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Ao ver o Lago Vitória sufocado por garrafas, tambores e plástico, homem recolhe mais de 10 toneladas de lixo e transforma a poluição em uma impressionante ilha flutuante com jardim, capaz de receber até 100 pessoas sobre a água

Ao ver o Lago Vitória sufocado por garrafas, tambores e plástico, homem recolhe mais de 10 toneladas de lixo e transforma a poluição em uma impressionante ilha flutuante com jardim, capaz de receber até 100 pessoas sobre a água

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Ao ver o Lago Vitória sufocado por garrafas, tambores e plástico, homem recolhe mais de 10 toneladas de lixo e transforma a poluição em uma impressionante ilha flutuante com jardim, capaz de receber até 100 pessoas sobre a água

Escrito por Ana Alice

Publicado em 08/08/2026 às 23:54

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Homem transforma plástico retirado do Lago Vitória em ilha flutuante com jardim, restaurante e espaço para até 100 visitantes sobre a água. (Imagem: Ilustrativa)

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Uma estrutura coberta por plantas esconde sob a água uma história feita de plástico, criatividade e reaproveitamento, em um projeto que transformou resíduos retirados do Lago Vitória em um espaço incomum de convivência e conservação ambiental.

À primeira vista, a estrutura coberta por plantas que flutua perto de Kampala, capital de Uganda, pode parecer apenas um jardim construído sobre a água.

O que sustenta boa parte dela, porém, está escondido sob a superfície: toneladas de garrafas plásticas que poderiam ter permanecido espalhadas pelo Lago Vitória.

A ideia começou com James Kateeba, ex-guia de turismo que decidiu aproveitar parte do lixo retirado do lago para criar uma estrutura capaz de flutuar, receber vegetação e, ao mesmo tempo, funcionar como espaço de convivência.

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O projeto ganhou o nome de Floating Island e, anos depois de sua criação, continua em atividade.

Em novembro de 2025, uma reportagem da CNA mostrou Kateeba ainda trabalhando no local, com visitantes participando inclusive de ações de limpeza da água.

A atualização ajuda a explicar por que uma iniciativa iniciada em 2017 continua chamando atenção.

Em vez de simplesmente retirar garrafas da água e descartá-las em outro lugar, Kateeba encontrou uma maneira de reaproveitar parte desse material dentro da própria estrutura flutuante.

O que existe embaixo desse jardim flutuante

A história começou quando Kateeba passou a observar a quantidade de plástico levada para o Lago Vitória principalmente depois de períodos de chuva.

Ele então começou a pagar pequenos valores a pescadores das proximidades para que recolhessem garrafas encontradas na água e nas margens.

Em apenas seis meses, segundo relato publicado pela Associated Press, mais de 10 toneladas de garrafas foram reunidas.

O material foi agrupado dentro de redes de pesca.

Sobre essa base vieram outros elementos, como solo, papiro, vegetação e a estrutura de madeira utilizada pelos visitantes.

O princípio é relativamente simples: garrafas fechadas mantêm ar em seu interior e oferecem flutuação quando reunidas em grande quantidade.

Com o passar do tempo, as plantas também se tornaram parte visível da estrutura.

Em reportagem publicada em 2024 pelo jornal ugandense Daily Monitor, Kateeba explicou que as raízes crescem entre os materiais da base e ajudam a manter diferentes partes unidas.

A mesma reportagem registrou centenas de milhares de garrafas utilizadas no projeto.

Não se trata, portanto, apenas de um barco cercado por vasos.

A vegetação cresce diretamente sobre partes da estrutura, criando a aparência de um pequeno terreno verde que se movimenta junto com a água.

A Floating Island vista de cima no Lago Vitória, em Kampala, onde garrafas plásticas reaproveitadas fazem parte da base da estrutura coberta por vegetação. Crédito: AP Photo/Patrick Onen.

Ilha flutuante pode sair da margem e navegar pelo Lago Vitória

A Floating Island permanece normalmente presa próximo à margem em Luzira, área de Kampala voltada para o Lago Vitória.

Quando necessário, as amarras podem ser liberadas para que a estrutura se desloque pela água, embora o movimento seja controlado e possa contar com apoio de outra embarcação.

No interior há espaços para refeições, bebidas e permanência dos visitantes.

A estrutura também possui áreas em diferentes níveis, vegetação e instalações sanitárias.

