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Aos 14 anos, adolescente começou a criar bengala inteligente com sensores e GPS após ver dificuldade de mulher com deficiência visual

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6 min de leitura

Aos 14 anos, adolescente começou a criar bengala inteligente com sensores e GPS após ver dificuldade de mulher com deficiência visual

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 18/08/2026 às 09:15

Atualizado 18/08/2026 às 09:16

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Conheça a trajetória de Riya Karumanchi, uma adolescente inovadora que desenvolveu a SmartCane para ajudar pessoas com deficiência visual.

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Riya Karumanchi trabalhou no dispositivo ainda no ensino médio; aos 16 anos, já era fundadora da SmartCane, que havia recebido prêmios, serviços de engenharia e recursos tecnológicos de organizações como Microsoft e ICUBE.

Aos 14 anos, a canadense Riya Karumanchi já trabalhava em uma bengala inteligente projetada para ampliar a autonomia de pessoas cegas ou com deficiência visual. A ideia ganhou força depois que ela observou a avó de uma amiga enfrentando dificuldades para se movimentar dentro de casa. O dispositivo evoluiu para incorporar sensores capazes de detectar obstáculos, vibrações de alerta, GPS, orientação por áudio e recursos de visão computacional. Aos 16 anos, Riya já era apresentada como fundadora da SmartCane e havia conquistado apoio de programas de inovação, universidades e empresas de tecnologia.

A trajetória começou quando Riya ainda estava no ensino médio. Em 2017, ela participou como estagiária do Mobile and Electronic Health Development and Innovation Centre, o MEDIC, ligado ao Mohawk College, no Canadá. Segundo o próprio Mohawk College, Riya tinha apenas 14 anos naquele período e utilizou a experiência no centro para trabalhar na criação de uma bengala voltada a pessoas cegas e com deficiência visual.

O projeto não permaneceu apenas como uma ideia escolar. Nos anos seguintes, a SmartCane avançou no desenvolvimento técnico, participou de programas de inovação e recebeu diferentes formas de apoio, incluindo dinheiro, serviços de engenharia, prototipagem, espaço de trabalho, programas de aceleração e infraestrutura tecnológica.

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Bengala inteligente nasceu de uma dificuldade vista de perto

A motivação para o projeto surgiu de uma situação cotidiana. Em entrevista publicada pela Global News em outubro de 2019, Riya contou que estava na casa de uma amiga quando observou a avó dela, que tinha deficiência visual, encontrando dificuldades para circular pelo ambiente.

Segundo Riya, a mulher esbarrava em objetos enquanto tentava se locomover. A adolescente passou então a pensar em como poderia utilizar tecnologia para oferecer mais informações ao usuário de uma bengala durante o deslocamento.

Depois desse episódio, Riya começou a desenvolver a SmartCane ao longo dos meses seguintes. A proposta era combinar a função tradicional da bengala branca com tecnologias capazes de detectar elementos que poderiam não ser identificados facilmente apenas pelo contato da ponta da bengala com o chão.

Em 2019, quando a Global News apresentou o projeto, Riya tinha 16 anos. A reportagem mostrou que a solução já utilizava sensores para identificar obstáculos à frente do usuário.

O aparelho emitia vibrações quando identificava objetos em uma faixa que ia aproximadamente da altura dos joelhos até a cabeça. A proposta era fornecer um alerta adicional sobre obstáculos elevados, complementando as informações obtidas pela bengala durante o contato com o caminho.

GPS, vibrações e visão computacional entraram no projeto

O desenvolvimento avançou para além da simples detecção de objetos.

Riya explicou à Global News que a SmartCane tinha integração com GPS, utilizada para ajudar na orientação até um destino. Diferentes padrões de vibração poderiam fornecer instruções ao usuário, enquanto informações em áudio também faziam parte da solução apresentada naquele momento.

Outra tecnologia incorporada foi a visão computacional, pensada para fornecer descrições do ambiente ao redor do usuário. A combinação desses recursos transformava a proposta em uma versão tecnologicamente ampliada da bengala tradicional.

