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Antes do Concorde dominar os céus, União Soviética criou avião capaz de rasgar o céu a Mach 2, cruzar mais de 2.000 km em uma hora e brincar com os fusos do planeta, alimentando a incrível história de 70 empresários que teriam brindado o Ano-Novo três vezes entre Tóquio, Pacífico e Los Angeles

Antes do Concorde dominar os céus, União Soviética criou avião capaz de rasgar o céu a Mach 2, cruzar mais de 2.000 km em uma hora e brincar com os fusos do planeta, alimentando a incrível história de 70 empresários que teriam brindado o Ano-Novo três vezes entre Tóquio, Pacífico e Los Angeles

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Antes do Concorde dominar os céus, União Soviética criou avião capaz de rasgar o céu a Mach 2, cruzar mais de 2.000 km em uma hora e brincar com os fusos do planeta, alimentando a incrível história de 70 empresários que teriam brindado o Ano-Novo três vezes entre Tóquio, Pacífico e Los Angeles

Escrito por Ana Alice

Publicado em 24/08/2026 às 03:48

Atualizado em 24/08/2026 às 03:49

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Tu-144 foi o primeiro avião comercial a superar Mach 2 e marcou a corrida supersônica soviética, apesar de sua curta carreira operacional. – Imagem: Reprodução

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O Tu-144 marcou a corrida supersônica da Guerra Fria com velocidades acima de Mach 2, uma carreira comercial curta e histórias que ainda misturam feitos comprovados, fusos horários e episódios difíceis de verificar.

A história atribuída ao Tupolev Tu-144 reúne tudo o que tornou a aviação supersônica fascinante: fusos horários, viagens a Mach 2 e a possibilidade de atravessar o planeta rápido o suficiente para brincar com o relógio.

O que os registros históricos confirmam com segurança é que o jato soviético realmente conseguia superar duas vezes a velocidade do som, mas sua curta carreira comercial foi muito mais limitada do que a ambição que cercava o projeto.

Desenvolvido durante a Guerra Fria, o Tu-144 tornou-se um símbolo da disputa tecnológica entre a União Soviética e o Ocidente.

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Seu protótipo voou pela primeira vez em 31 de dezembro de 1968, cerca de dois meses antes do primeiro voo do Concorde franco-britânico.

Poucos meses depois, em 5 de junho de 1969, a aeronave rompeu a barreira do som.

Em maio de 1970, tornou-se o primeiro transporte comercial projetado para passageiros a superar Mach 2, atingindo aproximadamente 2.150 km/h durante os testes.

Tu-144 chegou a Mach 2 antes do Concorde

A corrida pelo transporte supersônico envolvia muito mais do que diminuir algumas horas de viagem.

Naquele período, colocar uma aeronave comercial acima de Mach 2 exigia resolver problemas de aerodinâmica, aquecimento estrutural, consumo de combustível, estabilidade e resistência dos materiais.

O Tu-144 acabou chegando primeiro a alguns dos principais marcos dessa competição.

Além de realizar seu voo inaugural antes do Concorde, também rompeu Mach 1 e Mach 2 antes do rival europeu.

Sua velocidade de cruzeiro em serviço ficava na faixa de 2.200 km/h, aproximadamente Mach 2, segundo registros históricos do programa.

Nessa velocidade, uma aeronave atravessa em uma hora uma distância que um avião comercial convencional levaria muito mais tempo para percorrer.

É justamente essa combinação de velocidade e mudança de fusos horários que torna possíveis situações aparentemente estranhas no relógio, como chegar a um destino em um horário local anterior ao horário de partida registrado no aeroporto de origem.

Tupolev Tu-144 durante voo de testes em 1973; o jato soviético tornou-se o primeiro transporte comercial projetado para passageiros a superar Mach 2. Crédito: Lev Polikashin / RIA Novosti / Wikimedia Commons

Fusos horários permitem “repetir” uma virada de ano

Cruzar a Linha Internacional de Data ou viajar rapidamente no sentido oeste pode produzir efeitos curiosos no calendário.

O passageiro não volta fisicamente no tempo.

O que muda é a hora oficial adotada em cada região do planeta.

Em determinados itinerários, uma pessoa pode celebrar a meia-noite em uma cidade, embarcar e chegar a outra região onde ainda é 31 de dezembro, tendo a possibilidade de acompanhar uma nova virada.

Esse tipo de experiência realmente foi explorado durante a era dos voos supersônicos.

Há registros históricos de operações especiais do Concorde organizadas em torno do Ano-Novo, incluindo viagens planejadas especificamente para aproveitar fusos horários e cruzamentos internacionais.

No caso específico da história envolvendo 70 empresários japoneses, Tóquio, o Pacífico e Los Angeles a bordo de um Tu-144, porém, não foi localizado um registro histórico independente e confiável que detalhe o voo, sua data, matrícula da aeronave ou empresa responsável pelo fretamento.

