paulo, de 18 a 23 de agosto. Em seguida, segue para o Parque da Luz, no Bom Retiro, de 25 a 29 de agosto. A visitação é gratuita, das 10h às 17h.

O caminhão que transforma música em floresta

O interior do veículo foi pensado como uma experiência sensorial. Cinco telas recebem projeções simultâneas, enquanto gravações de entrevistas, cantos de pássaros e canções do maestro criam uma paisagem sonora. Em um dos vídeos, Tom imita aves e fala sobre a relação com a natureza e com o Rio de Janeiro.

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A direção artística é da cineasta Daniela Thomas, que divide a curadoria com o jornalista Hugo Sukman. A parte externa do caminhão recebeu uma intervenção visual do arquiteto e ilustrador Danilo Zamboni. Fora do veículo, cinco estações reúnem 20 painéis sobre a vida do compositor, da infância à projeção internacional da bossa nova.

O percurso inclui momentos como a apresentação no Carnegie Hall, em Nova York, e a circulação mundial de músicas como Corcovado e Águas de Março. Mas o centro da narrativa está nas obras em que rios, aves, árvores, chuva e floresta deixaram de ser cenário para se tornar linguagem musical.

Tom Jobim falava de ecologia quando o assunto ainda parecia estranho

Nos anos 1970, falar repetidamente de Mata Atlântica, peixes nos rios, fumaça no céu e desaparecimento de animais ainda não fazia parte da conversa cotidiana. Tom insistia nesses temas em entrevistas e os carregava para seus discos. O alerta que parecia excentricidade se tornou, décadas depois, uma chave para compreender sua obra.

Canções e álbuns como Matita Perê, Urubu, Passarim, Borzeguim e Chovendo na Roseira aparecem nesse percurso. O Instituto Antonio Carlos Jobim preserva partituras, fotografias, gravações e até pios de madeira usados pelo maestro para reproduzir o canto de aves. Esse repertório documental ajuda a mostrar que o vínculo ambiental não foi uma leitura criada depois de sua morte, em 1994.

Capas dos discos solo de Tom Jobim ajudam a mostrar como temas ambientais atravessaram sua obra. Foto: Lucas Teixeira/Divulgação.

O próprio compositor resumiu essa relação ao dizer que sua obra era inspirada na Mata Atlântica. O Jardim Botânico do Rio de Janeiro fazia parte de sua rotina. Ali, entre árvores, aves e caminhos próximos à Floresta da Tijuca, ele encontrava sons, nomes e imagens que mais tarde reapareciam na música.

Por que a mostra se chama Jobim-açu

O título da exposição nasce de Querelas do Brasil, canção de Aldir Blanc e Maurício Tapajós. Na letra, o sobrenome Jobim aparece unido ao sufixo tupi açu, associado à ideia de grandeza. A escolha combina com uma mostra que celebra a dimensão internacional do maestro sem retirar sua obra do território brasileiro.

A canção exalta a diversidade do país, mas também aponta a destruição ambiental. Esse contraste organiza a exposição: a beleza da floresta é apresentada ao lado da ameaça que paira sobre ela. O visitante escuta o Brasil que inspirou Tom e, ao mesmo tempo, é convidado a perceber o que pode ser perdido.

Exposição já recebeu milhares de visitantes e centenas de estudantes

Segundo dados divulgados pela organização, mais de 5.600 pessoas já passaram pela experiência, além de 470 estudantes de 9 a 16 anos em visitas escolares. Professores usam o percurso para aproximar música, literatura, ilustração e educação ambiental.

As atividades mostram às crianças que o mar, a praia, os pássaros e a mata presentes nas canções não são apenas imagens poéticas. Eles pertencem a ecossistemas reais, dependem de proteção e também contam a história cultural do país.

Cenografia da mostra Jobim-açu conecta a obra de Tom Jobim à floresta brasileira. Foto: Paulo Freitas/Divulgação.

O formato itinerante amplia esse alcance. Em vez de esperar o público em um museu, o caminhão estaciona perto de parques e áreas de circulação. A floresta cenográfica funciona como porta de entrada para uma conversa que liga memória, arte e responsabilidade ambiental.

Centenário começa com um recado que atravessou décadas

O centenário de Tom Jobim será celebrado em janeiro de 2027, mas Jobim-açu escolhe começar antes e por um ângulo que ultrapassa a nostalgia. A mostra não apresenta apenas o autor de clássicos conhecidos no mundo inteiro. Recupera um brasileiro que escutava pássaros, observava árvores e percebia nos rios e no ar sinais de uma crise ainda ignorada por muita gente.

Visitar a exposição é reencontrar músicas famosas com outros ouvidos. Também é perceber que o aviso ambiental de Tom não ficou preso aos anos 1970. Ele continua atual, talvez mais urgente, nos mesmos parques onde a mostra agora circula.

Se você estiver em São Paulo, vale conferir a passagem gratuita de Jobim-açu pelo Horto Florestal e pelo Parque da Luz e ouvir como a natureza brasileira atravessa a obra do maestro.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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