Isso não significa, porém, que o dispositivo já estivesse distribuído em larga escala.

Em 2019, Riya afirmou que algumas pessoas próximas e integrantes da comunidade haviam experimentado o equipamento. Naquele momento, levar a SmartCane ao mercado ainda era um objetivo. Ela declarou que esperava começar pelo Canadá, expandir posteriormente pela América do Norte e, no futuro, alcançar usuários em outras regiões.

Portanto, as funcionalidades apresentadas faziam parte de um projeto em desenvolvimento e não de um produto já utilizado massivamente.

Projeto venceu competição e recebeu pacote de apoio superior a $ 35 mil

O desenvolvimento da SmartCane também passou por competições voltadas à tecnologia assistiva.

O projeto foi vencedor do hackABILITY, iniciativa organizada pelo ICUBE da University of Toronto Mississauga em parceria com RIC Centre e Arrow Electronics. A competição reunia equipes interessadas em desenvolver soluções para pessoas com deficiência e oferecia suporte para transformar ideias em protótipos com possibilidade de desenvolvimento comercial.

Segundo o ICUBE da University of Toronto Mississauga, os cinco finalistas disputavam prêmios em dinheiro e benefícios avaliados em mais de $ 35 mil. A SmartCane foi escolhida como vencedora do grande prêmio.

A premiação mostra também que o apoio recebido pelo projeto não consistia apenas em dinheiro.

A SmartCane recebeu $ 1.000 em prêmio em dinheiro do ICUBE e acesso ao programa OPEN, avaliado em $ 5 mil. O RIC Centre disponibilizou programas, workshops, seminários e uma estrutura de aconselhamento empresarial com valor informado de outros $ 5 mil.

A Inertia Engineering ofereceu $ 10 mil em serviços, incluindo design industrial, engenharia, prototipagem e fabricação.

A Microsoft participou com acesso ao Microsoft BizSpark e serviços de nuvem Microsoft Azure, conjunto avaliado pelo ICUBE em $ 9 mil. Também foram oferecidos acesso a uma aceleradora de hardware avaliado em $ 3 mil e espaço de coworking e salas de reunião avaliados em $ 5 mil.

A página do ICUBE apresenta esses valores com o símbolo “$”, sem especificar na descrição da premiação uma conversão para outra moeda.

Aos 16 anos, Riya já era apresentada como fundadora da SmartCane

Dois anos depois de trabalhar no projeto aos 14, Riya já havia passado da etapa inicial de experimentação para uma posição de liderança no empreendimento.

Em novembro de 2019, o Mohawk College a descreveu como fundadora da SmartCane e destacou que o dispositivo naquele momento contava com GPS e sensores de proximidade. A instituição também registrou que o projeto havia atraído financiamento, serviços fornecidos sem cobrança direta e recursos de computação em nuvem de empresas, incluindo a Microsoft.

Naquele mesmo mês, Riya foi convidada para fazer uma apresentação na Catalyst Canada Honours Conference, evento voltado naquele ano ao futuro do trabalho. O tema previsto para sua participação era o potencial da tecnologia para contribuir para uma sociedade mais equitativa.

A evolução da SmartCane ocorreu enquanto Riya continuava estudando. Em 2019, a Global News informou que ela também participava do The Knowledge Society, programa de inovação voltado a jovens interessados em tecnologia.

Aos 16 anos, porém, a própria jovem ainda tratava a chegada efetiva do produto ao mercado como um passo futuro.

A história da SmartCane, portanto, reúne duas etapas distintas: primeiro, uma adolescente de 14 anos tentando desenvolver uma solução tecnológica para um problema que havia observado pessoalmente; depois, um projeto que conseguiu acessar laboratórios, programas de inovação, competições, serviços especializados e infraestrutura de grandes empresas.

O resultado foi uma bengala equipada com sensores, alertas por vibração, GPS e outros recursos projetados para oferecer informações adicionais durante a locomoção de pessoas com deficiência visual — uma tecnologia que, quando Riya tinha 16 anos, ainda buscava avançar dos testes e do desenvolvimento para uma utilização mais ampla.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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