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ANTT libera o edital do corredor ferroviário que vai ligar o interior de Minas ao porto de Angra dos Reis, com 733 quilômetros divididos em dois lotes e leilão marcado para o último trimestre

ANTT libera o edital do corredor ferroviário que vai ligar o interior de Minas ao porto de Angra dos Reis, com 733 quilômetros divididos em dois lotes e leilão marcado para o último trimestre

5 min de leitura

ANTT libera o edital do corredor ferroviário que vai ligar o interior de Minas ao porto de Angra dos Reis, com 733 quilômetros divididos em dois lotes e leilão marcado para o último trimestre

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 31/08/2026 às 08:35

Atualizado em 31/08/2026 às 08:40

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A ANTT aprovou a versão final do edital que vai a leilão o corredor ferroviário Minas-Rio, um traçado de 733 quilômetros dividido em dois lotes que sai do interior mineiro e termina no porto de Angra dos Reis, com disputa marcada para o último trimestre deste ano.

A decisão foi tomada pela diretoria da Agência Nacional de Transportes Terrestres no dia 27 de agosto. Segundo o Diário do Grande ABC, as mudanças feitas nesta etapa têm natureza procedimental e não alteram a modelagem econômica, jurídica ou técnica já analisada pelo Tribunal de Contas da União.

A agência registrou atendimento integral às determinações e recomendações do TCU. É o passo que costuma travar projetos de concessão por meses, e nesse caso ficou resolvido antes da publicação do documento.

Como o corredor ferroviário foi dividido

O projeto vai ao mercado em dois lotes, e a divisão tem lógica geográfica clara. O primeiro reúne os trechos entre Iguatama, em Minas Gerais, e Barra Mansa, no Rio de Janeiro, mais o ramal que liga Varginha a Lavras, também em território mineiro.

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O segundo lote é o pedaço que faz a ligação final com o mar: de Barra Mansa até Angra dos Reis, no litoral fluminense. Somados, os dois blocos alcançam aproximadamente 733 quilômetros de extensão.

Separar o traçado em dois pedaços não é decisão apenas administrativa. Ela permite que empresas com perfis diferentes disputem partes distintas do sistema, e evita concentrar todo o risco de execução em um único contrato. O trecho que chega ao porto tem características próprias, com relevo mais complicado e conexão portuária, e atrai um tipo de operador diferente do trecho de planalto.

O que esse eixo resolve, e por que ele importa para o agro e para a indústria

Ligar o interior de Minas ao litoral do Rio não é ambição nova. A região atravessada concentra produção mineral e agrícola que hoje depende fortemente de rodovia para chegar ao porto, com custo por tonelada bem maior e pressão constante sobre estradas que não foram desenhadas para esse volume.

Ferrovia muda essa conta quando existe escala e quando o trecho chega efetivamente ao terminal. Composição de carga transporta em uma viagem o que exigiria dezenas de caminhões, com consumo de combustível por tonelada transportada muito menor.

Por isso o segundo lote, o que termina em Angra dos Reis, é a peça decisiva do desenho. Uma ferrovia que para antes do porto obriga transbordo para caminhão no último trecho, e o transbordo costuma comer boa parte da economia que o modal ferroviário havia gerado até ali.

Há um dado geográfico que reforça o valor do traçado. Angra dos Reis fica em uma faixa de litoral com águas profundas próximas à costa, característica que permite receber navios de maior calado sem obra de dragagem permanente. Para carga a granel, calado disponível é o que define se o porto compete de igual para igual.

Do lado de Minas, o ponto de partida em Iguatama e o ramal Varginha-Lavras alcançam uma região de produção diversificada, que combina mineração, café e indústria de transformação. Não é um corredor de produto único, e isso costuma tornar a demanda mais estável ao longo do ano.

O leilão entra numa fila de oito até 2027

A publicação do edital e o leilão com lances ao vivo estão previstos para o último trimestre de 2026. O corredor Minas-Rio, porém, não caminha sozinho.

Conforme o noticiado, o Ministério dos Transportes pretende realizar oito leilões ferroviários até 2027, com um montante de investimentos que gira em torno de R$ 140 bilhões. Vale a ressalva: esse valor é do programa inteiro, não deste corredor isoladamente, e a fonte não divulgou o investimento específico do Minas-Rio.

No mesmo movimento aparece a outra ponta da política ferroviária. A proposta de renovação antecipada da FCA, aprovada pela ANTT e enviada ao TCU, prevê a devolução de cerca de 3,1 mil quilômetros considerados de baixa viabilidade operacional, com compensação estimada de R$ 4,2 bilhões à União.

Olhando assim, os dois movimentos formam uma pinça. De um lado, devolver malha ociosa que a concessionária não conseguiu operar. De outro, licitar traçados novos com desenho e obrigações atualizadas. É uma tentativa de reorganizar a malha em vez de apenas somar quilômetros ao mapa.

Vale notar o que a devolução de malha revela sobre o modelo anterior. Concessões ferroviárias antigas entregaram trechos extensos em pacote único, e parte deles nunca teve demanda que justificasse operação. O resultado foi quilometragem no contrato e trilho abandonado no campo, situação que o novo desenho tenta evitar licitando extensões menores e mais aderentes à carga existente.

O histórico recomenda cautela com cronograma. Leilão previsto para o último trimestre depende de publicação do edital, de prazo legal para as propostas e da ausência de questionamento judicial, e projetos de infraestrutura ferroviária no Brasil raramente atravessam essa sequência sem algum atraso.

Para o mercado, a leitura da modelagem também importa. Investidor de infraestrutura avalia demanda contratada, obrigação de investimento e regra de reequilíbrio antes de decidir se entra na disputa, e um edital que já passou pelo crivo do TCU reduz o risco de mudança de regra depois da assinatura.

Esse é justamente o histórico que pesou contra concessões anteriores. Contratos revistos no meio do caminho azedaram a relação entre poder concedente e operador, e recompor essa confiança é parte do que se testa em cada novo leilão.

Ainda assim, a aprovação do edital com aval do TCU já resolvido tira do caminho o obstáculo que costuma ser o mais demorado. Daqui para frente, o que separa o projeto do mercado é procedimento, não modelagem.

Ferrovia de 733 km ligando Minas ao porto de Angra sai mesmo do papel, ou o que você acha que trava antes?

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Fontes

Diário do Grande ABC — ANTT aprova edital e libera leilão do corredor ferroviário Minas-Rio

CNN Brasil — Leilão do corredor Minas-Rio é aprovado e segue para o TCU


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

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