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Antiga mina de carvão na Espanha recebe 547 bilhões de litros de água ao longo de quatro anos, vira lago de 865 hectares com praia artificial de 400 metros e integra recuperação de 2.400 hectares onde centenas de espécies voltaram a ocupar a paisagem
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 25/08/2026 às 09:54
Atualizado em 25/08/2026 às 09:55
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Em As Pontes, na Galícia, uma mina de carvão recebeu 547 bilhões de litros de água entre 2008 e 2012 e virou lago de 865 hectares. A recuperação alcançou 2.400 hectares, criou praia artificial de 400 metros e favoreceu o retorno de 217 espécies vegetais e 205 vertebrados à região.
Uma antiga mina de linhito a céu aberto em As Pontes de García Rodríguez, na Galícia, no noroeste da Espanha, passou por uma transformação de grande escala depois do encerramento da exploração. A cratera recebeu gradualmente cerca de 547 bilhões de litros de água e deu origem ao Lago de As Pontes, hoje com aproximadamente 865 hectares.
As informações foram publicadas pelo Diário do Litoral em 19 de agosto de 2026, em reportagem de Augusto Martins. A recuperação não ficou limitada ao reservatório: aproximadamente 2.400 hectares do antigo complexo minerador passaram por restauração ambiental, enquanto áreas antes ocupadas pela atividade industrial receberam novamente vegetação e fauna.
Endesa assumiu a mina em 1972 e usava linhito em usina termelétrica
A exploração de linhito ganhou escala industrial durante a segunda metade do século XX. A Endesa assumiu a mina em 1972 e utilizava o carvão retirado da jazida para abastecer a grande usina termelétrica instalada nas proximidades.
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Entre 1976 e 2007, a exploração industrial retirou aproximadamente 270 milhões de toneladas de linhito da região, segundo estudo científico publicado em 2026.
Décadas de escavação deixaram uma enorme cratera a céu aberto
A retirada de centenas de milhões de toneladas de material alterou profundamente a paisagem de As Pontes.
As escavações formaram uma gigantesca mina a céu aberto, enquanto mudanças no setor energético e nas normas ambientais europeias contribuíram para o encerramento da exploração em 2007.
Enchimento começou em 2008 e levou cerca de quatro anos
A antiga cava não recebeu os 547 bilhões de litros de uma única vez.
Entre 2008 e 2012, a água entrou gradualmente na cratera a partir de diferentes fontes disponíveis na região. Especialistas acompanharam o ritmo do enchimento e as alterações provocadas pela formação do reservatório.
Processo terminou em abril de 2012 com lago de 865 hectares
O enchimento foi concluído em abril de 2012.
Naquele momento, o Lago de As Pontes ocupava aproximadamente 865 hectares, consolidando a mudança física de uma área que havia sido marcada durante décadas pela retirada de carvão.
Volume chegou a 547 hectômetros cúbicos de água
O reservatório acumulou aproximadamente 547 hectômetros cúbicos, equivalentes a 547 bilhões de litros.
A quantidade corresponde, em uma comparação apresentada no projeto, ao volume necessário para encher cerca de 219 mil piscinas olímpicas com capacidade de 2,5 milhões de litros cada. A Endesa apresenta As Pontes como o maior lago artificial da Espanha.
Praia artificial de 400 metros abriu ao público em 2012
A recuperação também criou uma estrutura de lazer às margens do lago.
A Praia do Lago de As Pontes possui aproximadamente 400 metros de extensão e foi aberta ao público em 2012, permitindo que uma área antes dedicada à mineração passasse a receber banhistas e visitantes.
Caiaque, canoagem e banho passaram a ocupar antiga área mineradora
O lago passou a ser utilizado para diferentes atividades aquáticas.
Moradores e turistas podem praticar caiaque, canoagem e outros esportes, além de utilizar a área para banho durante os períodos apropriados. No verão europeu, o município mantém estrutura de segurança e salva-vidas na região destinada aos banhistas.
Praia recebeu Bandeira Azul pelo sexto ano consecutivo em 2026
Em maio de 2026, a praia recebeu a Bandeira Azul pelo sexto ano consecutivo.
O reconhecimento considera critérios relacionados à qualidade ambiental, segurança, acessibilidade e serviços disponibilizados aos visitantes.
Recuperação ambiental avançou por 2.400 hectares
O projeto ultrapassou os limites da cratera transformada em lago.
Terrenos ao redor da antiga jazida, incluindo áreas utilizadas para armazenar materiais retirados durante as escavações, também entraram no processo de restauração. O trabalho alcançou aproximadamente 2.400 hectares, equivalentes a 24 km².
Pradarias, florestas e zonas úmidas voltaram a ocupar a área
A cobertura do terreno mudou gradualmente depois da mineração.
Pradarias, vegetação rasteira, florestas e zonas úmidas passaram a ocupar novamente partes do antigo complexo, formando ambientes distintos ao redor do reservatório.
Levantamentos identificaram 217 espécies vegetais e 205 vertebrados
A recuperação também foi acompanhada pelo retorno da fauna às áreas restauradas.
Levantamentos divulgados pela Endesa identificaram 217 espécies vegetais e 205 espécies de animais vertebrados nos terrenos recuperados, incluindo diferentes aves e mamíferos.
Formação do lago exigiu monitoramento das condições químicas da água
Transformar uma mina a céu aberto em um reservatório trouxe desafios ambientais próprios.
Décadas de escavação deixaram minerais expostos e, em contato com a água, esses materiais podem provocar alterações químicas relacionadas a fatores como acidez e concentração de oxigênio. Por isso, pesquisadores acompanharam o lago durante e depois do enchimento.
Camadas profundas apresentam menos oxigênio que a superfície
Os estudos identificaram diferenças entre as diversas profundidades do reservatório.
A água próxima à superfície permanece mais oxigenada, enquanto regiões profundas apresentam menor disponibilidade de oxigênio. Temperatura, minerais e a origem da água estão entre os elementos que ajudam a explicar essas características.
Recuperação não devolveu a área ao ecossistema existente antes da mineração
A presença de água azul, vegetação e animais não significa que As Pontes tenha retornado exatamente às condições anteriores à exploração do linhito.
O próprio lago existe porque décadas de escavações alteraram profundamente o terreno. O processo representa, portanto, a recuperação de uma área industrial degradada, e não a reconstrução integral do ecossistema original.
Lago de 865 hectares substitui cenário onde foram retiradas 270 milhões de toneladas de linhito
O contraste entre as duas fases permanece visível em As Pontes. Onde grandes máquinas extraíram aproximadamente 270 milhões de toneladas de linhito, existe hoje um reservatório de 865 hectares cercado por milhares de hectares submetidos à recuperação ambiental.
A transformação acrescentou uma praia artificial de 400 metros, atividades de lazer e esportes aquáticos à paisagem, enquanto levantamentos registraram centenas de espécies vegetais e animais nos terrenos recuperados. A área continua sendo monitorada porque o novo ambiente mantém características diretamente ligadas ao passado minerador.
Na sua opinião, transformar antigas áreas de mineração em lagos, espaços de lazer e zonas de recuperação ambiental é um bom destino para terrenos degradados pela atividade industrial? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

