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Aos 12 anos, garoto leva cientistas a uma descoberta de 160 milhões de anos após enxergar pegada menor que uma unha durante expedição nas montanhas da China

Aos 12 anos, garoto leva cientistas a uma descoberta de 160 milhões de anos após enxergar pegada menor que uma unha durante expedição nas montanhas da China

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Aos 12 anos, garoto leva cientistas a uma descoberta de 160 milhões de anos após enxergar pegada menor que uma unha durante expedição nas montanhas da China

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 22/08/2026 às 18:24

Atualizado em 22/08/2026 às 18:51

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Descoberta feita por um estudante de 12 anos nas montanhas de Pequim levou pesquisadores a examinar duas marcas minúsculas preservadas em rocha jurássica, abrindo uma nova frente para compreender a presença de pequenos anfíbios em ecossistemas asiáticos de cerca de 160 milhões de anos.

Durante uma saída com os pais pelo distrito de Mentougou, em Pequim, Ni Jingchen encontrou aos 12 anos uma pequena impressão que mais tarde seria identificada como parte do primeiro registro confirmado de pegadas de anfíbios do Jurássico Médio na Ásia.

Após o estudante publicar imagens do fóssil na internet, as fotografias chamaram a atenção do paleontólogo Xing Lida, professor associado da Universidade de Geociências da China, que conduziu uma equipe até a área e transformou a descoberta casual em investigação científica.

Publicado online em 30 de janeiro de 2026 na revista científica Ichnos, o trabalho descreve duas impressões preservadas em uma mesma placa de rocha da Formação Yaopo, unidade geológica do Jurássico Médio localizada na região de Pequim.

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Duas marcas minúsculas revelaram um anfíbio

A impressão mais bem preservada foi interpretada como uma pata dianteira e mede cerca de 1,5 centímetro, apresentando quatro dedos finos e alongados, enquanto a segunda marca, menos nítida, conserva cinco vestígios digitais associados pelos pesquisadores a uma provável pata traseira.

Pela posição e orientação na placa, as duas impressões, ambas com menos de 2 centímetros de comprimento e largura, podem ter sido produzidas pelo mesmo animal durante o deslocamento, embora o material não preserve uma sequência completa de passos.

Sem uma sequência completa preservada, os autores evitaram criar um novo icnotáxon para classificar o vestígio e preferiram comparar a anatomia das marcas com fósseis esqueléticos e registros conhecidos de anfíbios, buscando identificar qual grupo apresentava maior compatibilidade morfológica com as pegadas.

Garoto de 12 anos encontra pegada fóssil de 160 milhões de anos na China e ajuda cientistas a revelar registro científico inédito na Ásia.

Comparação aproximou as pegadas das salamandras

A análise apontou maior compatibilidade com Salamandroidea, grupo de anfíbios caudados que reúne linhagens de salamandras, mas essa interpretação se restringe ao provável produtor das marcas e não significa a descoberta de uma nova espécie, já que nenhum esqueleto do animal foi encontrado.

Para examinar detalhes difíceis de perceber diretamente na rocha, os pesquisadores produziram reconstruções digitais tridimensionais de alta resolução, recurso que permitiu observar diferenças sutis na superfície das impressões e reunir informações morfológicas úteis para compará-las com outros registros conhecidos de anfíbios.

Na descrição do estudo, a marca dianteira aparece mais nítida, com quatro dedos longos e estreitos, enquanto a impressão traseira está menos preservada e conserva cinco dedos curtos e mais largos; pequenos traços pontiagudos também foram observados junto à pegada dianteira.

Achado preenche lacuna no registro asiático

Antes da descoberta, o registro de pegadas de vertebrados do Jurássico Médio na Ásia era conhecido principalmente por rastros de dinossauros e tartarugas, sem documentação confirmada de anfíbios, o que tornou as duas pequenas marcas de Mentougou relevantes para o registro paleontológico continental.

O valor científico do material está justamente no tipo de vestígio preservado, porque restos corporais de anfíbios mesozoicos já eram conhecidos na Ásia, enquanto as impressões da Formação Yaopo acrescentam uma evidência direta do contato de um pequeno animal com aquele substrato.

Segundo os autores, a Formação Yaopo preservou uma flora composta por samambaias, ginkgos, cicadáceas e coníferas durante o Jurássico Médio, elementos que ajudam a reconstruir o cenário ambiental em que esses pequenos vertebrados viveram na região de Pequim.

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Foto publicada na internet levou cientistas ao local

A trajetória científica da placa começou com a observação de Ni, estudante do ensino fundamental e entusiasta de fósseis, que estava com os pais em Mentougou no início de 2025 quando encontrou o material e depois decidiu divulgar fotografias da descoberta na internet.

Ao ver as imagens, Xing Lida reconheceu que as marcas mereciam análise especializada e levou uma equipe ao local, etapa que permitiu relacionar o achado à Formação Yaopo e iniciar uma investigação voltada à identificação do animal responsável pelas duas impressões preservadas.

Com a procedência geológica estabelecida, os cientistas examinaram as pegadas em três dimensões e confrontaram sua morfologia com evidências disponíveis para anfíbios, chegando à interpretação de que um representante de Salamandroidea oferece a melhor correspondência para as características observadas na placa.

Depois da publicação na Ichnos, a pequena rocha encontrada durante uma saída familiar passou a integrar formalmente o registro científico do Jurássico Médio asiático, mostrando como duas impressões com dimensões inferiores a 2 centímetros podem acrescentar informação relevante à pesquisa paleontológica regional.

Além disso, a descoberta chama atenção para a raridade desse tipo de registro, já que pegadas de anfíbios são componentes incomuns dos conjuntos de rastros continentais do Mesozoico e, neste caso, sobreviveram em uma placa pequena o bastante para exigir análise digital detalhada.

Quantas outras evidências de pequenos animais que viveram há milhões de anos podem permanecer quase invisíveis em afloramentos semelhantes, esperando que uma observação cuidadosa reconheça, em poucos centímetros de rocha, um vestígio capaz de ampliar o conhecimento sobre um ecossistema antigo?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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