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Aos 15 anos, jovem vira atendente do McDonald’s, passa no vestibular de Letras, tem a mudança de turno negada, pede demissão para conseguir estudar e, depois de ser o primeiro da família a conquistar um diploma, chega ao doutorado em Literatura e a um evento na Sorbonne como escritor
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 11/08/2026 às 22:22
Atualizado em 11/08/2026 às 22:52
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Trabalho precoce, paixão pela leitura e uma decisão difícil marcaram o caminho de Henrique Rodrigues antes da universidade. Entre mudanças profissionais, formação acadêmica, produção literária e experiências no exterior, sua trajetória reúne episódios que conectam emprego, educação e o desenvolvimento de uma carreira ligada aos livros.
Henrique Rodrigues começou a trabalhar como atendente do McDonald’s aos 15 anos e permaneceu na rede por mais de três anos, conciliando a rotina do fast-food com um interesse crescente por leitura, poesia e escrita durante uma fase decisiva da adolescência.
Quando decidiu cursar Letras e conseguiu aprovação no vestibular, surgiu um obstáculo imediato: para frequentar as aulas, ele precisava alterar seu horário de trabalho, mas o pedido de mudança de turno foi negado por um gerente da unidade.
Diante da incompatibilidade entre emprego e faculdade, Henrique pediu demissão para preservar os estudos, embora ainda precisasse contribuir com as despesas de casa, e encontrou trabalho em uma locadora de filmes e jogos de videogame, onde conseguiu organizar melhor a rotina.
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A mudança de emprego permitiu que ele continuasse frequentando a graduação e antecedeu uma trajetória acadêmica que, segundo reportagem do UOL, avançaria da formação em Letras para o mestrado e, posteriormente, para o doutorado em Literatura.
Primeiro diploma universitário da família
O diploma universitário ganhou um peso especial dentro da família, porque Henrique se tornou o primeiro entre seus familiares a concluir um curso superior, alcançando uma etapa educacional que havia parecido distante durante os anos em que começou a trabalhar ainda adolescente.
Muito antes da universidade, porém, a literatura já ocupava espaço em sua vida: enquanto trabalhava no McDonald’s, ele escrevia letras de rap e poesia, ampliava o contato com autores brasileiros e mantinha o desejo de desenvolver uma trajetória ligada aos livros.
Aos 13 anos, depois de vencer um concurso de frases na escola, Henrique já havia manifestado o desejo de se tornar escritor, uma vontade que continuou presente mesmo quando o emprego no fast-food passou a ocupar parte importante de sua rotina diária.
Experiência no McDonald’s virou referência literária
Anos mais tarde, a experiência atrás do balcão reapareceu em sua produção literária com o romance “O Próximo da Fila”, obra de ficção sobre um jovem em busca do primeiro emprego que encontra uma oportunidade de trabalho em uma lanchonete.
Embora o livro seja ficcional, Henrique reconheceu que a narrativa dialoga diretamente com elementos de sua própria biografia e com a realidade de adolescentes pobres que começam a trabalhar cedo, aproximando sua experiência profissional da construção do universo apresentado no romance.
Entre os 15 e os 18 anos, período em que trabalhou no McDonald’s, a leitura ganhou espaço fora do expediente e influenciou sua escolha pelo curso de Letras, tornando a aprovação no vestibular um ponto decisivo para reorganizar trabalho e estudos.
Sem conseguir a mudança de turno necessária, ele deixou a rede e buscou uma ocupação compatível com a faculdade, preservando ao mesmo tempo a possibilidade de contribuir financeiramente em casa e de seguir uma formação que depois avançaria para a pós-graduação.
Doutorado em Literatura e carreira ligada à educação
Depois da graduação, Henrique concluiu mestrado e doutorado em Literatura, enquanto sua atuação profissional passou a se concentrar em leitura, educação e formação cultural, aproximando a experiência acadêmica de projetos voltados à circulação de livros e ao contato com novos leitores.
Ao longo desse percurso, trabalhou como pesquisador de leitura da PUC-Rio, foi superintendente pedagógico da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro e coordenou o programa Oi Kabum!, voltado ao ensino de arte para jovens de periferias.
Mais tarde, também passou a atuar na área de literatura do Sesc e participou de iniciativas destinadas à formação de leitores e ao incentivo de novos escritores, ampliando profissionalmente uma relação com os livros que havia começado muito antes da universidade.
A carreira de autor avançou em paralelo: quando sua trajetória foi registrada pelo UOL, “O Próximo da Fila” era seu primeiro romance, mas Henrique já havia publicado outros dez livros distribuídos entre gêneros como poesia e literatura infantil.
Além dos próprios livros, ele organizou coletâneas de textos inspiradas em músicas de bandas como Legião Urbana e Beatles, mantendo uma produção literária que ultrapassou a experiência autobiográfica associada ao romance ambientado no universo do primeiro emprego.
De atendente de fast-food a evento na Sorbonne
Outro contraste marcante surgiu quando Henrique esteve em Paris como escritor e participou da Primavera Literária Brasileira, realizada na Universidade de Sorbonne, além do Salão do Livro da cidade, levando sua trajetória para ambientes acadêmicos e culturais internacionais.
Na mesma passagem pela capital francesa, ele conversou com estudantes do Lycée Sophie Germain e levou para esses encontros uma experiência iniciada anos antes no balcão de uma rede de fast-food no Rio de Janeiro, agora transformada em trajetória literária.
Durante a viagem, Henrique ainda entrou em uma unidade do McDonald’s e fotografou exemplares de “O Próximo da Fila” no local, criando uma ligação direta entre o trabalho da adolescência, o tema do romance e sua atuação posterior como escritor.
Trabalho precoce, estudo e mudança de trajetória
Antes de chegar a essa etapa internacional, sua formação também havia sido marcada por mudanças familiares: ainda criança, ele deixou a região de Itaguaí com a mãe e o irmão e passou a morar na Pavuna, na cidade do Rio de Janeiro.
Foi nesse contexto que viveu parte da adolescência, ingressou cedo no mercado de trabalho e começou a construir o caminho que depois o levaria ao ensino superior, à pós-graduação e a atividades profissionais ligadas à educação e à literatura.
Por ter sido o primeiro da família a obter um diploma universitário, Henrique também passou a servir de referência para parentes mais jovens, enquanto a graduação em Letras abriu espaço para novas etapas acadêmicas, profissionais e literárias dentro e fora do Brasil.
Mesmo depois de consolidar a carreira, ele manteve contato com escolas públicas e atividades de formação de leitores, relatando que costumava conversar com estudantes antes do expediente e que via essas visitas como uma forma de retribuir oportunidades educacionais recebidas.
Assim, a atuação profissional permaneceu ligada à mesma área que motivara sua decisão de deixar o emprego quando a mudança de turno necessária para frequentar a faculdade foi recusada, conectando trabalho, estudo, literatura e educação ao longo da trajetória.
Do balcão de uma lanchonete aos estudos de pós-graduação e aos encontros literários em Paris, a trajetória documentada de Henrique Rodrigues reúne trabalho precoce, acesso ao ensino superior, mudança profissional e produção cultural em uma sequência marcada por escolhas educacionais.
Quantas trajetórias poderiam seguir caminhos diferentes quando continuar estudando deixa de ser apenas uma possibilidade distante e passa a encontrar espaço concreto na rotina de quem precisa trabalhar, contribuir com a família e ainda construir uma formação acadêmica?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

