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Aos 12 anos atrás do balcão de um açougue, aos 16 pediu para ser emancipado para abrir a própria empresa e em 1998 viu um incêndio destruir tudo, e recomeçou para criar a Marfrig, maior produtora de hambúrguer do mundo, hoje num grupo de R$ 152 bilhões por ano

Aos 12 anos atrás do balcão de um açougue, aos 16 pediu para ser emancipado para abrir a própria empresa e em 1998 viu um incêndio destruir tudo, e recomeçou para criar a Marfrig, maior produtora de hambúrguer do mundo, hoje num grupo de R$ 152 bilhões por ano

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Aos 12 anos atrás do balcão de um açougue, aos 16 pediu para ser emancipado para abrir a própria empresa e em 1998 viu um incêndio destruir tudo, e recomeçou para criar a Marfrig, maior produtora de hambúrguer do mundo, hoje num grupo de R$ 152 bilhões por ano

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 06/08/2026 às 07:09

Atualizado em 06/08/2026 às 07:10

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Marfrig nasceu em 2000, dois anos depois de um incêndio destruir o primeiro frigorífico de Marcos Molina, que começou aos 12 anos no açougue da família.

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Marcos Molina começou no açougue da família em Mogi Guaçu, no interior de São Paulo. O primeiro frigorífico dele foi consumido pelo fogo depois de nove anos de operação, e ele ficou dois anos fora do ramo antes de comprar uma unidade em Bataguassu, no Mato Grosso do Sul.

A Marfrig nasceu em 2000, com a compra de um frigorífico em Bataguassu, no Mato Grosso do Sul, dois anos depois de um incêndio destruir o primeiro negócio de Marcos Molina, conforme reportagem publicada em setembro de 2025 pela Forbes Agro. Filho de açougueiro, ele começou a trabalhar aos 12 anos atrás do balcão do estabelecimento da família, em Mogi Guaçu, no interior paulista.

O caminho dele até o próprio negócio passou por uma decisão incomum. Aos 16 anos, pediu ao pai que o emancipasse para poder abrir uma empresa em nome próprio, o Marfrio, especializado na distribuição de miúdos de bovinos e suínos.

Nove anos e um incêndio

O primeiro negócio funcionou por quase uma década. Começou atendendo clientes locais em Mogi Guaçu e depois passou a fornecer para municípios vizinhos e para empresas e restaurantes de Campinas, a maior cidade da região.

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Em 1998, o frigorífico pegou fogo e foi destruído. Não houve vítimas, mas a estrutura se perdeu por completo, e com ela nove anos de trabalho.

Ele tinha 25 anos e levou dois anos para voltar ao ramo. Foi só em 2000 que recomeçou, e não em Mogi Guaçu, e sim a mais de mil quilômetros de distância, com a aquisição da unidade de Bataguassu, no Mato Grosso do Sul.

Por que Mato Grosso do Sul, e não São Paulo

A escolha do estado para o recomeço não foi acidente geográfico. Ela tem relação direta com uma mudança que estava em curso na pecuária brasileira naquele período.

O fim da década de 1990 e o início dos anos 2000 marcaram a consolidação dos programas estaduais de Novilho Precoce, liderados por estados como Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina. Esses programas estabeleceram critérios técnicos inéditos para o abate de animais jovens e bem terminados.

Até então, os frigoríficos recebiam predominantemente bois mais velhos, com carcaças heterogêneas e qualidade irregular. Ao atrelar bonificações fiscais e prêmios de preço a indicadores objetivos como idade, peso e acabamento de carcaça, os governos forçaram uma transformação no manejo, na genética e na alimentação dos rebanhos.

O empresário que frequentava leilão de gado

Marfrig nasceu em 2000, dois anos depois de um incêndio destruir o primeiro frigorífico de Marcos Molina, que começou aos 12 anos no açougue da família.

O negócio dele nos anos 1990 já tinha foco em cortes especiais, produto que se tornaria porta de entrada para grandes redes de restaurantes. Isso explica o interesse dele em se aproximar de pecuaristas modernos.

Ele se tornou figura conhecida em leilões de gado, sobretudo no interior de São Paulo, e usava essas ocasiões para formar vínculos e fechar negócios com produtores.

A lógica era de necessidade, não de relacionamento social. Como precisava de animais de melhor qualidade para abate, ele pagava prêmios por eles, prática que transformou a empresa em parceira de quem já vinha investindo em rebanho selecionado.

O que mudou na carne que chegava ao mercado

Marfrig nasceu em 2000, dois anos depois de um incêndio destruir o primeiro frigorífico de Marcos Molina, que começou aos 12 anos no açougue da família.

O efeito dos programas de novilho precoce foi imediato e mensurável. A carne ganhou maciez, os cortes ficaram regulares e o fornecimento passou a ser previsível.

Essa combinação abriu caminho para a valorização do produto brasileiro tanto no mercado interno quanto no externo, e a empresa dele acompanhou esse movimento desde o começo.

Havia coerência entre a matéria-prima e o cliente. Carne para restaurante e churrascaria exige padrão, e padrão era exatamente o que o novo modelo de abate entregava, o que colocou a operação no lugar certo no momento em que o país se firmava como maior exportador global de carne bovina.

Fora do grupo que dominava o setor

Nos anos 2000, a companhia já era considerada um frigorífico de peso, mas seguia fora do bloco que concentrava o poder no segmento de bovinos.

O mercado usava a sigla FBI para se referir a Friboi, Bertin e Independência, as três maiores do setor no início daquela década. O termo circulava entre analistas e imprensa como referência irônica ao domínio exercido pelas empresas, em paralelo com a agência norte-americana de mesma sigla.

