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Aos 11 anos, menino que vende doces com o pai há três anos nos semáforos do Rio desenha a própria fantasia de super-herói, pede à avó para confeccionar o uniforme e passa a usar o personagem para atrair motoristas e aumentar as vendas depois que o desemprego do pai e o aluguel caro apertam as contas da família

Aos 11 anos, menino que vende doces com o pai há três anos nos semáforos do Rio desenha a própria fantasia de super-herói, pede à avó para confeccionar o uniforme e passa a usar o personagem para atrair motoristas e aumentar as vendas depois que o desemprego do pai e o aluguel caro apertam as contas da família

RJ

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Aos 11 anos, menino que vende doces com o pai há três anos nos semáforos do Rio desenha a própria fantasia de super-herói, pede à avó para confeccionar o uniforme e passa a usar o personagem para atrair motoristas e aumentar as vendas depois que o desemprego do pai e o aluguel caro apertam as contas da família

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 31/08/2026 às 15:41

Atualizado 31/08/2026 às 15:42

Curiosidades

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Menino de 11 anos cria fantasia de super-herói para ajudar o pai na venda de doces em semáforos do Rio de Janeiro. (Foto: R7)

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Matheus Máximo começou a acompanhar o pai nas vendas ainda criança e, diante das dificuldades financeiras em casa, criou o personagem “Super Vendedor”. Ele próprio desenhou a roupa, confeccionada depois pela avó, e passou a chamar a atenção de motoristas nos semáforos do Rio de Janeiro.

Aos 11 anos, Matheus Máximo encontrou na própria criatividade uma forma de tornar mais visível o trabalho que fazia ao lado do pai, Francisco Máximo, nos semáforos do Rio de Janeiro. O garoto desenhou uma fantasia de super-herói, pediu ajuda à avó para transformar o desenho em roupa e passou a vender doces caracterizado como o “Super Vendedor”.

A história foi exibida pelo programa Fala Brasil, da Record, em 19 de janeiro de 2022. Na época, Matheus já acompanhava o pai nas vendas havia cerca de três anos, o que indica que começou por volta dos 8 anos. Segundo a reportagem, a situação financeira da família havia se complicado com o desemprego de Francisco e uma renda insuficiente para bancar despesas como o aluguel.

O garoto explicou à emissora que decidiu ajudar depois de perceber as dificuldades dentro de casa. A necessidade acabou se misturando a uma ideia incomum para tentar vender mais. Em vez de simplesmente abordar os motoristas com os doces, Matheus criou um personagem próprio e transformou os minutos em que os carros ficavam parados no sinal em uma espécie de apresentação.

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O “Super Vendedor” nasceu de um desenho feito pelo próprio Matheus

A fantasia não foi comprada pronta. De acordo com a Record, Matheus desenhou como gostaria que o personagem fosse, e a avó ficou responsável pela confecção da roupa. O resultado foi o uniforme usado pelo menino para abordar clientes nos semáforos.

O personagem recebeu o nome de “Super Vendedor”. A estratégia tinha uma função bastante prática: diferenciar Matheus dos demais ambulantes e conseguir a atenção dos motoristas antes que o sinal abrisse novamente.

A reportagem também mostrou que ele não ficava restrito a uma única caracterização. Em algumas ocasiões, aparecia usando outros personagens para surpreender quem passava pelo local.

A ideia ajuda a explicar por que o menino começou a chamar atenção. Em uma venda feita no trânsito, o contato entre vendedor e comprador dura poucos segundos. A roupa colorida e o personagem facilitavam a identificação de Matheus entre os carros e serviam como uma maneira de iniciar a conversa com possíveis clientes.

Desemprego do pai e aluguel caro estavam por trás da decisão de ajudar

Dificuldades financeiras em casa levaram Matheus a começar a ajudar o pai nas vendas. (Foto: R7)

A parte mais significativa da história estava dentro de casa. Matheus contou que o pai havia ficado desempregado e que o dinheiro disponível para a família já não era suficiente diante das despesas.

