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Aos 10 anos, pequeno “gênio” com QI 162 aprende em ritmo tão fora do padrão que a própria mãe precisou buscar especialistas para entender suas altas habilidades; David transformou episódios de bullying em projeto com inteligência artificial, já se aventura por sete idiomas, experiências ligadas à NASA e sonha em realizar uma cirurgia no espaço
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 26/08/2026 às 18:28
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David Camacho tem QI 162, estuda idiomas, passou por treinamento ligado à Nasa e criou um projeto após sofrer bullying na escola.
Aos 10 anos, David Camacho já havia passado por uma experiência escolar que poderia ter se limitado a uma lembrança difícil. Em vez disso, o estudante mexicano decidiu transformar os episódios de bullying que enfrentou em uma ideia voltada justamente a outras crianças: uma plataforma digital com inteligência artificial destinada ao desenvolvimento de habilidades para lidar com emoções.
Ao mesmo tempo, sua rotina inclui estudos em diferentes idiomas, palestras, preparação de um livro e planos profissionais que chegam até uma possível carreira ligada ao espaço.
A trajetória do garoto de Querétaro, no México, ganhou repercussão em reportagem publicada pelo g1 e pela BBC News em 2026. David obteve QI de 162, mas evita tratar a pontuação como uma espécie de título pessoal. Para ele, ter facilidade para aprender não significa saber tudo nem justifica automaticamente ser chamado de gênio.
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Bullying virou ponto de partida para projeto criado por David Camacho
Uma das iniciativas mais concretas de David nasceu de uma situação que nada tinha a ver com medalhas, testes ou desempenho acadêmico. O garoto contou ter sofrido bullying em uma escola onde esperava encontrar um ambiente favorável ao aprendizado.
Segundo seu relato à BBC News Mundo, a diferença no ritmo de aprendizagem gerava estranhamento entre colegas. Ele percebia que conseguia acompanhar determinados conteúdos rapidamente e demonstrava interesse por assuntos que nem sempre despertavam a mesma atenção nas outras crianças.
A experiência acabou sendo reaproveitada em um novo projeto. David passou a desenvolver o Macayos, plataforma digital mexicana que utiliza inteligência artificial para trabalhar, de forma lúdica, habilidades relacionadas à gestão das emoções.
A previsão apresentada na reportagem era de que a ferramenta fosse disponibilizada ainda em 2026. Com isso, um problema vivido no convívio escolar passou a alimentar uma proposta com outra direção: ajudar crianças a entender melhor sentimentos, reações e relações interpessoais.
Facilidade para aprender apareceu antes de qualquer teste de QI
A família percebeu sinais de um ritmo de aprendizagem diferente muito antes de chegar ao número 162. Claudia Flores, mãe de David Camacho, recordou que o filho apresentava memória incomum ainda pequeno. Em uma viagem longa de carro, por exemplo, demonstrou lembrar dezenas de músicas infantis.
Quando iniciou a escola, o entusiasmo inicial durou pouco. David passou a pedir contato com turmas mais avançadas porque considerava que precisava de desafios maiores.
Foi durante a pandemia de covid-19, porém, que Claudia conseguiu acompanhar de perto a dinâmica das aulas remotas. Sentada ao lado do filho, percebeu como ele assimilava rapidamente aquilo que era ensinado e decidiu investigar melhor o comportamento.
Um exercício doméstico ilustrou a situação. Ao tentar descobrir até onde ia o conhecimento numérico do menino, a conversa avançou até números na ordem dos milhões. A partir daí, a família procurou informações e profissionais especializados em crianças com altas habilidades.
QI 162 não significa ter resposta pronta para qualquer pergunta
A pontuação elevada também trouxe um tipo particular de cobrança. David Camacho relatou que algumas pessoas passaram a desafiá-lo com cálculos ou perguntas aleatórias, como se um resultado alto em teste de inteligência significasse possuir conhecimento ilimitado.
Ele rejeita essa interpretação.
Na visão do estudante, rapidez para aprender não substitui o processo de ensino. Se determinado conteúdo ainda não lhe foi apresentado, não existe obrigação de conhecê-lo apenas por ter altas habilidades.
Essa percepção ajuda a explicar por que David também evita as comparações frequentes com figuras históricas da ciência. Stephen Hawking e Albert Einstein, por exemplo, aparecem muitas vezes em referências públicas relacionadas a estimativas de QI próximas de 160.
O menino prefere não usar esse tipo de paralelo para definir a própria trajetória. Aos 10 anos, considera que ainda está no início de sua formação e que realizações futuras serão mais importantes do que um número obtido em avaliação cognitiva.
Leonardo da Vinci virou referência por reunir áreas diferentes
Existe, entretanto, uma personalidade histórica que exerce influência direta sobre o estudante: Leonardo da Vinci. A admiração começou no jardim de infância, quando uma professora apresentou ao garoto a característica multidisciplinar do artista e inventor renascentista.
David ficou especialmente interessado na capacidade de Da Vinci de circular por campos diferentes do conhecimento. O impacto foi suficiente para gerar até uma identidade usada pelo menino na internet: “David da Vinci”.
A escolha combina com os interesses que ele passou a acumular. David Camacho não pretende restringir o futuro a uma única área, e suas ideias misturam medicina, engenharia, tecnologia, negócios e exploração espacial.
Essa amplitude também explica por que ele fala sobre profissões que normalmente seriam consideradas independentes umas das outras.