O arranjo não durou. A Friboi se tornaria a JBS e lideraria o processo de fusões e aquisições, o grupo Bertin acabaria comprado por ela, e o Independência entraria em recuperação judicial na crise de 2008 e 2009. A partir dali, a concentração passou a se organizar em torno de JBS, Marfrig e Minerva.

A expansão que atravessou continentes

Depois de Bataguassu, entre 2001 e 2005, a empresa avançou para Promissão, no interior paulista, e para Paranatinga e Tangará da Serra, no Mato Grosso.

Em 2006 chegou a Goiás, Rio Grande do Sul e Rondônia, iniciou exportações para países vizinhos, adquiriu unidades na Argentina e no Uruguai e formou uma sociedade no Chile.

O passo seguinte foi financeiro. Em 2007, após implantar governança corporativa, a companhia abriu capital na bolsa brasileira a R$ 17 por ação. No ano seguinte recebeu aporte de R$ 472 milhões do BNDES, recurso que viabilizou a compra da Moy Park, na Irlanda do Norte.

A diversificação que deu errado

Em 2009 vieram duas aquisições de grande porte: a Seara, por US$ 900 milhões, e a norte-americana Keystone Foods, movimento que projetava receita de R$ 10 bilhões. Em 2010, o banco de fomento reforçou o apoio com R$ 2,5 bilhões em títulos conversíveis.

O problema apareceu depois. Atuar em várias proteínas ao mesmo tempo trouxe dificuldades operacionais e financeiras, e em 2013 a Seara Brasil foi vendida.

A venda marcou o retorno ao negócio de origem. A empresa recuou da diversificação e voltou a concentrar esforços na carne bovina, decisão que reorganizou a companhia depois de anos de expansão acelerada.

Estados Unidos, ações próprias e a virada de 2018

Marfrig nasceu em 2000, dois anos depois de um incêndio destruir o primeiro frigorífico de Marcos Molina, que começou aos 12 anos no açougue da família.

Em 2016, a companhia se tornou a primeira a exportar carne bovina in natura para os Estados Unidos. No ano seguinte, o banco de fomento converteu títulos em ações e a empresa passou a se chamar Marfrig Alimentos.

A movimentação mais ousada veio em 2018, com a compra da National Beef, quarta maior processadora dos Estados Unidos, e da Quickfood na Argentina, acompanhada da venda da Keystone.

Em 2019, o BNDES deixou a empresa e Molina ampliou a própria participação. Durante a pandemia, em 2020, ele comprou cerca de R$ 1 bilhão em ações da própria companhia, aposta feita justamente no período de maior incerteza do mercado.

O caminho até a fusão com a BRF

Marfrig nasceu em 2000, dois anos depois de um incêndio destruir o primeiro frigorífico de Marcos Molina, que começou aos 12 anos no açougue da família.

A operação que resultaria na atual configuração do grupo começou em 2021, quando a empresa adquiriu 31,66% da BRF.

A participação subiu para 40,9% em 2023, ano em que Molina assumiu a presidência do conselho e, junto com o fundo Salic, liderou uma capitalização de R$ 7,5 bilhões.

O desfecho foi a criação da MBRF, que reúne as marcas dos dois grupos. A nova companhia tem faturamento anual em torno de R$ 152 bilhões, presença em 117 países e nasceu como a sétima maior empresa do Brasil, com a Marfrig mantendo a liderança global na produção de hambúrgueres.

O gado que ficou fora da empresa

MFG Agropecuária

Há um negócio da família que foi separado da estrutura da companhia. Molina e os parentes são donos da MFG Agropecuária, que opera confinamento de gado próprio e serviço de boitel, modalidade em que o produtor paga para engordar animais em estrutura de terceiros.

São sete unidades distribuídas por Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo, com capacidade estática para cerca de 150 mil animais por giro.

A aquisição mais expressiva nessa frente aconteceu em 2016, com a compra da Agropecuária Jacarezinho, que pertencia ao Grupo Grendene. A propriedade é referência desde os anos 1990 em melhoramento genético de nelore, produzindo touros com Certificado Especial de Identificação e Produção, documento emitido pelo Ministério da Agricultura que atesta procedência, produtividade e potencial genético do animal.

Um empresário que quase não fala com a imprensa

Apesar do tamanho da operação, Molina é descrito como avesso a entrevistas desde sempre, e concedeu poucas ao longo da vida.

As exceções ficaram restritas à apresentação de projetos ou de resultados, e mesmo nessas ocasiões as falas eram concisas. O detalhamento ficava com a equipe dele.

Há um traço que atravessa essa relação com o próprio negócio. Os encontros aconteciam sempre em churrascaria, e a sede da empresa foi instalada em Itupeva, cidade a meio caminho entre Campinas e São Paulo, os dois maiores mercados consumidores desse tipo de carne no país.

Do balcão em Mogi Guaçu a 117 países

O percurso cobre pouco mais de quatro décadas e começa com um menino de 12 anos cortando carne no negócio da família. A primeira empresa própria veio aos 16, por emancipação, e durou nove anos até ser consumida pelo fogo.

O recomeço não foi uma repetição do que existia antes. Ele mudou de estado, comprou frigorífico em vez de distribuidora e entrou no mercado justamente quando a pecuária brasileira passava a produzir o tipo de animal que o cliente dele exigia.

E você, acha que histórias assim dependem mais de leitura de mercado ou de disposição para recomeçar do zero? Sabia que a maior produtora de hambúrguer do mundo nasceu de um açougue no interior de São Paulo? Conta nos comentários qual empresa brasileira mais te surpreendeu ao descobrir a origem.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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