“Minha mãe recebia muito pouco e o aluguel era caro, meu pai ficou desempregado e eu decidi ajudar”, relatou o menino na reportagem da Record.

Sua mãe, Ana Paula Máximo, contou que inicialmente ficou apreensiva com a participação do filho nas vendas. Francisco, por sua vez, acompanhava Matheus durante o trabalho e não o deixava sozinho nos semáforos. Sobre a parceria com o garoto, o pai afirmou à emissora que não poderia ter um parceiro melhor.

A participação do menino, portanto, não surgiu como um negócio independente. Ele acompanhava uma atividade que já era realizada pelo próprio pai e passou a buscar formas de melhorar as vendas quando percebeu que a família enfrentava dificuldades financeiras.

Mesmo vendendo doces, Matheus continuava frequentando a escola

Quando a história foi publicada, Matheus cursava o 6º ano do Ensino Fundamental. A reportagem destacou que o garoto mantinha os estudos ao mesmo tempo em que acompanhava o pai nas vendas.

O desempenho escolar apareceu como outro aspecto da rotina mostrada pelo programa. A família relatava orgulho das notas do menino, enquanto Matheus falava com confiança sobre o próprio desempenho em sala de aula.

Esse ponto, porém, também leva a uma questão que vai além da criatividade do personagem. Matheus tinha apenas 11 anos e realizava uma atividade econômica em espaço público, situação que deve ser analisada dentro das regras brasileiras de proteção à infância.

A legislação brasileira proíbe trabalho antes dos 16 anos, com uma única exceção a partir dos 14

Embora a história de Matheus tenha sido apresentada originalmente pela televisão pelo aspecto da criatividade e do esforço para ajudar a família, a legislação brasileira não permite o trabalho regular de crianças de 11 anos.

A Constituição estabelece idade mínima de 16 anos para o trabalho. A exceção começa aos 14 anos exclusivamente na condição de aprendiz, dentro de um programa de aprendizagem profissional. O Ministério do Trabalho e Emprego explica que esses programas precisam combinar formação teórica e prática e seguir regras específicas de proteção e acompanhamento.

Isso significa que dificuldades financeiras familiares não alteram a idade mínima determinada pela legislação.

A própria discussão sobre trabalho infantil procura separar tarefas comuns de formação e participação familiar de atividades destinadas à obtenção de renda. Ajudar a organizar a casa, guardar brinquedos ou realizar pequenas tarefas compatíveis com a idade é diferente de participar regularmente de uma atividade econômica.

No caso exibido pela Record, as vendas de doces tinham justamente o objetivo de gerar recursos para ajudar nas despesas da família.

Caso ocorreu em período em que trabalho infantil voltou a crescer no Brasil

Dados posteriormente divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ajudam a dimensionar o problema que existe por trás de histórias semelhantes.

Em 2022, mesmo ano em que a reportagem sobre Matheus foi publicada, cerca de 1,9 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos estavam em situação de trabalho infantil no Brasil, o equivalente a aproximadamente 4,9% das pessoas dessa faixa etária.

Segundo o IBGE, o contingente aumentou cerca de 7% entre 2019 e 2022, passando de aproximadamente 1,77 milhão para 1,89 milhão de crianças e adolescentes.

Os números mostram por que casos individuais de crianças trabalhando para complementar a renda familiar precisam ser observados por dois ângulos. Há a iniciativa pessoal demonstrada por quem tenta reagir às dificuldades, mas existe também a situação econômica que faz uma criança sentir que precisa participar do sustento da casa.

No caso de Matheus, foi justamente essa combinação que tornou a história conhecida. Aos 11 anos, ele transformou um desenho feito no papel em uma fantasia confeccionada pela avó e criou o “Super Vendedor” para chamar a atenção nos semáforos enquanto acompanhava o pai.

A criatividade era dele. A necessidade, porém, nasceu de contas muito concretas dentro de casa, entre elas o aluguel e a perda do emprego do pai.

Na sua opinião, histórias como a de Matheus mostram principalmente criatividade diante das dificuldades ou revelam como a falta de renda pode colocar responsabilidades de adultos sobre crianças?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

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