Sonho de fazer cirurgia no espaço reúne medicina e exploração espacial
Entre as possibilidades profissionais mencionadas por David está realizar, algum dia, uma cirurgia fora da Terra. O interesse não surgiu apenas de vídeos ou livros. O estudante foi selecionado para uma experiência na sede da Nasa em Houston, no Texas, onde participou de atividades relacionadas ao treinamento espacial.
Durante a passagem pelo local, teve contato com simulação de voo e experiência de gravidade zero. Depois dessa vivência, o espaço permaneceu entre suas possibilidades de futuro.
Ele também cita o desejo de criar uma empresa com dimensão semelhante à alcançada pela SpaceX, mas sem abandonar interesses ligados à medicina e às ciências humanas. O ponto central do projeto de vida de David Camacho parece ser justamente não escolher cedo demais uma única direção.
Idiomas ocupam outra parte da formação
Enquanto projeta carreiras futuras, o estudante continua em formação escolar por meio de uma instituição internacional online, modelo que deverá fornecer a certificação necessária para seu ingresso posterior no ensino superior.
Os idiomas formam outro eixo da rotina. David já se comunica em espanhol, inglês, francês e alemão. Além dessas quatro línguas, começou a estudar português, italiano e russo. A velocidade de aprendizagem é uma característica que ele próprio reconhece como positiva.
O estudante afirma valorizar a capacidade de compreender novos conteúdos em menos tempo, mas associa essa facilidade a uma responsabilidade: gostaria de transformar aquilo que aprende em algo útil para outras pessoas. Essa ideia aparece tanto no interesse por ciência quanto no aplicativo desenvolvido após os episódios de bullying.
A facilidade acadêmica também produziu dificuldades de integração. David afirma que parte significativa de suas conversas ocorre com adultos porque nem sempre consegue se identificar com crianças da mesma idade em determinados interesses.
Isso não significa, porém, que tenha abandonado atividades comuns da infância. O menino continua brincando com blocos de montar, frequentando parques e mantendo passatempos próprios de sua faixa etária. A família procura preservar justamente essa dimensão.
Claudia diferencia o filho da figura pública que passou a chamar atenção por suas atividades acadêmicas. Em casa, descreve uma criança tranquila e afetuosa; já a rotina de “David da Vinci” é marcada pela velocidade com que surgem novas ideias, assuntos e projetos.
Essa combinação ajuda a afastar uma imagem comum em histórias sobre crianças superdotadas: a de que um desempenho cognitivo elevado elimina necessidades emocionais ou sociais próprias da infância.
Identificação incorreta pode atrasar apoio a crianças com altas habilidades
A experiência da família também levou Claudia a chamar atenção para outra questão. Algumas crianças com grande facilidade de aprendizagem podem ser interpretadas apenas como inquietas ou desinteressadas.
Quando terminam rapidamente uma tarefa ou compreendem uma explicação antes do restante da turma, elas podem perder o interesse pela atividade seguinte ou procurar outros estímulos.
De acordo com os dados mencionados na reportagem, estimativas do Centro de Atenção ao Talento do México apontam para a possibilidade de aproximadamente 1 milhão de crianças superdotadas no país. Grande parte, porém, não estaria devidamente identificada.
O problema interessa particularmente a David porque ele considera que outras crianças podem ter capacidades semelhantes sem encontrar orientação, recursos financeiros ou oportunidades compatíveis com seus interesses. Para ele, perder esses talentos também significa limitar aquilo que essas pessoas poderiam futuramente produzir para suas comunidades.
Mensa estima milhões de brasileiros com pontuações elevadas de QI
A discussão ultrapassa o México. No Brasil, a Mensa, organização internacional criada no Reino Unido em 1946 e voltada a pessoas com altas pontuações em testes de inteligência, estima que aproximadamente 4 milhões de brasileiros, entre adultos e crianças, possam apresentar QI superior a 130.
O número ajuda a dimensionar por que histórias como a de David despertam interesse além das conquistas individuais. A questão não está somente em encontrar crianças que consigam realizar tarefas mais rapidamente, mas em criar condições educacionais e sociais capazes de acompanhar diferenças de ritmo sem transformar essas características em isolamento.
A própria experiência relatada por David Camacho mostra os dois lados. A facilidade para aprender abriu caminhos para idiomas, ciência, conferências e experiências relacionadas à Nasa, mas também veio acompanhada de incompreensão e dificuldades de integração na escola.
David Camacho quer que resultados futuros falem mais alto que o rótulo
Apesar do QI de 162 ser o dado que mais facilmente chama atenção, David tenta deslocar a conversa para aquilo que ainda pretende construir. Ele não se considera alguém que já tenha realizado feitos suficientes para ser colocado ao lado de grandes nomes da história.
Aos 10 anos, enxerga sua trajetória como uma fase inicial e não como uma obra concluída. Por isso, sua relação com o rótulo de “gênio” é marcada por resistência. O estudante prefere associar reconhecimento a realizações concretas, não apenas à capacidade indicada por um teste.
O Macayos talvez seja um dos primeiros exemplos dessa lógica. Em vez de manter o bullying como uma experiência exclusivamente pessoal, David Camacho decidiu transformá-lo em matéria-prima para uma ferramenta voltada a outras crianças.
Entre uma aula de idiomas, planos para a universidade, interesses em medicina e a possibilidade de seguir caminhos relacionados ao espaço, a história do estudante mexicano ainda está longe de ter um destino definido.
Fontes
G1
BBC
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

