Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Ao som de “A Vida É Desafio”, jovem quilombola recebe diploma de Nutrição em Santa Catarina, dedica a conquista à família e à comunidade e viraliza ao explicar que chegar à universidade não prova que qualquer pessoa consegue, mas revela como a educação pode abrir caminhos mesmo diante de barreiras

Ao som de “A Vida É Desafio”, jovem quilombola recebe diploma de Nutrição em Santa Catarina, dedica a conquista à família e à comunidade e viraliza ao explicar que chegar à universidade não prova que qualquer pessoa consegue, mas revela como a educação pode abrir caminhos mesmo diante de barreiras

7 min de leitura

Ao som de “A Vida É Desafio”, jovem quilombola recebe diploma de Nutrição em Santa Catarina, dedica a conquista à família e à comunidade e viraliza ao explicar que chegar à universidade não prova que qualquer pessoa consegue, mas revela como a educação pode abrir caminhos mesmo diante de barreiras

Escrito por Carla Teles

Publicado em 05/08/2026 às 10:48

Atualizado em 05/08/2026 às 10:49

Curiosidades

Canal

Jovem quilombola recebe diploma de Nutrição ao som dos Racionais MC’s e mostra como a educação pode abrir caminhos. Imagem: Reprodução/Redes Sociais/@lucasmachado.nutri.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

O jovem quilombola Lucas Machado concluiu Nutrição em Santa Catarina, entrou na colação de grau ao som dos Racionais MC’s, dedicou o diploma à família, às raízes e à comunidade e emocionou milhares ao dizer que a conquista não prova que qualquer pessoa consegue, mas que a educação pode abrir caminhos.

O jovem quilombola Lucas Machado recebeu o diploma de bacharel em Nutrição durante uma colação de grau realizada em Santa Catarina e transformou sua entrada na cerimônia em um momento de representatividade. Ao caminhar em direção ao palco, ele escolheu como trilha “A Vida É Desafio”, dos Racionais MC’s, música que relaciona à própria trajetória até o ensino superior e às dificuldades enfrentadas ao longo desse caminho.

A história ganhou repercussão nas redes sociais em agosto de 2026, depois que o vídeo da cerimônia foi compartilhado e recebeu milhares de mensagens de apoio. Lucas explicou que a formatura não deveria ser interpretada como prova de que todas as pessoas conseguem chegar à universidade apenas por esforço individual, mas como demonstração de que a educação pode abrir possibilidades mesmo quando existem barreiras sociais, econômicas e históricas.

Entrada transformou a cerimônia

Imagem: Reprodução/Redes Sociais/@lucasmachado.nutri.

A chegada de Lucas ao auditório ocorreu sob os versos de “A Vida É Desafio”, composição dos Racionais MC’s marcada por reflexões sobre desigualdade, resistência, escolhas e esperança. Enquanto o jovem quilombola caminhava para receber o diploma, colegas e familiares acompanharam um momento que ultrapassou o protocolo tradicional de uma colação de grau e passou a representar uma trajetória coletiva.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

A escolha da música não teve apenas função de entretenimento ou celebração. Para Lucas, a letra traduz experiências que muitas pessoas preferem não enxergar e ajuda a explicar por que sua presença naquele espaço possuía significado social. A canção tornou visível uma caminhada que começou antes da universidade e envolveu obstáculos que não desaparecem apenas com a entrega de um diploma.

Vídeo alcançou milhares de pessoas

As imagens da entrada foram publicadas nas redes sociais e rapidamente começaram a circular entre usuários que se identificaram com a mensagem. Muitas reações destacaram a força da escolha musical, o simbolismo da formatura e a importância de pessoas de comunidades quilombolas ocuparem espaços historicamente menos acessíveis.

A repercussão também ampliou o alcance da reflexão feita pelo formando. O vídeo não viralizou apenas pela emoção da cerimônia, mas porque Lucas recusou uma interpretação simplificada de sua conquista e apresentou uma mensagem capaz de provocar debate sobre mérito individual, oportunidades, desigualdade e acesso ao ensino superior.

Diploma foi dedicado à família

Depois da cerimônia, Lucas afirmou que a conclusão do curso de Nutrição não pertencia exclusivamente a ele. O jovem quilombola dedicou o diploma à família, reconhecendo o apoio recebido durante os anos de estudo, as dificuldades superadas e as decisões que permitiram a continuidade da graduação até o momento da formatura.

Essa dedicação mostra como trajetórias universitárias podem envolver redes de apoio que não aparecem no documento entregue ao final do curso. Por trás da conquista individual existem pessoas que oferecem incentivo, estrutura emocional, confiança e presença, especialmente nos períodos em que as exigências acadêmicas e as barreiras externas tornam a permanência mais difícil.

Comunidade também recebeu homenagem

Lucas incluiu sua comunidade quilombola entre os destinatários simbólicos do diploma. Ao fazer isso, relacionou a formação profissional às próprias origens e à história das pessoas que contribuíram para sua identidade, demonstrando que a passagem pela universidade não representou afastamento das raízes.

A homenagem reforçou o caráter coletivo da conquista. O diploma passou a simbolizar não apenas uma profissão, mas a ocupação de um espaço educacional por alguém que levou consigo sua família, sua história e sua comunidade, recusando a ideia de que crescer academicamente exige apagar o lugar de onde se veio.

