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Aos 14 anos, estudante cria sistema que faz coluna do carro parecer transparente para reduzir ponto cego e ganha prêmio de US$ 25 mil

Aos 14 anos, estudante cria sistema que faz coluna do carro parecer transparente para reduzir ponto cego e ganha prêmio de US$ 25 mil

6 min de leitura

Aos 14 anos, estudante cria sistema que faz coluna do carro parecer transparente para reduzir ponto cego e ganha prêmio de US$ 25 mil

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 18/08/2026 às 06:34

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Alaina Gassler transformou uma dificuldade enfrentada pela mãe ao dirigir um Jeep Grand Cherokee em um projeto premiado: câmera, projetor e uma peça impressa em 3D reproduziam na coluna dianteira a imagem da área escondida do motorista.

Aos 14 anos, a estudante norte-americana Alaina Gassler desenvolveu um protótipo para reduzir o ponto cego provocado pela coluna dianteira de um automóvel. O sistema captava a área escondida por uma das colunas do para-brisa e projetava a imagem sobre a própria estrutura interna, criando para o motorista a impressão de enxergar através dela.

O projeto levou Alaina ao prêmio principal de US$ 25 mil do Broadcom MASTERS de 2019, competição nacional de ciência e engenharia para estudantes do ensino fundamental dos Estados Unidos.

Dificuldade da mãe com ponto cego deu origem ao projeto

A ideia nasceu de uma situação cotidiana dentro da própria família. Alaina vivia em West Grove, no estado da Pensilvânia, e estudava na Avon Grove Charter School. Na época em que desenvolveu o projeto, estava na oitava série.

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A família possuía um Jeep Grand Cherokee, mas a mãe da estudante tinha dificuldade para dirigir o veículo por causa das grandes colunas A, estruturas verticais localizadas nas laterais do para-brisa. Embora tenham função estrutural no veículo, essas peças também podem bloquear parte do campo de visão de quem está ao volante.

Foi observando esse problema que Alaina decidiu trabalhar em uma solução. O projeto recebeu o nome de “Improving Automobile Safety by Removing Blind Spots”, em tradução livre, “Melhorando a segurança automotiva por meio da remoção de pontos cegos”.

De acordo com o perfil oficial de Alaina publicado pela Society for Science, o objetivo era desenvolver um protótipo capaz de diminuir a área escondida da visão do motorista de maneira prática. A estudante também considerava necessário que os materiais fossem acessíveis e que o sistema pudesse funcionar em diferentes condições de iluminação.

Câmera do lado de fora mostrava o que a coluna escondia

O princípio do sistema era relativamente simples: mostrar sobre a coluna justamente aquilo que ela impedia o motorista de enxergar.

Alaina colocou uma webcam do lado externo da coluna A localizada no lado do passageiro. A câmera captava a imagem da região que ficava escondida pela estrutura quando observada da posição do motorista.

Dentro do veículo, um projetor recebia a imagem capturada e a reproduzia diretamente sobre a superfície interna da coluna. Quando o posicionamento era ajustado corretamente, a cena projetada se alinhava ao ambiente visto através do para-brisa, fazendo a peça parecer visualmente menos presente.

Em reportagem publicada pelo Philadelphia Inquirer em novembro de 2019, Alaina explicou o efeito obtido pelo sistema. Segundo ela, quando a projeção finalmente foi alinhada, era praticamente como se a coluna não estivesse ali e houvesse apenas uma área maior de para-brisa diante do motorista.

Isso não significava que a estrutura do veículo havia se tornado fisicamente transparente. A coluna continuava no mesmo lugar. O efeito dependia da câmera externa mostrar a área escondida e do projetor reproduzir essa imagem no ponto correspondente dentro do carro.

Impressão 3D ajudou a resolver um dos problemas

Chegar ao resultado exigiu ajustes.

Segundo o Philadelphia Inquirer, uma das primeiras dificuldades apareceu quando Alaina instalou câmera e projetor usando ventosas e conectou os dispositivos através de um computador. A imagem projetada ficou grande demais para a área disponível na coluna.

A estudante recorreu então a uma impressora 3D. Ela produziu uma peça específica que permitiu ajustar melhor o foco e o tamanho da projeção a uma distância tão curta.

O perfil oficial da competição também registra o uso da impressão 3D para criar uma peça destinada a permitir que a imagem do projetor fosse focalizada corretamente sobre a coluna.

Outro obstáculo foi o atraso da imagem. A transmissão inicialmente chegava ao projetor alguns segundos depois do que estava acontecendo do lado de fora, condição que inviabilizaria a aplicação pretendida.