Segundo Kateeba, os resíduos dos banheiros são armazenados em tanques, em vez de serem despejados diretamente no lago.

A capacidade de receber cerca de 100 pessoas, mencionada pela Associated Press em 2023, voltou a aparecer em uma atualização publicada pela CNA em novembro de 2025.

Na ocasião, a plataforma continuava sendo utilizada como atração turística e espaço para ações ambientais.

Isso significa que aquilo que começou como uma tentativa individual de reaproveitar plástico acabou ganhando também função comercial.

Alimentos e bebidas passaram a ser oferecidos aos frequentadores, enquanto Kateeba utiliza o espaço para falar sobre descarte de resíduos e poluição.

Projeto já retirou toneladas de plástico do Lago Vitória

Uma das mudanças registradas desde as primeiras reportagens sobre a ilha está na quantidade total de resíduos recolhidos.

Em 2025, Kateeba disse à CNA que sua iniciativa já havia retirado mais de 20 toneladas de plástico do Lago Vitória.

Parte do material foi utilizada na estrutura, enquanto as atividades de limpeza continuaram sendo realizadas com participantes e visitantes.

A quantidade não significa que o problema ambiental esteja resolvido.

O Lago Vitória recebe resíduos provenientes de áreas urbanas, sistemas de drenagem e outras fontes de poluição.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente já havia alertado para a presença de plástico e microplásticos no ecossistema e citado estudos que identificaram ingestão de plástico por peixes do lago.

A dimensão do lago torna o desafio ainda maior.

O Lago Vitória é compartilhado por Uganda, Quênia e Tanzânia e é o maior lago da África em área.

Segundo a CNA, mais de 47 milhões de pessoas dependem direta ou indiretamente de seus recursos e do ambiente ao redor.

Para Kateeba, a ilha funciona também como uma demonstração de que materiais descartados podem ter outro uso.

Ao falar sobre o início do projeto à Associated Press, ele definiu a iniciativa como “um esforço de conservação”.

Plantas têm função além de esconder as garrafas

A vegetação não foi colocada sobre a estrutura apenas para formar um jardim.

Em entrevista à CNA em 2025, Kateeba explicou que o projeto tenta reproduzir, em pequena escala, processos encontrados naturalmente em áreas úmidas.

Segundo ele, as raízes entram em contato com a água e fazem parte de uma tentativa de biofiltração.

Kateeba afirmou que a intenção é ajudar a reter contaminantes associados a esgoto, óleos e pesticidas, seguindo um princípio semelhante ao observado em ambientes naturais de várzea e brejo.

Essa função, contudo, não transforma a Floating Island em uma solução capaz de limpar todo o Lago Vitória.

A própria escala do problema impede essa interpretação.

A plataforma funciona principalmente como experiência local de reaproveitamento, educação ambiental e coleta de resíduos.

A poluição por microplásticos permanece uma preocupação na região.

Pesquisas científicas já detectaram essas partículas nas águas do Lago Vitória, e estudos posteriores continuam investigando como resíduos transportados por áreas urbanas chegam ao sistema do lago.

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Como nasceu a ilha feita com garrafas plásticas

Kateeba começou a construir a estrutura em 2017.

Naquele período, segundo seu relato, a quantidade de plástico acumulada após as chuvas despertou a ideia de desenvolver algo que pudesse permanecer sobre a própria água.

Uma das inspirações veio de embarcações e plataformas tradicionais feitas com materiais vegetais.

Em entrevista publicada pelo Daily Monitor, ele contou ter observado referências a comunidades pesqueiras que utilizavam bambu e outros materiais com capacidade natural de flutuação.

A partir daí, adaptou o princípio para garrafas plásticas descartadas.

O projeto foi sendo modificado com o passar dos anos.

A área destinada a visitantes aumentou, novos espaços foram construídos e a estrutura passou a reunir restaurante, bar, vegetação e pontos para observar o lago.

Mesmo depois de anos na água, a Floating Island continuava recebendo visitantes em 2025, segundo a atualização da CNA.

Nos fins de semana, algumas pessoas também participavam da retirada de resíduos enquanto utilizavam o espaço para lazer.

O contraste permanece no centro da história: aquilo que chega ao Lago Vitória como lixo acaba sendo recolhido, agrupado e usado como parte de uma estrutura capaz de sustentar madeira, solo, plantas e dezenas de pessoas sobre a água.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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