Formação ocorreu na área de Nutrição

Lucas concluiu o bacharelado em Nutrição, formação voltada ao estudo da alimentação, dos nutrientes e das relações entre hábitos alimentares e saúde. A cerimônia marcou o encerramento da etapa universitária e o início de uma nova fase profissional, acompanhada das responsabilidades associadas à formação recebida.

Para o jovem quilombola, entretanto, a graduação possuía um significado que ia além da preparação para o mercado de trabalho. A conclusão do curso reuniu conhecimento, identidade, resistência e compromisso, transformando a escolha profissional em parte de uma trajetória mais ampla de acesso à educação e abertura de novos caminhos.

Conquista não apaga as barreiras

Em sua publicação, Lucas afirmou que a formatura não comprova a frase segundo a qual “quem quer, consegue”. A declaração questiona discursos que atribuem qualquer resultado exclusivamente ao esforço pessoal, sem considerar desigualdades de renda, território, origem, acesso escolar, apoio familiar e oportunidades acumuladas ao longo da vida.

Ao reconhecer as próprias barreiras, ele não diminuiu o valor do esforço realizado. A mensagem mostra que dedicação e desigualdade podem existir ao mesmo tempo, pois uma pessoa pode trabalhar intensamente para alcançar determinado objetivo e ainda enfrentar obstáculos que outras não encontram durante o mesmo percurso.

Educação pode abrir caminhos

A leitura apresentada por Lucas coloca a educação como uma possibilidade concreta de transformação, mas não como solução automática para todas as desigualdades. O acesso à universidade permitiu que ele concluísse uma formação profissional e alcançasse um espaço importante, embora sua fala reconheça que nem todas as pessoas partem das mesmas condições.

A educação abre caminhos quando existe oportunidade real de entrada, permanência e conclusão. A trajetória do jovem quilombola mostra o impacto que o ensino superior pode produzir, mas também convida a observar quantas pessoas continuam afastadas desses espaços por dificuldades financeiras, sociais, territoriais ou estruturais.

Música expressou resistência e esperança

“A Vida É Desafio” foi lançada pelos Racionais MC’s e aborda uma realidade marcada por dificuldades, escolhas, resistência e busca por um futuro diferente. Ao utilizar a canção na formatura, Lucas conectou a mensagem do rap brasileiro a uma conquista acadêmica construída em um contexto distinto, mas atravessada por temas semelhantes.

A presença da música dentro de uma cerimônia formal também ampliou o significado do momento. O rap entrou na colação como linguagem de memória e pertencimento, mostrando que referências culturais ligadas às periferias e às experiências negras podem acompanhar estudantes em espaços universitários sem perder sua força original.

Representatividade emocionou a turma

Colegas, familiares e pessoas que acompanharam o vídeo reagiram à presença de Lucas e à mensagem construída durante a entrada. A emoção não esteve apenas no ato de receber um diploma, mas na percepção de que aquela caminhada representava uma ruptura com barreiras que historicamente dificultaram o acesso de determinados grupos à universidade.

Quando um jovem quilombola conclui o ensino superior e reconhece publicamente suas raízes, outras pessoas podem enxergar possibilidades antes consideradas distantes. Representatividade não elimina obstáculos, mas torna visível que esses espaços podem ser ocupados, criando referências para crianças, adolescentes e adultos que compartilham experiências semelhantes.

Formatura iniciou uma nova etapa

Video: Reprodução/Redes sociais/@lucasmachado.nutri.

O encerramento da graduação também marcou o começo de uma fase profissional para Lucas. A formação em Nutrição abre possibilidades de atuação, mas o significado atribuído por ele ao diploma indica que essa nova etapa deverá continuar ligada à responsabilidade de honrar a trajetória e as pessoas que participaram dela.

O formando afirmou que a conquista cria o compromisso de abrir caminhos para outros. Essa perspectiva transforma o sucesso pessoal em responsabilidade coletiva, porque o avanço de uma pessoa pode produzir novas referências, estimular permanências escolares e contribuir para que outras trajetórias encontrem condições mais favoráveis.

História rejeita explicações simplistas

A repercussão da formatura mostra como histórias de superação podem ser contadas de maneiras diferentes. Uma abordagem poderia apresentar apenas a vitória individual, enquanto Lucas preferiu destacar que chegar à universidade não prova a inexistência de barreiras e não permite concluir que qualquer pessoa conseguiria repetir o mesmo percurso apenas com vontade.

Essa posição deu profundidade à história e evitou transformar a conquista em argumento contra quem ainda não teve acesso às mesmas oportunidades. O jovem quilombola celebrou o resultado sem apagar as dificuldades, reconhecendo o esforço pessoal, o apoio recebido e as condições desiguais que continuam afetando milhares de estudantes.

Diploma tornou-se símbolo coletivo

Ao receber o diploma de Nutrição ao som dos Racionais MC’s, Lucas Machado reuniu formação acadêmica, identidade quilombola, homenagem familiar e reflexão social em uma única cerimônia. A imagem do formando avançando em direção ao palco passou a representar uma vitória construída com esforço, apoio e conexão permanente com suas origens.

A história também deixa uma pergunta sobre o papel da educação na transformação de trajetórias. Na sua opinião, escolas e universidades brasileiras oferecem condições suficientes para que jovens de comunidades quilombolas entrem, permaneçam e concluam seus cursos, ou ainda existe um longo caminho pela frente? Compartilhe sua visão nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

Sair da versão mobile