O jornal relata que Alaina buscou uma solução de software até conseguir sincronizar a transmissão. Depois do ajuste, a imagem passou a se alinhar com a cena externa, permitindo demonstrar o conceito no Jeep da família.

Protótipo funcionou em testes, mas tinha limitação sob luz forte

A Society for Science informa que o primeiro protótipo foi testado durante deslocamentos com o pai de Alaina e funcionou. A demonstração, porém, ainda tinha uma limitação relevante: em ambientes com muita luminosidade, a projeção podia ficar difícil de visualizar.

A própria estudante considerava esse problema ao pensar em uma evolução do projeto. Para uma versão seguinte, ela planejava utilizar telas LCD em vez da imagem projetada, afirmando que esse tipo de tela poderia ser visto com maior facilidade durante o dia.

Tratava-se, portanto, de um protótipo e de uma demonstração de conceito, não de um sistema automotivo comercial pronto para instalação em veículos.

Depois da experiência, o equipamento foi desmontado e a família vendeu o Jeep utilizado nos testes. Alaina disse ao Philadelphia Inquirer que o objetivo central havia sido demonstrar que a ideia era viável. Ela também avaliava que o princípio poderia ser aplicado às colunas traseiras, embora tivesse começado pela dianteira porque havia mais espaço para realizar os experimentos.

Projeto levou Alaina ao prêmio principal de US$ 25 mil

O trabalho ganhou projeção nacional em outubro de 2019.

Em 29 de outubro daquele ano, Broadcom Foundation e Society for Science & the Public anunciaram que Alaina, então com 14 anos, havia conquistado o Samueli Foundation Prize, de US$ 25 mil, definido pela organização como o principal prêmio do Broadcom MASTERS.

O comunicado oficial da Society for Science sobre os vencedores registra que ela recebeu o prêmio tanto pelo trabalho relacionado à redução dos pontos cegos quanto por seu desempenho nas atividades realizadas durante a competição.

Os finalistas não eram avaliados exclusivamente pelo projeto apresentado na feira de ciências. A competição também considerava conhecimento em ciência, tecnologia, engenharia e matemática, além do desempenho dos estudantes em desafios práticos que exigiam colaboração, criatividade, comunicação e resolução de problemas.

Por isso, os US$ 25 mil não representavam simplesmente um pagamento pela invenção ou a escolha isolada do “melhor equipamento”. O prêmio reconhecia o conjunto do desempenho de Alaina no Broadcom MASTERS e seu projeto de engenharia.

De 2.348 candidatos a apenas 30 finalistas

A dimensão da seleção ajuda a mostrar o alcance da conquista.

Segundo os números oficiais da edição de 2019, 2.348 estudantes de 47 estados norte-americanos se candidataram ao Broadcom MASTERS. Desse grupo, somente 30 chegaram à etapa final, formada por 18 meninas e 12 meninos.

O Philadelphia Inquirer informou ainda que perto de 80 mil estudantes haviam participado, naquela primavera, de feiras científicas regionais ligadas ao processo que poderia levar à competição nacional. Os estudantes que obtinham classificação nessas feiras podiam ser convidados a se candidatar ao Broadcom MASTERS.

Isso significa que os aproximadamente 80 mil estudantes faziam parte do universo mais amplo das feiras regionais, e não que Alaina tenha disputado diretamente a final contra 80 mil concorrentes.

Os 30 selecionados viajaram a Washington, D.C., em outubro de 2019. Além de apresentarem seus trabalhos, participaram de atividades em equipe e desafios avaliados pela competição.

Uma dificuldade cotidiana virou projeto de engenharia

A trajetória do projeto começou com algo comum: uma motorista incomodada por não conseguir enxergar determinada área ao redor do carro. Alaina transformou a observação da dificuldade da mãe em um problema de engenharia e buscou uma forma de reproduzir justamente a parte da paisagem escondida pela estrutura do veículo.

Para chegar ao protótipo apresentado nacionalmente, combinou webcam, computador, projetor e impressão 3D, enfrentou problemas de escala da imagem e atraso da transmissão e conseguiu demonstrar o sistema no Jeep Grand Cherokee da família.

O resultado ainda possuía limitações, especialmente diante de luz intensa, mas foi suficiente para demonstrar o conceito e levar uma estudante de 14 anos de West Grove a ficar entre 30 finalistas escolhidos entre 2.348 candidatos e conquistar o prêmio principal de US$ 25 mil do Broadcom MASTERS de 2019.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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