Serviço de passageiros do Tu-144 foi extremamente curto

A história operacional conhecida do jato soviético ajuda a dimensionar essa questão.

A Aeroflot começou a utilizar o Tu-144 no transporte de carga e correio entre Moscou e Alma-Ata, atual Almaty, no Cazaquistão, em dezembro de 1975.

O serviço regular de passageiros só começou em 1º de novembro de 1977.

Segundo a NASA, problemas técnicos e limitações de alcance fizeram com que a operação fosse encerrada em 1978.

Fontes históricas contabilizam 55 voos regulares com passageiros, dentro de pouco mais de uma centena de operações comerciais que também incluíram transporte de carga.

Interior da cabine de passageiros de um Tupolev Tu-144 preservado na Alemanha mostra como era o espaço destinado aos viajantes do supersônico soviético. Crédito: Oliver Gerber / Wikimedia Commons

O National Air and Space Museum, do Smithsonian, registra que o Tu-144 operou apenas a ligação entre Moscou e Almaty em seu serviço regular de passageiros.

Isso fez com que sua carreira fosse muito diferente da do Concorde, que permaneceu transportando passageiros por décadas e realizou voos transatlânticos, fretamentos e operações especiais.

Tupolev Tu-144 preservado no Technik Museum Sinsheim mostra o desenho de asas delta desenvolvido para sustentar voos em velocidades supersônicas. Crédito: Hans-Peter Scholz / Wikimedia Commons

Acidente em Paris marcou o desenvolvimento do Tu-144

Um dos episódios mais conhecidos da história do Tu-144 ocorreu antes mesmo do início dos voos regulares de passageiros.

Em 3 de junho de 1973, uma aeronave caiu durante uma apresentação no Paris Air Show, em Le Bourget.

O acidente matou os seis ocupantes e pessoas que estavam no solo, atingindo a imagem internacional de um programa que buscava demonstrar a capacidade tecnológica soviética justamente diante do público ocidental.

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Mesmo assim, o desenvolvimento prosseguiu.

A União Soviética continuou testando versões modificadas e tentou melhorar autonomia, motores e confiabilidade antes de colocar passageiros nos voos regulares.

Outro acidente, dessa vez com uma versão Tu-144D durante um voo de testes em maio de 1978, ocorreu pouco antes do encerramento das operações regulares de passageiros.

Consumo e alcance dificultaram a operação comercial

Voar a Mach 2 tinha um preço.

A aeronave precisava enfrentar arrasto elevado, aquecimento provocado pelo deslocamento em alta velocidade e enorme demanda energética dos motores.

O Smithsonian destaca que o Tu-144 era ineficiente e caro de operar, além de apresentar problemas técnicos que dificultaram a criação de um serviço comercial sustentável.

As primeiras versões também tinham limitações de alcance importantes.

Isso ajuda a explicar por que a combinação de velocidade extraordinária com uma grande rede de rotas internacionais nunca se concretizou da maneira imaginada durante os primeiros anos do programa.

O Concorde enfrentava muitos dos mesmos desafios econômicos, mas conseguiu permanecer em operação comercial até 2003, principalmente em rotas premium sobre o Atlântico.

Tu-144 ganhou nova vida como laboratório da NASA

O fim do transporte regular não significou o desaparecimento imediato da aeronave.

Décadas depois, um Tu-144D foi profundamente modificado para participar de um programa conjunto envolvendo NASA, empresas norte-americanas e especialistas russos.

A aeronave passou a ser chamada de Tu-144LL, ou laboratório voador.

Entre 1996 e 1999, pesquisadores utilizaram o jato para estudar aerodinâmica supersônica, ruído, comportamento estrutural, propulsão, temperatura e características de pilotagem.

O programa realizou dezenas de testes em solo e no ar, incluindo voos acima de Mach 2.

A ideia era aproveitar uma aeronave já existente para coletar informações que pudessem contribuir para uma futura geração de transportes supersônicos mais econômicos e menos agressivos ao ambiente.

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Legado do Tu-144 permanece ligado à tecnologia supersônica

A carreira comercial durou poucos meses, mas o Tu-144 conseguiu feitos que permanecem importantes na história da aviação.

Ele voou antes do Concorde, rompeu a barreira do som antes do concorrente e tornou-se o primeiro transporte comercial projetado para passageiros a ultrapassar Mach 2.

Ao mesmo tempo, sua trajetória mostrou que velocidade por si só não garante sucesso comercial.

Alcance, confiabilidade, custos, manutenção, ruído e consumo de combustível acabaram pesando tanto quanto a capacidade de atravessar o céu a mais de 2 mil km/h.

A possibilidade de usar uma aeronave supersônica para desafiar fusos horários continua sendo uma das imagens mais fascinantes daquela época, mas a curta operação regular do Tu-144 mostra como a realidade da aviação comercial era bem menos simples do que apenas acelerar até Mach 2.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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